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sexta-feira, junho 5, 2026

Ibovespa acumula oito semanas seguidas de queda pela primeira vez desde o Plano Real

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A força do mercado de trabalho americano vista hoje no relatório “payroll” provocou uma mudança relevante na precificação dos juros até o fim do ano nos EUA, o que afetou em cheio ativos de risco, como a bolsa local. Desde os primeiros minutos do pregão desta sexta-feira, o Ibovespa adotou um movimento mais negativo, com investidores tornando majoritária a aposta em uma alta dos Fed funds até o fim do ano, e bancos reduzindo drasticamente o espaço para a queda da Selic em 2026.

No pior momento do dia, o Ibovespa chegou a tocar nos 168.910 pontos, mas conseguiu devolver uma parte das perdas na reta final do pregão. Ainda assim, em meio a um cenário de maior aversão ao risco global e a um recuo mais forte de blue chips de commodities, o índice terminou em queda de 0,77%, aos 169.019 pontos, distante da máxima de 170.457 pontos. Na semana, a principal referência acionária local perdeu 2,74%. É a primeira vez desde o Plano Real que o Ibovespa acumula oito semanas seguidas de queda, segundo levantamento feito pelo Valor Data.

O desempenho negativo do índice também foi intensificado pelo recuo nos preços do minério de ferro e do petróleo, o que pesou sobre as ações da Vale e da Petrobras. Após cair mais de 4%, as ON da mineradora terminaram com baixa de 3,78%, enquanto as PN da petroleira cederam 0,87%.

Os preços de minério de ferro voltaram a recuar no pregão de hoje, em meio a temores pelo lado da oferta da commodity. Analistas da consultoria Nanhua Futures apontam, em nota, que a oferta de minério de ferro proveniente da Austrália vem crescendo nas últimas semanas, ao mesmo tempo em que os embarques repentinos a partir do principal porto ligado à mina de Simandou, na Guiné, cresceram, o que tem pressionado as cotações.

Bancos, por outro lado, ajudaram a segurar uma desvalorização ainda maior do índice, ao adotar um desempenho majoritariamente positivo. No fim da sessão, as PN do Bradesco lideraram os ganhos, ao subir 0,58%. Já as ON do Banco do Brasil responderam pela maior queda, de 1,84%.

Na volta do feriado de Corpus Christi, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 18,9 bilhões e de R$ 26,5 bilhões na B3. O movimento negativo na bolsa local, no entanto, foi menos intenso do que o visto em outros mercados, como as bolsas americanas. No fim, o Nasdaq cedeu 4,18%, com a queda de techs pesando sobre o índice; o S&P 500 perdeu 2,64%; e o Dow Jones recuou 1,35%.

Da mesma forma, o desempenho negativo do Ibovespa foi menos expressivo do que o registrado no câmbio. Após subir até os R$ 5,1571, na máxima intradiária, o dólar à vista terminou com ganho de 1,78%, a R$ 5,1566.

Segundo participantes do mercado, uma possível rotação de ações de tecnologia para ações brasileiras pode ter limitado um pouco as perdas do índice. A vinda de capital de investidores estrangeiros, porém, não parece significativa.

“Pode ser que a compra de Brasil seja apenas marginal, mas num dia como hoje isso ajuda bastante. O que está me chamando atenção é o desempenho da bolsa em um pregão de câmbio bem fraco”, diz um gestor. “Por isso não acho que seja um movimento relevante do gringo. Se fosse, câmbio estaria bem melhor”, avalia o profissional.

A maior aversão a risco no pregão foi disparada após a divulgação do payroll. Segundo o Departamento do Trabalho, a economia americana criou 172 mil empregos em maio, resultado significativamente acima das expectativas de mercado, que apontavam para a criação de 80 mil vagas. Além disso, o dado de abril foi revisado de 115 mil para 179 mil novos postos de trabalho.

O economista sênior do Inter, André Valério, avalia que os dados recentes não apontam para uma desaceleração do mercado de trabalho americano no curto prazo; pelo contrário, reforçam um cenário de resiliência. Com a inflação ainda próxima de 3,8% e as expectativas inflacionárias pressionadas, o profissional observa que os incentivos para cortes de juros do Fed no curto prazo estão menores agora.

“A principal questão agora é avaliar se o choque inflacionário provocado pelo petróleo terá caráter temporário. Caso esse movimento seja revertido, o Fed poderá manter os juros no nível atual até uma normalização do ambiente internacional”, diz. “Ainda assim, na margem, ganha força o cenário em que o Fed possa ser levado a retomar o ciclo de alta de juros, caso as pressões inflacionárias persistam”, acrescenta Valério.

Investidores também acompanharam o desenrolar das negociações entre EUA e Irã. O cessar-fogo entre o Líbano e Israel, ainda que frágil, continuou a alimentar as esperanças por um consenso entre Washington e Teerã.

[Fonte Original]

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