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sexta-feira, junho 5, 2026

Dólar dispara e vai a R$ 5,15, maior nível em 2 meses, com aposta em alta de juros nos EUA

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O câmbio doméstico enfrentou um movimento agudo de aversão a risco nesta sexta-feira, que levou o dólar ao maior nível em dois meses frente ao real. O mercado correu para reprecificar a trajetória de juros nos Estados Unidos e, assim, passou a trabalhar com um viés de dólar mais forte, após dados de emprego americano darem fôlego a apostas em um aperto das condições monetárias pelo Federal Reserve (Fed). Ainda que diversas moedas emergentes tenham sofrido com a valorização da divisa americana, o real figurou entre os piores desempenhos do dia, ao ser afetado, ainda, por uma piora na percepção de risco doméstico, que continuou a entrar na conta dos participantes do mercado.

No fim dos negócios no mercado à vista, o dólar era negociado a R$ 5,1566, em alta de 1,78%, perto da máxima do dia, de R$ 5,1571. A moeda americana, assim, alcançou o maior nível de fechamento desde 3 de abril. Na semana, o dólar acumulou alta relevante, de 2,26%.

Após a forte desvalorização observada na quarta-feira, o real se manteve em uma dinâmica negativa. A divulgação do relatório de empregos (“payroll”) de maio nos EUA surpreendeu os investidores ao mostrar um mercado de trabalho com forte criação de vagas e uma taxa de desemprego que seguiu estável. Os mercados, assim, intensificaram a reprecificação da trajetória esperada para os juros americanos e a aposta em um aumento nas taxas ainda neste ano pelo Fed passou a ser majoritária, o que fortaleceu o dólar de forma generalizada.

Ao longo da sessão, o dólar ganhou ainda mais força diante de um movimento bastante agressivo de “sell-off” das ações ligadas à inteligência artificial em Nova York, o que reforçou o sentimento de aversão a risco. O real, assim, se manteve em um “mood” negativo durante toda a sessão e esteve entre os piores desempenhos do dia. No fim da tarde, o dólar subia 1,21% contra o peso mexicano; avançava 1,40% frente ao rand sul-africano; e saltava 2,02% ante o peso chileno. Já o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra outras moedas principais, subia 0,68%, aos 100,088 pontos.

“O humor com o Brasil já não era dos melhores e, agora, veio essa ‘puxada’ nos mercados globais com o ‘payroll’”, observa um gestor de moedas em condição de anonimato. “O ‘excepcionalismo’ americano voltou.”

Participantes do mercado que ainda mantinham uma visão mais benigna para o dólar abandonaram esse “call”. Foi o caso do Wells Fargo que, depois da divulgação do “payroll”, zerou posições vendidas em dólar contra moedas do G10. Além disso, os estrategistas do banco abandonaram o viés mais favorável ao real por acreditarem que a piora do risco doméstico também tem pesado sobre a moeda brasileira.

“Observamos, nesta semana, uma combinação de fatores pressionando os ativos brasileiros, o que, somado ao posicionamento técnico já bastante carregado dos investidores, levou o real a um desempenho inferior”, notam os estrategistas do Wells Fargo. “Na nossa avaliação, o principal fator foi a expectativa de uma deterioração fiscal após as medidas recentemente implementadas pelo governo, que passaram a afetar as expectativas de inflação”, observam.

Os estrategistas, inclusive, acreditam que a dinâmica negativa que afetou o real e os outros ativos domésticos, sobretudo os juros, nesta semana “permaneça presente por mais algum tempo”. “Por isso, estamos neutros em relação ao real, aguardando níveis mais atrativos para voltar a montar posições compradas na moeda brasileira”, dizem os profissionais em nota enviada a clientes.

[Fonte Original]

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