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domingo, julho 26, 2026

Com Lula e Alckmin, PT oficializa Haddad ao governo de SP e nacionaliza disputa

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O PT de São Paulo oficializou neste sábado (25) a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao governo paulista, durante a convenção estadual do partido, em Campinas (SP). Com a presença do presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o evento ganhou um caráter nacional, com críticas ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), ao bolsonarismo e ao tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump a produtos brasileiros Nos discursos, foi reforçado o mote “Lula lá e Haddad aqui”, vinculando a disputa estadual à presidencial.

Nos discursos feitos por Haddad e aliados na convenção, foram reforçadas também críticas à gestão do governador e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversário do petista. A privatização da Sabesp, as concessões na área de transportes, de linhas de trens e do metrô, e problemas na área de segurança, como o feminicídio, crime organizado e roubo de celulares, foram alvos de críticas e reclamações durante o evento partidário.

A candidatura de Haddad terá uma chapa com três ex-candidatos à Presidência e um ex-governador. Na vice, está o ex-ministro e ex-governador Márcio França (PSB). Na disputa pelo Senado, estão as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que, assim como o petista, já disputaram a Presidência. Ex-ministro da Fazenda, Haddad terá o apoio de sete partidos: PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, Rede e Psol. A coligação deve render ao petista cerca de 30% do tempo da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Ao discursar, Haddad comparou a disputa em São Paulo à eleição presidencial de 2022, quando Lula derrotou o então presidente Jair Bolsonaro (PL), e criticou o bolsonarista. “Chegou a hora de fazer o mesmo trabalho no Estado de São Paulo”, disse. O petista ironizou a busca de apoio de Tarcísio e de Flávio em relação ao presidente da Argentina, Javier Milei, que participa neste sábado da convenção nacional do PL, na capital paulista, ao lado do governador de São Paulo e do presidenciável do PL. O candidato do PT criticou ainda os ataques feitos por Flávio Bolsonaro às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral brasileiro, e disse que aliados do senador estão discutindo “até se mulher tem direito a votar ou não”.

“Qual é a disputa que a gente faz hoje com o Tarcísio? O que é possível disputar com ele, se tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado?”, disse Haddad. “O que nós estamos disputando? Disputando o que com o Tarcísio? Dar uma medalha pro Milei, que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro pra população da Argentina comer? O que nós estamos disputando? A qualidade da urna eletrônica brasileira, que é invejada no mundo inteiro… E esses caras estão até hoje falando da urna eletrônica, que deu a vitória para o Bolsonaro em 2018, que deu a vitória para o Tarcísio em 2022”, afirmou..

Ex-ministro da Fazenda do governo Lula, o petista fez um balanço de ações na economia e afirmou que o Estado tem crescido abaixo da média nacional. “O Estado de São Paulo cresceu 0,4% contra 2% da média nacional, contra 5% do estado do Rio de Janeiro. Como que um estado pode estar feliz crescendo um quarto do que cresce um país? Não é possível manter esse estado altivo, com esperança de um futuro melhor, com essa taxa de crescimento.” Haddad fez comparações também de ações do governo federal com as do governo estadual nas áreas de educação e segurança para criticar a administração de Tarcísio, e questionou a forma como foi conduzida a privatização da Sabesp e a concessão de linhas de trem e metrô em São Paulo.

“Nosso papel é liderar uma campanha cívica para restituir São Paulo para os paulistas. Não é possível que São Paulo fique abandonado dessa maneira”, disse Haddad.

Temor do uso da IA nas eleições

Em uma crítica indireta ao governo dos Estados Unidos, Lula afirmou que não aceitará interferências externas nas eleições brasileiras. “Que ninguém de fora venha meter o dedo nas nossas eleições”, afirmou, defendendo a soberania nacional.

Sem citar diretamente os Bolsonaros, Lula disse temer pelo mau uso da inteligência artificial por seus adversários, para atacar o PT nas eleições. “Nossos adversários vão trabalhar muito nas redes sociais com inteligência artificial para inventar coisas que não somos e não fizemos. A base da sustentação deles é mentira”, afirmou o presidente. Em outros momentos do discurso, o presidente e pré-candidato à reeleição voltou a falar sobre seu temor de que os adversários usem a IA para atacá-lo.

Lula creditou a Haddad as principais conquistas econômicas de seu governo e disse que o petista, se eleito, poderá fazer com que o Estado cresça mais. O presidente criticou ainda Tarcísio.

