O notebook que ajudou a lançar a carreira de Barimah Asare acabou lhe apresentando um problema familiar.
Ele ainda funcionava. Simplesmente não conseguia mais fazer tudo o que ele precisava.
Asare reconheceu o valor de ter acesso a um computador potente ainda quando estava na escola. Ter um notebook abria as portas para programas, ferramentas criativas e informações que, de outra forma, estariam fora de seu alcance. Mais tarde, como estudante de design de produtos, ele passou a lidar com softwares cada vez mais exigentes. O computador que antes representava acesso passou a representar uma limitação.
“Percebi que tinha esbarrado naquela parede de novo”, disse Asare. Seu notebook não estava necessariamente quebrado nem era particularmente velho, mas ele precisava de mais poder de processamento para usar os softwares exigidos em seus estudos.
A resposta convencional seria comprar outro computador. Asare começou a procurar um diferente.
Sua solução proposta, o Project Hivemind, é um gabinete compacto de unidade de processamento gráfico externa, comumente chamado de eGPU. O dispositivo permite que um notebook compatível use uma placa de vídeo de desktop substituível para trabalhos mais pesados, incluindo jogos, produção gráfica, edição de vídeo e algumas aplicações de design.
A ideia não é deixar um computador antigo como novo. É oferecer aos usuários uma outra opção antes de substituir uma máquina que ainda funciona. “Tem que haver outro jeito”, relembra Asare ter pensado. “Contanto que eu realmente consiga dar às pessoas uma outra opção viável, sem muitas concessões, isso já me deixaria satisfeito.” Esse objetivo coloca o Hivemind dentro de um movimento crescente, ainda que fragmentado, para desafiar os ciclos de vida curtos dos eletrônicos de consumo.
O mundo gerou aproximadamente 62 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico em 2022, de acordo com o Global E-waste Monitor da ONU. Apenas 22,3% foram formalmente coletados e reciclados por meio de sistemas ambientalmente corretos. O relatório constatou que a geração de lixo eletrônico está crescendo quase cinco vezes mais rápido do que a reciclagem documentada. Opções limitadas de reparo, ciclos de vida curtos dos produtos e falhas no design de produtos contribuem para o problema.
A proposta de sustentabilidade do Project Hivemind é relativamente simples. O desempenho gráfico pode se tornar um fator limitante antes mesmo de o restante do notebook falhar. Se os usuários puderem melhorar essa capacidade externamente, alguns podem adiar a compra de uma máquina nova.
A Swarovski Foundation, cujo programa Creatives for Our Future apoiou Asare, afirma que o Hivemind poderia estender a vida útil de um notebook em até três anos. Isso ainda é uma alegação do projeto, e não um resultado comprovado de forma independente. O verdadeiro teste virá quando mais unidades chegarem aos usuários e o Hivemind puder determinar se o produto muda o comportamento de compra, e não apenas adiciona mais um equipamento à mesa dos usuários.
Asare disse que o protótipo já passou da fase de esboços e do trabalho inicial de design. Seu próximo objetivo é colocar unidades funcionais nas mãos dos usuários, coletar evidências e construir um processo de produção sustentável. Ele espera ter cerca de 100 unidades em uso público dentro de um ano. O desafio não é apenas técnico. É financeiro. “Captar recursos é difícil”, disse Asare. Ele acredita que colocar unidades funcionais nas mãos dos usuários fornecerá as evidências necessárias para atrair investimento e ampliar a produção.
Um Novo Design Para Uma Tecnologia Já Existente
Gabinetes de gráficos externos já existem. Empresas como a Sonnet Technologies e a Razer vendem sistemas que permitem que notebooks compatíveis usem placas de vídeo de desktop.
O Breakaway Box 850 T5, da Sonnet, é compatível com computadores Thunderbolt 5, além de alguns sistemas Windows com Thunderbolt 4 e USB4. O Core X V2, da Razer, oferece uma proposta de desempenho semelhante. Ambos demonstram que um notebook pode ganhar capacidade gráfica substancial por meio de um dispositivo externo. Isso significa que o Hivemind não está criando a categoria de eGPU. Sua oportunidade está em aprimorar essa categoria.
Asare está tentando resolver as concessões que impediram os equipamentos de gráficos externos de se tornarem um upgrade comum para o consumidor. Gabinetes tradicionais podem ser grandes, caros e complicados. Os compradores podem precisar escolher uma placa de vídeo separada, comprar uma fonte de alimentação adequada e descobrir se seu notebook, sistema operacional e drivers oferecem suporte a essa configuração.
O sucesso do Hivemind vai depender de sua capacidade de tornar essa experiência menor, mais clara e economicamente viável. Vai depender também da definição de “sustentável”.
