A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA, na sigla em inglês) finalmente está utilizando o modelo de IA Mythos, da Anthropic, para buscar vulnerabilidades que poderiam causar um impacto sério em agências governamentais e empresas privadas, de acordo com uma reportagem da Reuters.
A Forbes já havia noticiado que a agência americana não tinha acesso aos modelos da Anthropic ou da OpenAI, que se mostraram altamente eficazes em encontrar falhas e explorá-las sem a necessidade de intervenção humana. A Anthropic limitou o acesso ao Mythos a parceiros selecionados, e a CISA não estava na primeira leva de quase 50 organizações.
Agora, no entanto, conforme confirmado à Forbes por um funcionário anônimo da CISA, alguns membros da equipe de Avaliação de Superfície de Ataque vêm utilizando a ferramenta para escanear códigos do governo armazenados no GitHub. A Reuters, citando três pessoas familiarizadas com o assunto, relata que a CISA descobriu um “grande número” de vulnerabilidades.
Os departamentos governamentais precisam usar IA para reforçar a segurança cibernética, mas tiveram que equilibrar isso com o braço de ferro da Casa Branca com a Anthropic.
No início deste ano, a Anthropic se recusou a fornecer IA ao Pentágono para uso em vigilância em massa, irritando o governo Trump a ponto de declará-la uma ameaça à cadeia de suprimentos, o que, na prática, a cortou de fazer negócios com o governo.
No mês passado, a Casa Branca ordenou que a Anthropic interrompesse as vendas externas de seu novo modelo Fable — uma versão blindada do Mythos — devido a preocupações sobre o uso ofensivo da ferramenta.
Não está claro como agências como a CISA conseguiram permissão para usar o Mythos. Nem a Anthropic nem a agência americana responderam aos pedidos de posicionamento.
O uso da ferramenta pela CISA mostra que há uma forte disposição para garantir que o governo não fique para trás na corrida da IA.
Outras nações, principalmente a China, estão desenvolvendo rapidamente inteligência artificial capaz de hackear melhor e mais rápido do que muitos operadores humanos.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com