Inspiradas por movimentos de quase um século atrás, forças políticas de extrema direita contemporâneas resgatam símbolos outrora usados pelos fascistas. Uma iconografia que se reflete tanto na composição dos gabinetes de alto escalão desses governos, quanto nas roupas e até nos corpos dessas lideranças — majoritariamente masculinas e brancas — e de suas companheiras.
Para essa doutrina política — baseada em ordem, controle e disciplina — é importante assumir e demonstrar papéis de gênero muito específicos e bem definidos. Homens são influenciados a alimentarem corpos cada vez mais musculosos, em sinal de força e liderança. Em contraponto, os visuais “delicados” das mulheres reforçam sua “energia feminina” e as posicionam como seres frágeis carentes de proteção, além de puros, cujos corpos precisam ser escondidos e preservados. Nesse contexto, o culto à magreza — às vezes extrema — entre mulheres, volta a chamar atenção.
— Ter um corpo magro e tonificado é visto como ter controle sobre si mesmo, o próprio corpo e a própria vida — analisou Lois Shearing, jornalista que pesquisa as relações entre mulheres e a extrema direita, ao GLOBO.
Com a valorização da ideia de “família tradicional”, restrita a padrões brancos, cisgêneros e heteronormativos, núcleos familiares como o do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, se tornam referência de um padrão estético, moral e de devoção ao propósito político e religioso dessa ideologia.