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quinta-feira, julho 16, 2026

Etanol deve ter aumento de consumo de 17% neste mês, diz pesquisa

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O consumo de etanol deve aumentar em julho e em agosto, segundo levantamento da Argus com as principais distribuidoras do país. Conforme a consultoria, índices favoráveis da economia, como aumento dos níveis de emprego e renda em relação a iguais meses de 2025, devem impulsionar as vendas do combustível.

As projeções indicam aumento de 17% do consumo de etanol em julho e de 19% em agosto. Os cálculos foram feitos antes do anúncio de aumento da mistura de etanol na gasolina, anunciado na terça-feira (14).

Para a Argus ainda é cedo para avaliar, porém, se o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, aprovado na terça, poderá fazer com que as vendas do produto cresçam ainda mais neste mês e no próximo.

“Por enquanto, ainda é difícil vermos a medida impactando na bomba. Ainda deve demorar para o efeito chegar ao consumidor”, disse Maria Albuquerque, responsável por precificação de diesel da Argus.

Segundo a especialista, no Estado de São Paulo, referência para o perfil de consumo dos combustíveis, o etanol tem sido mais atrativo do que a gasolina desde setembro de 2018. “Isso é o que chamamos de paridade média. É a conta feita pelos motoristas que têm carros flex para avaliar qual combustível compensa mais, entre gasolina e etanol.”

No diesel, Albuquerque diz que o volume consumido em julho e agosto deve ficar estável de um mês para o outro, em cerca de 6,3 milhões de metros cúbicos. O mercado de diesel tem sido pressionado pelo aumento da margem de refino internacional, como resultado da guerra no Oriente Médio e pela decisão da Rússia de suspender exportações.

Nesta quarta-feira (15), a Petrobras disse que o cenário deve pressionar o mercado de diesel global e impactar o Brasil. Em nota ao Valor, a estatal afirma que, embora não compre diesel russo, reconhece que o país é importante fonte de suprimento para o Brasil, importador líquido do combustível. “A redução dessa oferta tende a aumentar a competição pelos volumes disponíveis no mercado internacional e elevar o custo das importações de outras origens, principalmente do Golfo dos Estados Unidos.”

O maior consumo do etanol se destaca pela maior competitividade do biocombustível em relação à gasolina na comparação anual, segundo a Argus. Já a gasolina deve ter volume de consumo estável em julho, em comparação a igual mês de 2025, e queda de 1% em agosto. No caso do diesel, as estimativas são guiadas pela perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) e o desempenho de setores intensivos no consumo. O consumo de diesel deve apresentar queda anual de 1,4% em julho e alta de 3,8% em agosto, segundo a Argus.

De janeiro a junho, o preço médio do etanol no Brasil caiu 10,02%, de R$ 4,59 para R$ 4,13, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na semana de 5 a 11 de julho, o preço do combustível recuou ainda mais, conforme a agência, para R$ 4,06.

No caminho oposto, a gasolina comum ficou mais cara, segundo a ANP, um aumento de 4,74%, saindo de R$ 6,32 em janeiro para R$ 6,62 em junho na média do país. Na semana de 5 a 11 de julho, a gasolina recuou para R$ 6,58.

Além dos preços, os dados de mercado de trabalho também favorecem o cenário, segundo a Argus. No trimestre encerrado em abril, a taxa de desemprego alcançou 5,8%, queda de 0,8 ponto percentual em comparação a igual período de 2025, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua.

A renda média dos trabalhadores avançou 0,3% no trimestre móvel encerrado em abril, ante o trimestre móvel anterior (encerrado em janeiro) para R$ 3.732. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve alta de 5,3%.

As projeções indicam aumento de 17% do consumo de etanol em julho e de 19% em agosto — Foto: Liza Sigareva/Pexels

[Fonte Original]

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