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- Há spoilers. Leiam, aqui, todas as nossas críticas do Universo Absolute.
Os dois primeiros arcos de Absolute Superman, compreendendo as 14 edições iniciais do Azulão desse novo e (às vezes, nem sempre) diferente universo alternativo criado a partir de Darkseid, funcionaram bem como uma sólida história de origem em que o resultado final é a autodescoberta de Kal-El e seu papel em seu planeta adotivo. Agora, sem Sol, a I.A. que o acompanhou desde bebê e estabelecido em uma Smallville sendo reconstruída algumas semanas depois dos eventos anteriores, nós o vemos angustiado fazendo de tudo para ajudar toda a humanidade, seja salvando vidas do outro lado do mundo, seja dando conforto à humanidade nas situações mais prosaicas, ou seja, sendo o Superman que conhecemos, mas ainda sem encontrar equilíbrio entre seu senso de dever e sua vida particular. Superman, aqui, é 100% devotado à causa humana e nada fica longe de seu escrutínio inegavelmente obsessivo e exaustivo até para ele e seus poderes quase infinitos.
As três edições iniciais do terceiro encadernado dão conta justamente dessa situação, abordando também as novas vidas de Lois Lane e Jimmy Olsen, agora desobrigados das agências que os empregavam e tentando viver vidas mais “normais”, com o jornalismo funcionando como uma espécie de âncora que os aproxima de suas personas clássicas, mas sem que Jason Aaron simplesmente siga o caminho mais viajado e os transforme em repórter e fotógrafo do Planeta Diário respectivamente. Há um quê de busca de razão de ser para esses dois importantes personagens também em um mundo com o Superman. Em paralelo, vemos o Superman fazendo o esforço supremo de converter ninguém menos do que o aprisionado Ra’s Al Ghul para o lado do bem, com o uso de um livro escrito pelas crianças afegãs cujos pais sofreram na mão dele, com resultado para lá de surpreendentes.
Como se isso não bastasse, vemos Brainiac tentando recrutar um pacato Lex Luthor para sua causa vilanesca, somente para encontrar um homem que só quer saber de sua idílica vida em família, o que leva a um daqueles momentos exagerados de violência extrema tão comum ao Absolute Batman que, sendo muito sincero, me incomoda simplesmente por ser uma tentativa de emular o fraco, mas sem dúvida chamativo, trabalho de Scott Snyder por lá. Espero que o resultado do que acontece nesse aspecto, pois ele se repete também na aparição do Parasita desse universo como um mega-kaiju que praticamente absorve toda a população de Metrópolis e só o poder da calma suprema do Superman, apesar de o Gavião Negro atazaná-lo até o limite, consegue derrotar.

O Gavião Negro, aliás, é um personagem muito interessante aqui, não posso deixar de elogiar. Ele é, até o momento, a única conexão viva entre meta humanos do passado do Universo Absolute com o ressurgimento deles agora com Superman, Batman, Mulher-Maravilha e demais. Ele ganha uma breve história de origem, diversas oportunidades de pancadaria que deixam bem claro que ele é extremamente poderoso, capaz de sair no tapa com o Superman sem maiores problemas, o que também me faz coçar a cabeça em descrédito, mas tem todo um arco evolutivo que o faz repensar em toda sua vida talvez lutando para o lado errado do bom e velho conflito entre o bem e o mal. A presença de Carter Hall serve também para ajudar a dar contexto ao ressurgimento de Rei Shazam, a versão Absolute do Adão Negro (e provavelmente também do Capitão Marvel, agora Shazam), há mais de três mil anos preso em uma Caixa Paterna em circunstâncias não completamente explicadas depois de surgir no Egito Antigo em uma história complicada que inclui uma profecia da Vingadora Fantasma que ele, quando garoto, achou que era direcionada a ele, mas que, na verdade, tinha relação com o Superman.
A entrada do Rei Shazam na história marca o segundo arco dentro do encadernado sob análise, com quatro das sete edições dedicadas à pancadaria titânica que segue e que conta com a chegada quase que aleatória de Aço na história, um homem comum com uma armadura e um martelo que ele mesmo diz que fez “em casa” e que consegue manter-se sem maiores problemas em uma luta que conta com Superman e Rei Shazam, dois dos mais poderosos personagens desse universo, não tenho dúvida, e do mais do que bombado Gavião Negro. Novamente, não gosto dessa facilidade toda, especialmente porque John Henry Irons é literalmente jogado na história sem maiores preocupações com contexto. E, sendo muito sincero, o embate principalmente entre Superman e Rei Shazam cansa. Longo demais, com consequências de menos e com Aaron caindo na armadilha que quase todos os roteiristas do Superman acabam caindo, ou seja, criando ameaças imensas para equilibrar os poderes imensos do Azulão no lugar de, especialmente em um universo zero quilômetro, colocar em xeque justamente o poder imenso do Superman.
Absolute Superman começa a mostrar sinais de desgaste e de girar o pneu sem sair do lugar. A arte – incluindo a cor – de Juan Ferreyra nas três primeiras edições dá um tom mais alegre e bonito à história, que combina com o “uniforme novo” do Superman, mas que combina menos com o tom da história escrita por Aaron, com o retorno de Rafa Sandoval para as quatro edições seguintes, com assistência de Vicente Cifuentes e cores de Ulises Arreola, retrocedendo um pouco nessa pegada e entregando belos, mas, em última análise, exaustivos visuais de extrema pancadaria. Sei que Absolute Batman está dando muito certo em termos de venda e até mesmo de críticas, mas eu espero muito que Absolute Superman não enverede de vez pelo caminho fácil e bobo que Snyder decidiu seguir com o Homem Morcego, em que tudo o que importa é o excesso pelo excesso. O Azulão tem uma oportunidade tremenda para ganhar uma nova mitologia que conserte problemas de décadas que ele precisa carregar no ombro e Aaron precisa entender que de Batman, chega o Batman.
Absolute Superman – Vol. 3: O Sem Fim Começa (Absolute Superman – Vol. 3: The Neverending Begins – EUA, 2026)
Contendo: Absolute Superman #15 a 21
Roteiro: Jason Aaron
Arte: Juan Ferreyra (#15 a 17), Rafa Sandoval (#18 a 21), Vicente Cifuentes (#20 parte)
Cores: Juan Ferreyra (#15 a 17), Ulises Arreola (#18 a 21)
Letras: Becca Carey
Editoria: Ash Padilla, Chris Conroy
Editora: DC Comics
Datas originais de publicação:
Páginas: 184