15.6 C
Brasília
quarta-feira, junho 10, 2026

Crítica | Godzilla: Rugido do Infinito – Plano Crítico

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Depois de ler e fazer as críticas dos cinco one-shots e da minissérie em que Godzilla enfrenta diversos personagens da Marvel Comics, meu colega Luiz Santiago deitou no chão em posição fetal, babando e por vezes balbuciando coisas ininteligíveis, o que foi diagnosticado no Asilo Arkham, para onde ele foi imediatamente enviado, como Frescrutite Lagartixóide, condição sem cura que o impediu, portanto, de continuar trabalhando nas continuadas aventuras do Lagarto Atômico no Universo Marvel. Isso exigiu que eu, responsável pelas críticas das minisséries do mesmo monstrão acompanhado de King Kong contra a Liga da Justiça lá na DC Comics que, vale dizer, totalizam mais edições do que a soma do que o crítico adoentado teve que ler, evidenciando minha superioridade absoluta, tive que arregaçar as mangas para trazer a crítica de Godzilla: Rugido do Infinito, segunda minissérie de três que coloca o bicharoco contra uma quantidade cada vez maior de personagens da Casa das Ideias que não parece mais ter tantas ideias assim.

No final de Godzilla Destroi o Universo Marvel, vemos Godzilla, ejetado para o espaço pelo brilhante plano de Reed Richards, tornar-se o bicho de estimação de ninguém menos do que Knull, o Rei dos Simbiontes, em sua eterna tentativa de acabar com tudo para poder viver em silêncio, objetivo de vida com que definitivamente consigo simpatizar. Godzilla: Rugido do Infinito (minha tradução nada inspirada de Godzilla: Infinity Roar) nem titubeia e já coloca a lagartixa com elefantíase como um agente de destruição galáctica que deixa desesperada a coalização de impérios, com planetas atrás de planetas sendo destruídos pelas baforadas atômicas do bicho e por Knull e seus simbiontes que chegam no rastro para terminar de destruir e dominar o que sobra. Godzilla é poderoso demais para ser controlado por Knull, mas Knull simplesmente se aproveita da raiva infinita da criatura, levando-a de planeta em planeta para tocar o terror, tudo com o objetivo de chegar à Terra novamente.

O que funciona no roteiro de Gerry Duggan, como para mim funcionou na minissérie anterior, é que ele simplesmente não leva nada a sério e esculacha por completo os super-heróis da Marvel. Cada plano mirabolante para acabar com Godzilla dá errado e tem efeito oposto, fazendo o bicho, que um dia foi o resultado de traumas de guerra em um arquipélago do Pacífico, tornar-se cada vez mais poderoso, o que só amplifica seu raio de destruição e o prazer de Knull em silenciar sistemas planetários inteiros. O problema é que essa destruição em escala intergaláctica é vazia, sem peso e, mesmo com o roteiro tirando sarro de tudo, não cria o tipo de curiosidade necessária para o leitor virar a página com aquela vontade de ver o que vai acontecer. Tudo é muito automático, básico, sem aproveitar de verdade o escopo destrutivo que Godzilla e Knull poderiam proporcionar e isso sem contar que Godzilla acaba sendo “diminuído” na história toda, não sendo muito mais do que uma marionete de Knull. Claro que há momentos inspirados, especialmente na arte – há uma pequena tropa de artistas dividindo o trabalhando ao longo das cinco edições -, como quando a presença de Galactus e sua luta contra Godzilla emula momentos clássicos de Alien, o Oitavo Passageiro, mas é pouco demais para algo que merecia momentos absurdamente explosivos praticamente a cada duas páginas.

Andando em paralelo com os planos anti-Godzilla que dão errado, o que inclui Odin reunindo heróis na Ponte do Arco-Íris, vemos o Doutor Destino calmamente costurando a sua própria estratégia para acabar com essa bagunça toda, com Duggan desacelerando por completo sempre que o Monarca da Latvéria aparece, seja para levá-lo ao Tibet para confabular com o espírito de um mago de outra era, seja para convocar o melhor boleiro de seu país para ajudar a atrair a atenção do Homem-Coisa, algo que me fez rir com vontade, admito. As páginas com Victor Von Doom, vale dizer, são bem melhores do que todo o restante e, para mim, é o que, no conjunto, eleva a minissérie para o nível em que ela conseguiu chegar para mim, ou seja, lá pela linha mediana, com um leve viés de alta. Com um final safadamente aberto, agora é esperar que a derradeira pancadaria, que já ganhou até título – Godzilla Conquista o Multiverso – consiga justificar pelo menos um pouco o esforço que é trafegar por esses crossovers. Enquanto isso, talvez o Luiz Santiago melhore de sua catatonia e já consiga comer sua papinha com as próprias mãos…

Godzilla: Rugido do Infinito (Godzilla: Infinity Roar – EUA, 2026)
Contendo:
Godzilla: Infinity Roar #1 a 5
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Javier Garrón (#1, 2 e 5) Ig Guara (#2 e 3), Ramon Rosanas, Stefano Nesi (#4), Domenico Carbone (#5)
Cores: Jesus Aburtov (#1 e 2), David Curiel (#3, 4 e 5), Java Tartaglia (#5)
Letras: Travis Lanham
Editoria: Lauren Amaro, Mark Paniccia, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 04 de fevereiro, 25 de março, 15 de abril, 06 de maio e 03 de junho de 2026
Páginas: 120



[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img