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Um artefato arqueológico com poderes místicos, uma conspiração nazista em 1941, em Nova York, que pretende usar esse poder para a causa do Terceiro Reich e um homem que precisa correr contra o tempo para impedir o pior. Sim, poderia ser uma história da franquia Indiana Jones, que basicamente criou o subgênero do arqueólogo aventureiro que caça relíquias sobrenaturais, mas The Peril of the Brutal Dark (eu deixei o título em inglês mesmo, pois não houve ainda publicação no Brasil, mas a tradução direta seria algo como O Perigo da Escuridão Brutal), que promete ser a primeira minissérie protagonizada por Ezra Cain, em uma estrutura semelhante à de Criminal, só que por Chris Condon (da recente News from the Fallout) e Jacob Phillips (não coincidentemente filho de Sean Phillips), em nova parceria após That Texas Blood, não conta com chapéu fedora, chicote e nem com um arqueólogo propriamente dito, além de circunscrever a ação a apenas uma cidade.
Mas o trabalho da dupla criativa é, como Indiana Jones ou sua contrapartida feminina Lara Croft, muito divertido dentro do território já bastante familiar que essa premissa evoca, com Ezra Cain sendo um piloto veterano da Primeira Guerra Mundial que, apesar de ter estudado arqueologia com um renomado professor, acabou tornando-se policial e, depois, investigador particular. Contratado pelo Museu de História Natural para localizar o paradeiro da Bigorna de Hefesto que fora transportada da Grécia para Nova York antes de o país ser tomado pelo Eixo, Ezra envolve-se na referida conspiração nazista que logo toma proporções assustadoras, ainda que do tipo “já vi isso antes”. Condon esforçar-se para dar a seu protagonista um passado rico, como herói de guerra, policial desgostoso com seus colegas e detetive calejado, mas tudo o que ele consegue é criar um personagem que é uma fusão dos clichês mais comuns do gênero, o que não em si ruim, mas que não consegue empolgar muito, especialmente porque as características extras dele, ou seja, a atmosfera noir e seu lado arqueólogo são também tropos bastante conhecidos.

A aventura em si, que envolve muita pancadaria, mortes, acusações, lutas e perseguições automobilísticas e, mais para a frente, no clímax, um sobrevoo pela cidade, é a típica diversão descompromissada que funciona, mas que não deixa o leitor de boca aberta, seja pelo roteiro, seja pela arte naturalista de Phillips que, como seu pai, tem traços mais “rudes” que combinam bem com o tipo de história sendo contada. Novamente, não é que Condon e Phillips não façam bons trabalhos, mas eles são apenas isso, “bons”, não particularmente empolgantes ou inovadores. Ezra Cain e toda a ambientação ao seu redor é a amálgama do que já conhecemos bem, sem que o resultado final seja um conjunto diferenciado, que consiga mesclar os clichês de tal forma a criar algo fora dos padrões como se espera de obras mais autorais de quadrinhos.
Claro que, pelo menos para mim, a premissa é imediatamente atraente. Não só adoro Indiana Jones, como, em outra vida, tenho certeza de que fui arqueólogo ou, talvez, paleontólogo, pelo que artefatos místicos que são desencavados e causam o terror no mundo moderno é uma tentação para mim. Ezra Cain funde o detetive noir como o arqueólogo aventureiro e Condon e Phillips parecem prometer, pelo que vemos na última página. mais aventuras na mesma toada para ele e eu sei que, mesmo não tendo achado The Peril of the Brutal Dark nada fora do comum, eu sei que serei o primeiro a ler o próximo “mistério” do personagem se a série continuar pela Vertigo Comics. Sinto falta do chicote e do chapéu fedora, não tenham dúvida, mas eu me contento com sobretudo, cigarro e revólver também.
The Peril of the Brutal Dark: An Ezra Cain Mystery (EUA, 2026)
Contendo: The Peril of the Brutal Dark: An Ezra Cain Mystery #1 a 6
Roteiro: Chris Condon
Arte: Jacob Phillips
Letras: Hassan Ostmane-Elhaou
Editoria: Matthew Levine, Chris Conroy
Editora: Vertigo Comics (DC Comics)
Datas originais de publicação: 25 de fevereiro, 25 de março, 22 de abril, 27 de maio, 24 de junho e 22 de julho de 2026
Páginas: 176