Ao discursar, Geraldo Alckmin atacou diretamente o bolsonarismo e disse que o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro será derrotado nestas eleições. “Quero dizer que o Brasil já viu o bolsonarismo escancarado, com Flávio o bolsonarismo é encurralado. Aqui em São Paulo o bolsonarismo é envergonhado, mas o que o povo quer é o bolsonarismo derrotado”, disse. Ex-governador de São Paulo por quatro mandatos, Alckmin também criticou as concessões e privatizações da gestão Tarcísio, como a desestatização da Sabesp, e comparou indicadores de segurança de São Paulo com o do Brasil, para apontar problemas do atual governo paulista. “Vamos ganhar a eleição porque São Paulo não quer a prepotência e a arrogância.”

Alckmin exaltou ainda as ações de Haddad no Ministério da Fazenda, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos por mês.

Candidata ao Senado na chapa, a ex-ministra Simone Tebet reforçou o mote de “Lula lá e Haddad aqui”, e alertou os militantes sobre dificuldades nas eleições, na disputa contra o bolsonarismo.

“Não podemos nos enganar. 2022 não passou. Estamos enfrentando os mesmos desafios do passado. Mais um golpista de plantão, tal pai tal filho, já começou questionando as urnas, já sentiu o cheiro da derrota”, afirmou, em referência à Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Tebet afirmou que a centro-esquerda precisa buscar os eleitores indecisos e independentes, que devem ter papel decisivo nas eleições deste ano. “Não podemos dormir, não podemos descansar. Vamos buscar os votos dos indecisos, independentes. Não vamos perder tempo com a direita. Vamos virar esse jogo. Não tem eleição ganha como não tem eleição perdida”, disse a ex-ministra, que defendeu no fim do discurso o fim da jornada 6×1.

Também candidata ao Senado na chapa de Haddad, a ex-ministra Marina Silva criticou a privatização da Sabesp e disse que “o básico” em São Paulo tem sido tratado como mercadoria. “Água não é mercadoria. A privatização da Sabesp está sendo um prejuízo para a população de São Paulo”.

Marina também fez críticas à família Bolsonaro por defender ações dos Estados Unidos contra o Brasil. “Não é possível ter um presidente da República que articula contra o Brasil, que vai atrás de taxação que prejudica o país. Essas pessoas estão fazendo mal ao povo, à nação. Não é possível abrir mão da democracia, da soberania, do combate às mudanças climáticas”, afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçou o coro contra o governo de Donald Trump por medidas como as sobretaxas a produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, e vinculou a família Bolsonaro ao tarifaço. Edinho defendeu ainda a indústria de São Paulo e fez acenos a empresários e ao eleitorado do interior.

“O Estado de São Paulo há muito deseja um projeto de desenvolvimento que considere o interior, a diversidade do Estado. O povo paulista quer um governador que defenda a indústria paulista. Não um governador que não tem coragem para defender São Paulo quando Trump taxe”, afirmou o dirigente nacional do PT. “Estamos vendo o ódio tomando conta do povo brasileiros. Vendo políticos indo aos Estados Unidos oferecendo o Brasil, recursos naturais, o patrimônio do nosso povo”, disse. “Queremos um líder que defenda o povo brasileiro, nosso país, a soberania Temos o maior líder do mundo democrático, Lula”.

Ao fazer as campanhas casadas de Lula e Haddad, o PT tenta garantir um palanque forte para Lula no maior colégio eleitoral do país. Uma das principais bandeiras de Haddad deve ser a exibição dos investimentos do governo Lula em São Paulo, com recursos federais destinados a obras da gestão Tarcísio como o túnel Santos-Guarujá, o trem intercidades e a expansão do metrô, em uma “disputa de paternidade” com o governador.

Ex-ministro da Fazenda, Haddad resistiu a ser candidato, mas foi convencido por Lula para ajudá-lo a ter uma votação expressiva no Estado. Em 2022, quando concorreu ao governo paulista contra Tarcísio, o ex-ministro deu ao PT o melhor resultado eleitoral de sua história no Estado e ajudou a puxar votos para Lula – e diminuir a vantagem em São Paulo do então presidente Jair Bolsonaro em relação ao candidato presidencial do PT. Em 2018, Bolsonaro venceu no segundo turno no Estado por uma diferença de cerca de 8 milhões de votos em relação a Haddad, então presidenciável petista. Em 2022, Bolsonaro ganhou, mas com uma margem menor, de 2,69 milhões de votos.

A campanha de Haddad tenta minimizar a resistência enfrentada pela centro-esquerda no interior do Estado, mais conservador. Em 2022, o petista venceu na região metropolitana da capital, mas perdeu no interior. Em uma sinalização ao eleitorado fora da capital e da região metropolitana, o PT escolheu a cidade de Campinas, com o maior número de eleitores do interior paulista (870,6 mil eleitores), para sediar a convenção estadual e dar largada oficial à disputa no Estado.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ex-ministro Fernando Haddad — Foto: Edilson Dantas/O Globo

[Fonte Original]

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