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segunda-feira, julho 6, 2026

Exclusivo: Guerra ameaça provocar crise bancária ‘explosiva’ na Rússia

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A Rússia corre o risco de enfrentar uma crise bancária “explosiva”, uma vez que as instituições financeiras estão arcando com grande parte do peso da economia de guerra do país. O alerta consta em um relatório de inteligência de um governo europeu, ao qual a Reuters teve acesso, num momento em que a União Europeia prepara uma nova série de sanções.

O documento de duas páginas, elaborado nas últimas semanas para informar autoridades europeias sobre a situação dos bancos russos, descreve a vulnerabilidade dessas instituições a novas restrições do Ocidente. Embora os bancos russos tenham, em grande parte, resistido às sanções impostas desde a invasão em larga escala da Ucrânia por Moscou em 2022, o relatório de junho aponta que a deterioração da qualidade dos empréstimos e o crescente endividamento das famílias criam um risco “explosivo”.

Este cenário surge justamente quando a UE prepara seu 21º pacote de sanções — com previsão de conclusão para julho — visando bancos e redes de criptomoedas.

O Banco Central da Rússia não quis comentar a avaliação, embora tenha minimizado recentemente os riscos de uma grande crise bancária.

Com o custo de uma guerra de quatro anos contra a Ucrânia drenando os cofres públicos, a Rússia tem recorrido cada vez mais aos bancos para apoiar empresas e tomadores de crédito. O relatório afirma que essa prática sobrecarregou os bancos com riscos, num momento em que a economia cambaleia. O Ministério da Economia reduziu sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 0,4% em 2026 (ante a estimativa anterior de 1,3%) e para 1,4% em 2027 (ante 2,8%).

O relatório de inteligência, intitulado “Nota sobre a probabilidade de uma crise bancária na Rússia em 2026”, afirma que os bancos foram pressionados a conceder empréstimos subsidiados a empresas do setor de defesa, compradores de imóveis e outros segmentos. O documento ressalta que programas de crédito com garantia estatal, renegociações de dívidas e o apoio do governo mascararam a vulnerabilidade dos bancos.

“A situação cria a ilusão de uma economia dinâmica que, na realidade, esconde um cenário explosivo, o qual poderia ser desencadeado por um choque econômico — como um pacote ambicioso de sanções contra os bancos…”, diz o relatório.

Segundo os autores, a concessão de crédito a empresas de defesa, projetos regionais apoiados pelo Estado e proprietários de imóveis aumentou o volume de empréstimos que talvez nunca sejam quitados. O relatório estima que 10% dos empréstimos corporativos são de difícil recuperação — um aumento acentuado em relação a 2024 —, enquanto alguns grandes bancos relataram índices de inadimplência no varejo de até 15% em 2025.

O documento também aponta que mais de 500 mil russos declararam falência em 2025, um aumento de quase um terço em relação ao ano anterior, ao mesmo tempo em que programas estatais incentivaram mais de 13 milhões de russos a contrair pelo menos três empréstimos simultaneamente.

O vice-presidente do Banco Central da Rússia, Filipp Gabunia, afirmou no mês passado que “as vulnerabilidades no setor financeiro não são críticas”, ressaltando que a reserva de capital dos bancos estava no nível mais alto em três anos, enquanto a taxa de inadimplência corporativa permanecia estável em 4% há um ano e meio.

“A economia da Rússia está estagnada, mas o domínio do Estado e os gastos com defesa significam que não há uma crise financeira iminente à vista”, disse Chris Weafer, especialista em Rússia da consultoria Macro Advisory.

“A Ásia ignora as sanções. Portanto, a ideia de que uma nova rodada levará a Rússia a uma crise é pura ilusão”, afirmou ele, acrescentando que os gastos com defesa mantêm o desemprego baixo e os salários elevados.

A União Europeia impôs sanções abrangentes à Rússia na tentativa de sufocar os lucros bancários, as movimentações financeiras internacionais, as vendas de petróleo e gás e o setor de defesa. A Rússia enfrentou dificuldades, mas mostrou-se amplamente resiliente, enquanto a Europa frequentemente encontrou obstáculos para fazer cumprir as sanções, na ausência de uma autoridade central para essa finalidade.

Agravando as dificuldades da Europa, os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, flexibilizaram algumas sanções, concedendo anteriormente uma autorização temporária para a venda de petróleo russo — embora essa permissão tenha expirado em meados de junho.

Diplomatas europeus discutem agora a imposição de sanções a bancos e redes de criptomoedas, bem como à produção de drones e a comerciantes e refinadores de petróleo. Essa medida incluiria dezenas de indivíduos e entidades na lista de sanções, incluindo quase 90 bancos, elevando para mais de 100 o número de instituições financeiras sancionadas — o que representa mais da metade dos bancos do país com conexões internacionais.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou recentemente que a Rússia prosseguiria com seu objetivo militar de conquistar totalmente quatro regiões ucranianas, apesar das sanções, rejeitando o que descreveu como uma nova proposta da Ucrânia para conter as hostilidades. Putin também disse que a Rússia aguardava a retomada dos esforços diplomáticos liderados pelos EUA para encerrar a guerra, uma vez resolvida a “fase quente” do conflito entre EUA e Israel e o Irã.

Há sinais de pressão crescente. O VTB, segundo maior banco da Rússia, planeja reforçar suas reservas — conforme informou seu primeiro vice-presidente executivo à Reuters na sexta-feira (3) — para se proteger contra a alta dos preços dos combustíveis e possíveis perdas com empréstimos.

O volume de dinheiro em espécie mantido fora dos bancos cresceu mais de 17% em relação ao ano anterior, ultrapassando 19 trilhões de rublos (US$ 243 bilhões) até o momento neste ano, segundo dados do Banco Central. Essa situação tem pressionado os bancos que dependem de depósitos para financiar suas operações de crédito.

“Todos os grandes bancos já estão sob sanções… e, quando elas foram impostas em 2022, houve tensão”, disse à Reuters Taras Skvortsov, diretor financeiro do Sberbank, o maior banco da Rússia. “Com o passar do tempo, até 2026, todos se acostumaram com isso. Muitos clientes dos bancos sancionados sequer sabem da existência das sanções.”

Agência do Sberbank, o maior banco da Rússia — Foto: Milan Jaros/Bloomberg

[Fonte Original]

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