Durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara, na Turquia, Trump voltou nesta semana a defender que os EUA assumam o controle da Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca, argumentando que isso é importante para a segurança nacional americana.
No campeonato de caiaque realizado no porto de Nuuk, onde competidores executavam manobras de rolamento na água, virando seus caiaques de cabeça para baixo e depois retornando à posição normal, espectadores disseram que Trump está mais interessado nos recursos naturais da ilha do que na vontade de seus habitantes.
“Ele só pensa em commodities e petróleo”, disse Frederik Larsen, de 72 anos, aposentado nascido na Groenlândia. “Acho que podemos viver sem ele.”
A professora da rede pública Birgithe Geisler, de 60 anos, afirmou que a Groenlândia pertence aos groenlandeses. “Ninguém mais deve decidir por nós”, disse.
Hans David Ezekiassen, instrutor do Centro Marítimo da Groenlândia, foi ainda mais direto. “Acho uma merda, para dizer o mínimo”, afirmou. “Ele nem consegue controlar o próprio país, então por que precisa tentar assumir o controle de outros?”, prosseguiu.
Andy Thon, de 49 anos, engenheiro americano e integrante da organização Qajaq USA, que participava do campeonato e visitava a Groenlândia vindo dos Estados Unidos, disse que a ilha já está em um processo de conquista de maior autonomia em relação à Dinamarca.
“Com a Dinamarca, eles estão caminhando rumo à autonomia plena, e os Estados Unidos não precisariam da Groenlândia como ponto estratégico se estivessem tratando bem seus aliados”, afirmou.
As declarações de Trump provocaram novas reações contrárias de líderes da Dinamarca e da Groenlândia. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta quarta-feira que os repetidos apelos para assumir o controle da ilha não mudam o fato de que a Groenlândia não está à venda.