No discurso de abertura do Congresso Mundial de Mídia Noticiosa, em Marselha, na França, na segunda-feira (1º), Sulzberger trouxe uma análise categórica sobre como as empresas de inteligência artificial estão “explorando” os sites e o valor dos veículos de comunicação, no que chamou de “um roubo descarado de propriedade intelectual que ocorreu em uma escala sem precedentes.” (Veja aqui a íntegra do discurso em inglês)
Sulzberger defendeu que as empresas de mídia noticiosa ajam com cautela em acordos com empresas de IA, que pressionem seus legisladores por regras que protejam a propriedade intelectual, proíbam a coleta de dados não autorizadas por robôs de IA e exijam que as plataformas revelem como usam o trabalho das editoras de notícias para treinarem seus modelos de IA.
Em dezembro de 2023, o The New York Times decidiu processar a OpenAI e a Microsoft por violações da lei de direitos autorais dos EUA.
“Não podemos ficar de braços cruzados enquanto as empresas de IA tentam desmantelar permanentemente o jornalismo original”, clamou Sulzberger. “Ao nos prepararmos, devemos nos lembrar: a informação é valiosa. O jornalismo é valioso”, afirmou o presidente do The New York Times
Anthropic amplia acesso ao Mythos para mais de 15 países
A Anthropic decidiu ampliar o acesso a seu modelo de IA que detecta e corrige de vulnerabilidades de segurança, o Mythos, a 150 organizações em mais de 15 países por meio do Projeto Glasswing, ampliando o acesso ao software além dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Entre as organizações contempladas estão empresas de tecnologia como Okta, Samsung, SK Hynix e SK Telecom, instituições financeiras como Euroclear, Intercontinental Exchange e a plataforma Swift, além de organismos como a Otan e a agência de cibersegurança da União Europeia, Enisa, informou o Financial Times.
A expansão ocorre após o lançamento do Claude Mythos Preview em abril, que inicialmente restringiu o acesso a cerca de 50 empresas majoritariamente americanas devido ao poder do modelo em programação e ao risco de uso em ataques cibernéticos, mas gerou preocupação em organizações de todo o mundo, incluindo o Banco Central Europeu (BCE).
Nvidia contra-ataca com oferta de chip de IA dentro do PC
A Nvidia está embarcando no principal mercado de empresas como Intel, AMD e Qualcomm com a oferta de um chip de IA para computadores pessoais (PCs). A linha RTX Spark foi apresentada no início da semana pelo executivo-chefe (CEO) da Nvidia, Jensen Huang, no evento de tecnologia Computex, em Taiwan.
A empresa descreve o RTX Spark como “o chip para PCs mais eficiente já construído” e o posiciona para rodar agentes de inteligência artificial (IA) localmente em laptops e desktops, reduzindo dependência de serviços de nuvem em centros de dados.
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A Nvidia desenvolveu o chip em colaboração com a MediaTek, usando a tecnologia licenciada da desenvolvedora de chips Arm. A empresa informou que está trabalhando com fabricantes como Microsoft, Dell e HP em que, futuramente, os fabricantes lançarão 30 modelos de notebooks e 10 modelos de desktops com o novo processador.
Ações de chips de memória correm risco no jogo de oferta e demanda
A supervalorização de ações de fabricantes de chips de memória como a americana Micron Tecnology e as sul-coreanas SK Hynix e Samsung Electronics é um risco para investidores, alertam analistas de mercado. Eles argumentam que a chegada destas empresas no chamado “clube do trilhão” de dólares em valor de mercado se sustenta na inflação global nos preços de memórias e não em inovação.
A migração de capacidade produtiva destas fornecedoras para memórias ultrarrápidas HBM (sigla para High Bandwidth Memory) voltadas a centros de dados de IA, resultou em uma escassez global de memórias comuns de processamento (DRAM) e armazenamento de dados (NAND), consideradas commodities, desde o fim do ano passado.
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“Uma empresa como a Micron não está cobrando mais por chips de memória DRAM e NAND porque elas são melhores, mas porque há escassez. Então vemos um risco para esses papéis por conta do segmento ao qual estão expostos”, disse a analista do Global Technology Fund da gestora de investimentos São Pedro Capital, Gabriela Moraes, ao Valor.
Embora tanto a Micron como a SK Hynix e a Samsung tenham anunciado, recentemente, iniciativas para elevar suas capacidades produtivas nos próximos anos, se a China for mais rápida no suprimento da demanda global, as ações das empresas que entraram no clube do trilhão podem despencar, alerta Moraes.
A crise no fornecimento de chips de memória é o principal motivo da queda de quase 14% nas vendas de celulares no mundo, este ano, projeta a Counterpoint Research.
‘Mega IPOs’ nos EUA desafiam fluxo para ações brasileiras
As mega-aberturas de capital (IPOs) das empresas de tecnologia e IA SpaceX, OpenAI e Anthropic, que podem captar mais de US$ 150 bilhões juntas nos próximos meses, levantam uma preocupação de investidores no Brasil: a de que a corrida global por empresas de tecnologia possa prolongar a saída de recursos de alguns mercados, justamente em um momento em que o investidor estrangeiro já reduz exposição à bolsa brasileira.
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Embora não haja consenso sobre a magnitude desse efeito, parte do mercado vê risco de pressão adicional sobre o Ibovespa no curto prazo, enquanto outra ala acredita que a demanda será absorvida sem comprometer a atratividade relativa do Brasil.
Na segunda-feira (1º), a Anthropic largou na frente ao protocolar o seu IPO confidencialmente, buscando superar a OpenAI, sua concorrente direta.
Já a SpaceX, empresa de Elon Musk, pretende lançar seu “roadshow” em 4 de junho, com a estreia das ações na Nasdaq prevista para 12 de junho, mas a empresa de análises financeiras Morningstar fixou seu valor em US$ 780 bilhões, menos da metade do que a empresa supostamente busca em seu IPO.
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