O uso intenso de drones pela Ucrânia na guerra contra a Rússia está fazendo a balança do conflito pender a favor de Kiev, por visar o principal ativo do regime do ditador Vladimir Putin para financiar seu poderio militar: o setor de energia.
Operações com drones contra refinarias de petróleo e navios que transportam a commodity estão cortando receitas russas de exportação e gerando desabastecimento no mercado interno.
De acordo com uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal este mês, ataques ucranianos nos últimos meses atingiram todas as dez maiores refinarias da Rússia e analistas estimam que mais de um quarto da capacidade de refino russa está fora de operação.
O jornal americano destacou peças importantes do arsenal ucraniano de drones que estão gerando desespero no país agressor, como o Liutyi, que pode viajar quase 2 mil quilômetros, e o FP-1, com alcance de até 2,9 mil quilômetros.
Com esse raio de ação, a Ucrânia conseguiu atingir até mesmo a refinaria de Omsk, a maior da Rússia e localizada na Sibéria ocidental, a cerca de 2,4 mil quilômetros da fronteira entre os dois países.
Em entrevista à reportagem, o coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, colunista da Gazeta do Povo, disse que a Ucrânia conseguiu nos últimos anos alcançar uma combinação de escala, diversidade tecnológica, produção nacional e rapidez de adaptação no seu programa de drones.
“O país desenvolveu uma ampla família de drones, desde sistemas baratos de curto alcance até vetores capazes de atingir alvos a mais de mil quilômetros. Isso permite que o seu exército escolha diferentes combinações de alcance, custo, velocidade e poder destrutivo de acordo com cada alvo”, disse o especialista.
“Outra coisa que impressiona é a velocidade do ciclo de inovação alcançada pelos ucranianos. As informações obtidas em combate retornam rapidamente aos fabricantes, que modificam sistemas de navegação, comunicações, proteção contra guerra eletrônica, ogivas e perfis de voo”, afirmou Gomes Filho.
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Rússia está sendo obrigada a importar combustíveis
Gigante no setor de energia, a Rússia está passando pelo constrangimento de ser obrigada a importar combustíveis. Segundo informações da Reuters, pelo menos 60 mil toneladas métricas de gasolina foram enviadas recentemente da Índia para a Rússia.
Outra fonte da agência britânica disse que o país de Putin planeja importar 400 mil toneladas de gasolina de vários países mensalmente, incluindo a vizinha Belarus, que já vem exportando combustível para a Rússia.
Este mês, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, anunciou uma proibição temporária de exportações de diesel, que está em vigor até 31 de julho.
Em informe divulgado na semana passada, a consultora russa MMI afirmou que, “ao que tudo indica, a crise de combustíveis realmente empurrou a economia para a recessão”.
“A economia cresceu a uma taxa anualizada de 1% a 1,5% entre março e abril, desacelerou em maio e entrou em trajetória de queda em junho. É cedo demais para decretar o início de uma recessão, mas, se o refino de petróleo não se recuperar, o PIB anual poderá sofrer uma contração de 1% a 1,5% em 2026”, alertou.
Gomes Filho disse que a Rússia enfrenta dificuldades para responder à ofensiva de drones ucranianos porque precisa defender um território imenso e uma grande quantidade de infraestruturas críticas simultaneamente: refinarias, depósitos, bases aéreas, fábricas, centros de comando, cidades e a própria frente de combate.
“O ‘cobertor fica curto’. Não há sistemas de defesa aérea suficientes para proteger permanentemente todas essas instalações. A Ucrânia procura justamente identificar aquelas que estão menos protegidas ou atacar vários pontos, forçando Moscou a dispersar seus meios de defesa antiaérea”, afirmou.
