O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) cumpriu agendas de pré-campanha em Belo Horizonte nesta segunda-feira (1) nas quais defendeu o combate às facções criminosas e o controle das contas públicas. A uma plateia de representantes do agronegócio, Flávio também defendeu o rigor fiscal para baixar a taxa básica de juros (Selic) e, para isso, afirmou que é preciso “livrar” o país do PT.
“O que acontece em Minas se reflete no resultado das eleições nacionais. Minas Gerais tem a grande responsabilidade que é ajudar o Brasil a se livrar do PT. Todos nós temos a grande responsabilidade de impedir que o Brasil pule no precipício sem paraquedas”, afirmou o senador, durante o evento Eloos Itatiaia.
O senador disse que o agronegócio “respira por aparelhos” e “consegue manter a pujança apesar do governo”. Ele criticou os gastos públicos, observando que a dívida pública ultrapassou 80% do valor do Produto Interno Bruto (PIB). “Essa hemorragia só pode ser estancada com o controle das contas públicas, com as despesas cabendo dentro do orçamento”, afirmou.
O pré-candidato citou como medida para reduzir as despesas públicas o fechamento de ministérios. Segundo ele, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram cortados mais de 20 mil cargos comissionados. Flávio também disse que usará inteligência artificial para controlar e evitar o desperdício de recursos públicos, e a venda de imóveis da União que, segundo ele, geram despesas de mais de R$ 300 milhões por ano.
“Temos que acelerar e desburocratizar a exploração de petróleo na Margem Equatorial e desburocratizar a venda de petróleo. Isso pode gerar centenas de bilhões de reais para o caixa, que poderá ser usado para investimentos em infraestrutura”, afirmou o senador.
Flávio Bolsonaro disse que é preciso “crescer o bolo”, garantir mais previsibilidade na arrecadação e cortar despesas para conseguir reduzir juros e atrair novos investimentos estrangeiros para o Brasil.
O pré-candidato disse ainda que há hoje uma “ideologização” que aumenta a burocracia nos licenciamentos ambientais para autorizar projetos de mineração e de produção de fertilizantes. “Tem que ter força de vontade, coragem e atacar veementemente a burocratização das licenças. É importante que o governo brasileiro subsidie a produção em larga escala de fertilizantes”, afirmou.
O senador defendeu ainda a destinação de recursos do governo para o seguro rural e para garantir um fundo emergencial para atender regiões afetadas por eventos climáticos extremos.
Horas antes, Flávio defendeu o combate às facções criminosas, durante visita ao Hospital da Baleia, em Belo Horizonte. O senador se encontrou na semana passada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocasião em que, de acordo com o senador, falaram sobre segurança pública. Dois dias após a reunião, o governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
“Não vamos arredar pé, vamos para cima. Eu conto aqui com o povo mineiro para nos ajudar a combater esses terroristas, porque é assim que a gente vai conseguir fazer o Brasil respirar, voltar a trazer esperança para o povo brasileiro de andar em paz nas ruas e não ficar com medo dentro de casa”, afirmou.
Perguntado sobre pesquisas eleitorais mais recentes, que apontam uma vantagem maior para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio limitou-se a dizer que segue na corrida.
Ele também disse que, se eleito, vai dar mais atenção à saúde pública. “Certamente é um compromisso nosso, que a partir do ano que vem, sendo essa a vontade de Deus e do povo brasileiro, o governo federal vai dar muito mais atenção para uma unidade como essa, vai dar todo o amparo necessário para que os atendimentos aqui sejam ainda melhorados e ampliados”, disse.
Flávio Bolsonaro chegou por volta das 14h em Belo Horizonte. Ele também visitou o Mercado Central, onde foi recebido por correligionários.
O senador cumpre agenda acompanhado de lideranças do partido, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), os deputados estaduais Bruno Engler (PL), Sargento Rodrigues (PL) e Cristiano Caporezzo (PL) e o deputado federal e pré-candidato ao Senado Domingos Sávio (PL-MG).
A expectativa do partido é que a visita contribua no avanço das negociações para escolha de um candidato ao governo de Minas Gerais.
Atualmente o principal nome avaliado é o do senador Cleitinho (Republicanos-MG). Mas uma ala do PL defende candidatura própria, com Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).