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quarta-feira, julho 29, 2026

A evolução pode ser mais complexa do que Darwin imaginava

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Durante mais de um século, a teoria de Lamarck foi apresentada como uma ideia ultrapassada. Agora, novas descobertas indicam que alguns mecanismos defendidos pelo naturalista francês podem ajudar a explicar fenômenos que a teoria evolutiva tradicional não descreve completamente.

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Em artigo publicado no The Conversation, Pim Edelaar, Professor Visitante da Divisão de Biodiversidade e Evolução na Universidade de Lund, argumenta que o Lamarckismo pode complementar, e não substituir, a seleção natural de Darwin.

Darwin continua essencial, mas novas pesquisas mostram que a evolução pode ter mais de um caminho. Imagem: dan_wrench/iStock

Uma antiga ideia que ganhou novos argumentos

Proposta em 1809 pelo biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck, a teoria defendia que características adquiridas durante a vida de um organismo poderiam ser transmitidas aos descendentes.

Por muito tempo, essa hipótese perdeu espaço na biologia. Um dos experimentos mais conhecidos nesse debate foi realizado pelo pesquisador alemão August Weismann, que removeu as caudas de ratos adultos por várias gerações para verificar se a alteração seria herdada pelos filhotes.

Como os descendentes continuaram nascendo com cauda, o resultado foi interpretado como uma evidência contra a ideia de que mudanças adquiridas durante a vida seriam transmitidas diretamente às próximas gerações.

O lamarckismo, tal como entendido na época, previa que a prole deveria nascer sem cauda; por isso, durante muitos anos, os livros didáticos de biologia apresentaram a teoria de Lamarck como uma hipótese categoricamente refutada.

Pim Edelaar, Professor Visitante da Divisão de Biodiversidade e Evolução na Universidade de Lund, no artigo.

A seleção natural proposta por Charles Darwin se tornou a principal explicação para a evolução. Segundo essa teoria, indivíduos com características favoráveis têm maiores chances de sobreviver e deixar descendentes, fazendo com que essas características se tornem mais comuns ao longo do tempo.

Pequenos seres vivos desafiam antigas certezas


Para Edelaar, novas pesquisas mostram que alguns organismos conseguem transmitir respostas desenvolvidas a partir da interação com o ambiente.

Um dos exemplos vem do verme microscópico C. elegans. Quando exposto a situações como infecções, falta de alimento ou temperaturas extremas, o animal produz pequenas moléculas de RNA que ajudam a ajustar o funcionamento de seus genes.

Essas moléculas podem ser transferidas aos descendentes, permitindo que eles apresentem respostas mais eficientes diante de determinados desafios logo no início da vida.

Outros estudos encontraram fenômenos semelhantes em diferentes espécies:

  • Plantas de arroz podem desenvolver resistência ao frio por alterações químicas associadas aos genes;
  • Bactérias e animais apresentam formas de adaptação que podem ser transmitidas;
  • Orcas passam habilidades de caça aprendidas entre gerações;
  • Corais estudados em laboratório podem desenvolver maior resistência ao calor.

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Esses exemplos mostram que algumas características adquiridas podem, sim, influenciar gerações futuras, algo que se aproxima de uma das ideias centrais do Lamarckismo.

“Isso ocorre por meio da herança de moléculas semelhantes ao DNA, chamadas de pequenos RNAs (ácidos ribonucleicos)”, explica o professor.

Silhuetas de vários humanos evoluindo com o passar do tempo
Genes e ambiente: a ciência investiga como características adquiridas podem influenciar descendentes. – Imagem: ZCOOL HelloRF/Shutterstock

Darwin e Lamarck podem atuar juntos

A retomada dessas descobertas não significa que Darwin estava errado. A proposta defendida por Edelaar é que os dois mecanismos podem funcionar de forma complementar.

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A seleção natural continua sendo fundamental para explicar a evolução da maioria dos seres vivos. Já a transmissão de respostas adquiridas pode representar uma camada adicional para entender como algumas espécies lidam com mudanças ambientais.

Esse novo olhar pode ter aplicações práticas. Na agricultura, compreender esses mecanismos pode ajudar no desenvolvimento de plantas mais resistentes. Na conservação ambiental, pesquisadores estudam formas de aumentar a capacidade de adaptação de espécies ameaçadas, como os corais, diante do aumento das temperaturas dos oceanos.

A ideia central é que a evolução pode ser mais complexa do que uma simples disputa entre Darwin e Lamarck. Para a ciência atual, diferentes processos podem atuar juntos para explicar como a vida se transforma ao longo do tempo.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.




[Fonte Original]

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