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sexta-feira, julho 17, 2026

Juros futuros avançam pressionados por leilão do Tesouro e exterior

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Os juros futuros encerraram em alta nesta quinta-feira (16), em um movimento de correção após o forte alívio das últimas sessões e em meio ao leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que contou com uma oferta mais robusta.

Os vencimentos intermediários lideraram a alta, refletindo tanto o impacto da oferta do Tesouro quanto o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), após os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos virem abaixo do esperado e reforçarem a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 oscilava de 13,89%, do ajuste de ontem, para 13,875%; a do DI de janeiro de 2028 subia de 13,85% a 13,910%; a do DI de janeiro de 2029 avançava de 14,03% a 14,095%; e a do DI de janeiro de 2031 tinha alta de 14,245% para 14,295%.

O Tesouro ofertou 23 milhões de LTNs e 2,65 milhões de NTN-Fs em leilão, com venda praticamente integral, resultado considerado forte por operadores. Segundo uma fonte, a abertura dos juros foi predominantemente técnica, refletindo o tamanho da oferta e os ajustes de posição dos participantes, sem indicar uma mudança na percepção sobre o cenário macroeconômico.

Para um gestor de renda fixa, falando sob anonimato, os dados mais fracos de inflação, atividade e mercado de trabalho no Brasil provocaram um forte alívio nos juros futuros nos últimos pregões. Nesta quinta, porém, a curva passou por um movimento de correção, em um ambiente macroeconômico ainda desafiador, marcado pelas incertezas fiscais e eleitorais.

Sem grandes direcionadores locais, os investidores seguiram atentos ao exterior.

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos somaram 208 mil, o que representou queda de 8 mil pedidos em relação à leitura revisada da semana anterior e ficou abaixo da estimativa de alguns analistas, de 218 mil pedidos. O dado reforçou a percepção de que a economia americana segue resiliente e pressionou a curva de juros dos Treasuries. O rendimento da T-note dois anos subiu de 4,143% para 4,158 %, enquanto o do título de dez anos avançou de 4,555% para 4,559 %.

Apesar de o mercado ainda apostar majoritariamente na manutenção dos juros na reunião deste mês, aumentaram levemente as expectativas de alta em setembro. Segundo dados compilados pelo CME Group, os investidores passaram a precificar 46,9% de probabilidade de que o Federal Reserve (Fed) eleve os juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4%, acima dos 43,9% registrados ontem, quando os dados do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) abaixo do esperado provocaram um alívio nos ativos globais

Para além das incertezas geopolíticas envolvendo a guerra no Oriente Médio, os últimos dados do mercado de trabalho americano, por meio do “payroll”, e da inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) apontam para um cenário em que o Federal Reserve (Fed) pode postergar uma nova alta dos juros, na avaliação do sócio e economista-chefe da Meraki Capital, Rafael Ihara.

“Apesar de ter tido revisão da criação de empregos, o salário está em uma dinâmica bem-comportada e, já nessa última divulgação do ‘payroll’, houve arrefecimento”, destaca o executivo.

“É razoável o [presidente do Fed, Kevin] Warsh defender a meta de inflação, mas minha impressão é que, para isso, não precisa apertar mais a política monetária americana. Ele diz que não quer dar nenhum ‘guidance’ [orientação] e que os dados guiam o mercado. E o CPI e o ‘payroll’ estão numa direção na qual o Fed gostaria”, diz Ihara.

Nesse cenário, o economista cita uma entrevista recente do presidente do Fed de Nova York, John Williams, na qual ele afirmou que a política monetária está bem posicionada para conduzir a inflação de volta à meta de 2%.

“O Williams disse que, para ele, o patamar do núcleo do CPI seria de 0,2% ou abaixo disso, e foi alcançado esse valor. Temos que ver as próximas leituras. Acredito muito que há uma chance razoável de tanto emprego quanto inflação mostrarem uma dinâmica mais benigna, que será suficiente para postergar uma alta de juros”, completa.

[Fonte Original]

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