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quinta-feira, junho 4, 2026

Embrapa Une Cinco Unidades no Bioinova e R$ 14 Milhões para Acelerar a Transição Energética

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Quando Bruno Laviola fala em biorrefinarias tropicais, ele não está pensando apenas em usinas e processos industriais. Está pensando em resíduos que viram combustível, em canola crescendo em solos secos demais para a soja e em microrganismos que transformam sobras agroindustriais em energia para pequenas propriedades rurais.

Laviola é chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, unidade sediada em Brasília, e desde que o projeto Bioinova foi aprovado com aporte de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o horizonte de trabalho da instituição ganhou nova escala. “Com isso, vamos aumentar a nossa capacidade de gerar evidências, qualificar processos e acelerar a entrega de soluções em rotas como combustível sustentável de aviação, biohidrogênio, biometano, etanol e em tecnologias associadas ao desenvolvimento de matérias-primas e bioinsumos”, diz ele.

O Bioinova, que foi lançado em 20 de maio, reúne cinco unidades da Embrapa numa estratégia institucional em rede liderada pela unidade de Brasília: Agroenergia (DF), Agroindústria Tropical (CE), Milho e Sorgo (MG), Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e Trigo (RS).

Embrapa/CortesiaLaviola é chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia

O projeto tem duração de 36 meses, dez metas técnicas e foco declarado: transformar biomassa e resíduos agroindustriais em energia, combustíveis renováveis e insumos de base biológica, com redução de emissões e ganhos de competitividade para as cadeias agroenergéticas brasileiras.

Os recursos da Finep serão aplicados na modernização de equipamentos e no fortalecimento da infraestrutura das cinco unidades participantes, numa estrutura de uso compartilhado aberta a projetos internos, parcerias e cooperação técnico-científica.

Guy de Capdeville, líder do projeto e pesquisador da Embrapa Agroenergia, descreve a iniciativa como uma resposta integrada a desafios que nenhuma unidade enfrentaria sozinha. “Estamos ampliando sinergias e o nosso potencial de entrega de soluções para o setor produtivo e para a sociedade. O Bioinova foi concebido para acelerar soluções integradas e aplicáveis, conectando o campo às rotas tecnológicas de biocombustíveis e bioprodutos”, afirma.

Para viabilizar os trabalhos, ele adianta que pelo menos 30 profissionais serão contratados ao longo do projeto, entre graduandos, pós-graduandos e pesquisadores já formados. Os recursos cobrem também a manutenção de infraestrutura já existente, pesquisas em campo e compra e conservação de equipamentos ao longo dos três anos.

“Sabemos o quanto é importante trabalharmos com garantias tanto para aquisição quanto para manutenção ao longo de três anos de projeto. Trata-se de um projeto amplo, que foca não apenas na infraestrutura da Embrapa, mas também de parceiros”, diz Capdeville.

O projeto trabalha com uma cadeia circular: os resíduos da produção de biocombustíveis realimentam as biomassas desenvolvidas internamente, e essas biomassas geram novos combustíveis e bioprodutos com emissões mais baixas em toda a cadeia. “Essas biomassas podem gerar novos biocombustíveis e bioprodutos mais sustentáveis, buscando reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade em toda a cadeia”, diz Laviola.

As dez metas técnicas do Bioinova abrangem o desenvolvimento de canola tropicalizada para biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês); três bioinsumos produzidos a partir de resíduos agroindustriais; microbiomas semiartificiais para produção de biomassa em áreas marginais com estresse hídrico e salino; composto derivado de lignina para uso agrícola; processos para produção de etanol a partir de matérias-primas amiláceas; geração de biohidrogênio e biometano por biodigestão, com foco em pequenas e médias propriedades; obtenção de hidrocarbonetos para SAF a partir de óleos de canola e macaúba; modelagem de impacto econômico e ambiental das tecnologias geradas; uma plataforma multifuncional com biologia integrativa, inteligência artificial e biotecnologias voltadas a culturas energéticas; e extração de biocidas de baixa emissão para controle de nematoides em cultivos associados à bioenergia.

Embrapa Une Cinco Unidades no Bioinova e R$ 14 Milhões para Acelerar a Transição Energética
Felipe Carvalho/EmbrapaBiorreator para SAF — Combustível Sustentável de Aviação

Para alcançar essas metas, o Bioinova mobilizará grande parte das equipes técnicas das cinco unidades e trabalhará em áreas sujeitas a seca e salinidade, incorporando ferramentas de biotecnologia avançada e análise de viabilidade econômica. Laviola reforça que a atualização da infraestrutura é decisiva nesse processo: reduz o tempo de desenvolvimento, qualifica os resultados e aproxima a ciência do setor produtivo.

A expectativa, ao final dos 36 meses, é que a Embrapa entregue ao setor produtivo e aos formuladores de políticas públicas um conjunto de processos e tecnologias com evidências de desempenho avaliadas por modelagens de ciclo de vida e impacto econômico-ambiental.

“Ao final, esperamos entregar um conjunto consistente de processos e tecnologias, com evidências de desempenho e sustentabilidade avaliadas por meio de modelagens dos impactos econômico e ambiental e de ciclo de vida das tecnologias geradas ao longo do projeto. Tais informações nos permitirão apoiar decisões de investimento, formular políticas públicas, aprimorar cadeias produtivas e ampliar o papel da agricultura na oferta de energia renovável e de baixo carbono”, conclui Capdeville. (Com Embrapa)

[Fonte Original]

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