Com as novas regras que flexibilizaram a emissão da primeira Carteira Nacional de Trânsito (CNH), o número de exames de práticos de direção no país bateu recorde. Houve crescimento de 23,5% nos cinco primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram revelados pelo Ministério dos Transportes nesta quarta-feira.
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Entre janeiro e maio de 2026, ocorreram 2.280.021 exames práticos de direção no Brasil — foram 1.845.694 avaliações nos primeiros cinco meses do ano anterior. O governo Lula cita que é o valor mais alto já registrado para o período desde a criação do Código de Trânsito Brasileiro, em 1997.
Em comunicado, a pasta destaca que apesar do aumento no número de candidatos, as filas não cresceram na etapa final do processo de habilitação. Entre janeiro e maio de 2026, o país emitiu 1.138.190 CNHs — o maior resultado da história para o período.
Segundo a pasta, dados dos Detrans também mostram um aumento na realização de cursos práticos de direção. Foram registradas 2.343.393 instruções nos primeiros cinco meses de 2026, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior.
As novas regras para obtenção da CNH passaram a valer em dezembro. Entre as mudanças mais significativas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) está o fim da obrigatoriedade de fazer aulas em autoescolas, etapa que era padrão no processo de formação de motoristas.
As alterações visam diminuir o número de pessoas que dirigem sem carteira e ampliar o acesso à formação. Além dos 20 milhões de condutores irregulares, outros 30 milhões de brasileiros têm idade suficiente para obter a CNH, mas não iniciaram o processo, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O que muda na prática
O novo modelo flexibiliza tanto o curso teórico quanto as aulas práticas. O conteúdo teórico será oferecido gratuitamente em formato digital pelo governo, e o candidato poderá estudar em forma remota, presencialmente ou com entidades credenciadas. Não haverá mais uma carga horária mínima predefinida — antes eram exigidas horas de aula.
As mudanças nas aulas práticas são ainda maiores. A carga obrigatória cai de 20 horas para apenas 2 horas, e será possível treinar com um instrutor autônomo autorizado ou em autoescolas tradicionais. O candidato também poderá usar seu próprio veículo durante as aulas e na prova prática, desde que atenda aos requisitos estabelecidos pelo Código de Trânsito Brasileiro.
A figura do “instrutor autônomo”, agora regulamentada, abre espaço para profissionais credenciados pelos Detrans que poderão oferecer treinamento sem vínculo com autoescolas. O governo promete um curso gratuito de formação e fiscalização integrada por meio da Carteira Digital de Trânsito.
Provas continuam obrigatórias
As etapas de avaliação — prova teórica e exame prático — permanecem intactas. O ministro dos Transportes, Renan Filho, já afirmou que o objetivo é trocar a ênfase na quantidade de aulas pelo desempenho nas provas, modelo adotado em países como Estados Unidos e Reino Unido.
Possível redução de custos
O governo estima que, com as flexibilizações, o custo para tirar a CNH pode cair até 80%. Hoje, dependendo do estado e da autoescola, o valor total pode chegar a R$ 5 mil. Uma pesquisa encomendada pelo próprio Ministério dos Transportes mostrou que o preço é o principal motivo pelo qual um terço dos brasileiros não inicia o processo de habilitação.
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