Lançado pelas Edições Sesc, o livro Desejos em revolução: Homossexualidade e mudanças políticas traz ao leitor brasileiro uma coletânea inédita, em português, de textos clássicos do debate político sobre gênero e sexualidade no século 20.
Coorganizado pelo advogado, ativista e professor de Direito da Universidade Federal de São Paulo, Renan Quinalha, e pelos historiadores James Green e Augusta da Silveira Oliveira, o livro busca aprofundar o debate contemporâneo sobre marxismo e homossexualidade, além de problematizar como os grandes projetos políticos da modernidade encararam a diversidade sexual e o desejo.
“Todos os grupos do espectro político que tentaram mudar o mundo colocaram o desejo no centro do seu programa político. Em geral, não de maneira positiva”, explica Renan Quinalha. “Nós fomos perseguidos pelos campos de trabalho forçado em Cuba, pelo stalinismo na União Soviética, pelo fascismo italiano de Mussolini, pelo nazismo, pelo franquismo…”
Para Quinalha, embora esquerda e direita não possam ser equiparadas — já que foi no campo da esquerda que se abriram disputas em torno das pautas da diversidade sexual —, a história do século 20 foi marcada tanto por perseguições quanto pela força da luta LGBTQIA+, evidenciando sua importância para que as noções de desejo e prazer sejam asseguradas como um horizonte civilizatório.
Segundo ele, a importância do livro está justamente em contribuir para recompor essa memória da comunidade LGBTQIA+, “porque a maior violência que foi cometida contra a nossa comunidade foi o apagamento do nosso passado”.
“Restituir uma história para a nossa comunidade, por meio de uma memória politicamente comprometida, é fundamental para pensarmos historicamente as questões do presente: como elas retrocedem; que disputas dão ritmo à história… Isso é ainda mais importante em um contexto global de avanço da extrema direita e de uma onda transnacional anti-LGBT, sobretudo anti-trans”, conclui.