Com nota de 97% no popcornmeter verificado do Rotten Tomatoes e sucesso comercial contínuo nas bilheterias, “A Odisseia”, de Christopher Nolan, virou uma espécie de fenômeno do entretenimento. Sem surpresa, o filme despertou o interesse imediato de golpistas e outros agentes maliciosos que querem lucrar com sua popularidade.
Stefan Dasic, engenheiro sênior de pesquisa de malware do Malwarebytes Labs, emitiu um alerta depois de analisar ameaças voltadas especificamente a quem procura cópias piratas ilegais do longa. “O malvertising (publicidade online usada para espalhar malware) ligado à pirataria e os droppers de filmes falsos persistem porque não precisam ser sofisticados”, disse Dasic. “Eles só precisam de um título popular o bastante para garantir tráfego de busca.” E “A Odisseia” é exatamente isso. “Se você está baixando um filme e ele pede que você instale alguma coisa, conserte seu navegador ou execute um .exe”, concluiu Dasic, “você quase certamente não está recebendo um filme. Você está baixando um software que pode infectar seu computador.”
Golpes com a pirataria
A velocidade com que essas ameaças surgiram não chega a levantar sobrancelhas, para ser sincero: afinal, a expectativa em torno de “A Odisseia” vinha crescendo havia um bom tempo. Tempo mais do que suficiente para que os agentes de ameaça se preparassem, e é por isso que o Malwarebytes Labs conseguiu descobrir dois golpes literalmente poucas horas depois da estreia do filme.
Embora você possa ter motivos para não se comover com a sina de quem procura um download pirata e ilegal, o fato é que muita gente segue esse caminho para chegar aos últimos lançamentos do entretenimento.
Assim, os golpistas estão tirando o máximo proveito do hype em torno do próprio filme e do desejo desses usuários de conseguir uma cópia gratuita o mais rápido possível. A ironia é que o que o Malwarebytes encontrou não foram arquivos de filme “infectados”; na verdade, nenhum filme pirata estava envolvido. Em vez disso, o que os atacantes faziam era “simplesmente se aproveitar de pessoas procurando por um lançamento popular”, segundo Dasic.
A lição aqui é que o ato de procurar downloads suspeitos de filmes pode ser tão perigoso quanto o próprio download em termos de risco de malware. “Os golpes envolvem falsos avisos do navegador e falsos downloads de filmes que na verdade são malware”, explicou Dasic, acrescentando que “baixar um arquivo com extensão .exe nunca é uma forma segura de assistir a um filme”.
Nas palavras do sargento Phil Esterhaus, de “Hill Street Blues” (“Chumbo Grosso”, em tradução para o Brasil), “vamos tomar cuidado lá fora”. Sei, por ter feito buscas simples por “A Odisseia”, e não especificamente por downloads piratas, que o malvertising está desenfreado no momento.
Vi vários links para o que parecem ser domínios legítimos sequestrados que oferecem versões piratas do filme. “Reconhecer que um ‘filme’ terminado em .exe nunca é realmente um filme continua sendo uma das verificações de segurança mais simples e eficazes que os próprios usuários podem fazer”, afirmou Dasic. Mas eu tenho um conselho ainda melhor: não clique em nenhum link para cópias piratas. Você sabe que é o mais sensato.