Uma GPU externa exige materiais, fabricação, eletricidade e, eventualmente, seu próprio plano de fim de vida útil. Um usuário que troca frequentemente de placa de vídeo pode gerar lixo adicional mesmo mantendo o notebook original. Portanto, o benefício ambiental não pode ser medido apenas pelo número de computadores que continuam em uso. A pergunta relevante é se o sistema como um todo evita mais produção e descarte do que cria.
Reparo, Remanufatura Ou Upgrade?
Outras empresas estão testando respostas diferentes.
A Framework Computer projeta notebooks que os usuários podem reparar e atualizar internamente. Os proprietários podem substituir componentes em vez de descartar o dispositivo inteiro. O Framework Laptop 16 inclui até gráficos atualizáveis, enquanto componentes lançados para gerações sucessivas do Laptop 13 permaneceram compatíveis com o modelo original.
A Framework representa a versão estrutural do argumento de Asare. Em vez de adicionar capacidade de upgrade a um notebook convencional, ela constrói essa capacidade de upgrade dentro do computador.
A Circular Computing segue outro caminho. A empresa remanufatura notebooks corporativos usados por meio de um processo industrial padronizado. O British Standards Institution certificou seu processo como capaz de produzir computadores com desempenho e garantias comparáveis aos de aparelhos novos.
Essa abordagem pode ser especialmente relevante para empresas, escolas e governos que administram grandes frotas de equipamentos. Uma instituição pode obter resultados ambientais e financeiros mais previsíveis remanufaturando e redistribuindo computadores do que equipando máquinas individuais com hardware gráfico externo.
A Fairphone oferece outra lição importante. A empresa europeia de eletrônicos projeta smartphones e produtos de áudio com peças substituíveis, acesso a reparo e suporte de software estendido. Seu modelo reconhece que a durabilidade física, por si só, não determina a vida útil de um produto. Um aparelho pode permanecer intacto, mas se tornar difícil de usar quando atualizações de software, suporte de segurança ou peças de reposição deixam de existir.
O Hivemind enfrenta a mesma realidade. Melhorar a capacidade gráfica de um notebook não vai consertar uma bateria envelhecida, aumentar uma memória insuficiente ou garantir suporte contínuo do sistema operacional. Ele será mais útil para computadores cujo principal obstáculo ao uso contínuo seja o desempenho gráfico.7
Design Como Um Argumento Para a Liberdade de Escolha
Asare não apresenta o Hivemind como a única resposta para o lixo eletrônico. Ele o apresenta como um argumento em defesa da liberdade de escolha.
Há muito tempo, os donos de computadores de mesa podem substituir placas de vídeo, memória e armazenamento sem precisar comprar um sistema totalmente novo. Usuários de notebook raramente têm a mesma flexibilidade. As máquinas modernas costumam ser mais finas e mais integradas, mas essa integração pode tornar upgrades significativos difíceis ou impossíveis.
Para Asare, o problema é, em parte, ambiental e, em parte, uma questão de autonomia.
“As pessoas não compram um aparelho novo só porque querem um”, disse ele. “Na verdade, elas querem fazer alguma coisa com o aparelho.”
Seu processo de design também dependeu fortemente de futuros usuários. Asare publicou protótipos anteriores on-line, inclusive em comunidades do Reddit, e usou as respostas para aprimorar o produto. Ele descreve o processo como uma troca contínua entre o designer e as pessoas que enfrentam o problema. “Realmente tem sido uma relação simbiótica”, disse ele. “Sempre volta para a comunidade.”
Essa abordagem pode se mostrar importante à medida que o Hivemind avança de um conceito interessante para um produto testável. Os usuários vão determinar se o sistema é portátil o suficiente, acessível o suficiente e simples o suficiente para se tornar parte de um ciclo de vida tecnológico comum. Eles também vão determinar se ele realmente adia a substituição do aparelho.
O Project Hivemind não pode resolver sozinho o problema global do lixo eletrônico. Nenhum gabinete isolado, notebook reparável ou programa de remanufatura consegue. Os eletrônicos se transformam em lixo por meio de todo um sistema de decisões de design, políticas de software, incentivos ao consumidor, restrições de reparo e infraestrutura de coleta inadequada. O design de produtos pode tornar o uso contínuo mais fácil ou mais difícil.
Asare está apostando que muitos consumidores manteriam seus computadores por mais tempo se tivessem uma forma confiável de fazer isso. A próxima fase do Hivemind vai testar se um gabinete de gráficos externo pode se tornar essa opção — e se um produto criado para oferecer mais poder de processamento também pode reduzir a pressão para consumir mais computadores.
Reportagem publicada originalmente em Forbes.com