O Mercado Bitcoin, plataforma de ativos digitais líder na América Latina, revelou nesta terça-feira (7) que recebeu um investimento de R$ 100 milhões da Tether, a emissora da maior stablecoin do mundo, USDT.
Os recursos serão destinados a acelerar o crescimento do Mercado Bitcoin em diversas frentes estratégicas, incluindo a expansão da infraestrutura de pagamentos, a ampliação da oferta de investimentos tokenizados para investidores de varejo e institucionais, o fortalecimento das operações de crédito e empréstimos, o desenvolvimento dos mercados de capitais on-chain, a busca por oportunidades estratégicas de crescimento e parcerias, além da continuidade da expansão internacional da companhia.
O movimento é o first closing de uma rodada maior que inclui os fundadores do Mercado Bitcoin e o Softbank, sócio-investidor da empresa desde 2021, quando a plataforma se tornou unicórnio.
Atualmente, a plataforma atende 4,5 milhões de usuários e já processou mais de R$ 155 bilhões em volume total transacionado entre criptomoedas e stablecoins.
A companhia opera com 10 licenças regulatórias no Brasil e na Europa. Sua infraestrutura regulada inclui autorização como Instituição de Pagamento e CTVM, além de estrutura para atuação como securitizadora e gestora de recursos.
Pagamentos e stablecoins
Segundo Daniel Cunha, Corporate Development do Mercado Bitcoin, o investimento da Tether não marca o início da relação entre as empresas, mas uma nova etapa de uma aproximação que já vinha ocorrendo no dia a dia. “A relação com a Tether não está começando agora. A gente já tem uma relação longa. A gente é um dos grandes players de liquidez da Tether aqui. Isso é uma evolução de uma relação que já vinha se estreitando”, afirmou.
“O benefício desse alinhamento no equity é que a gente foca mais na agenda em comum. A gente vai ter uma colaboração mais estreita para desenvolver os casos de uso que ambos acreditamos que são relevantes, principalmente no momento pós-regulação”, disse.
Para o executivo, a lógica do investimento é dar mais prioridade a temas de interesse comum, especialmente pagamentos. “Alinhamento no equity é para você transformar aquela parceria meio genérica numa parceria de verdade, onde a gente está dando um passo a mais para ter uma agenda comum mais priorizada”, afirmou.
Cunha destacou que pagamentos cross-border são um dos vetores mais importantes nos planos futuros do MB. Hoje, segundo ele, a companhia trabalha em dois grandes blocos nessa frente. O primeiro é o serviço de pagamento e remessa, voltado a pessoas físicas e jurídicas que querem transferir valor ou pagar terceiros usando combinações entre moeda fiduciária e criptoativos.
Na prática, isso pode envolver o cliente enviando reais e o MB entregando moeda fiduciária na outra ponta, ou o cliente enviando cripto e a plataforma fazendo a liquidação em moeda fiduciária no destino.
O segundo bloco é a infraestrutura de pagamentos voltada a grandes volumes, especialmente para PSPs e orquestradores globais de pagamentos. Cunha citou a XTransfer como o primeiro grande cliente abordado pelo MB nessa plataforma.
Essas empresas, segundo ele, precisam de uma estrutura local segura, eficiente em custo e integrada para realizar on-ramp e off-ramp, ou seja, entrada e saída entre moeda fiduciária e stablecoins. No Brasil, um dos diferenciais é a integração com o Pix, já que parte relevante da coleta de pagamentos ocorre por meio do sistema instantâneo do Banco Central.
“O MB acabou construindo algo muito único para poder ser esse parceiro. Primeiro, a gente já tem a liquidez. A gente sempre foi um player de liquidez para demanda por USDT. Segundo, a gente é uma instituição de pagamentos regulada. Eu abro uma conta para o cliente, gero chave Pix para ele e tenho capacidade de orquestrar direto no sistema de pagamento. E terceiro, com a compra da CTVM no ano passado, a gente também será autorizado a atuar como corretor de câmbio”, explicou.
Na avaliação de Cunha, esse conjunto de licenças e infraestrutura permite ao MB reunir, dentro de uma única empresa, funções que normalmente ficam espalhadas entre diferentes prestadores, como instituição de pagamento, corretora de câmbio e provedor de liquidez.
“Hoje, um player desse, quando quer operar com stablecoins, em geral está tendo que trabalhar com dois ou três caras diferentes. Tem uma IP, tem um corretor, tem um provedor de liquidez. E ele acaba tendo que orquestrar esse negócio todo. Aqui, a gente consegue reunir tudo isso dentro de uma mesma empresa”, afirmou.
O executivo disse que essa é uma “aposta enorme” para o Mercado Bitcoin e que a proximidade com a Tether pode acelerar movimentos nessa direção. Ele citou como exemplo o fato de o MB ter sido integrado diretamente à rede da Tether, o que permite à empresa emitir ou resgatar tokens diretamente na infraestrutura da companhia.
“A gente consegue hoje mintar ou queimar tokens diretamente na rede da Tether. Isso nos torna mais ágeis, mais eficientes e nos dá acesso a mais liquidez. É esse tipo de movimento que se acelera muito quando a gente tem uma relação ainda mais próxima”, disse.
A tragetória do MB
O Mercado Bitcoin construiu uma das plataformas reguladas de serviços financeiros on-chain mais completas da América Latina.
Fundada em 2013, a empresa evoluiu de uma corretora de ativos digitais para uma plataforma integrada de serviços financeiros, reunindo infraestrutura de negociação, produtos de investimento tokenizados, crédito, pagamentos baseados em stablecoins, infraestrutura bancária e serviços financeiros internacionais.
“A discussão já não é mais se os serviços financeiros migrarão para infraestruturas on-chain. Essa transição já está em curso. O foco agora é construir a infraestrutura capaz de sustentar a tokenização, as stablecoins, os pagamentos e os mercados de capitais em escala, transformando a forma como o dinheiro circula, os investimentos são acessados e o capital é alocado”, afirma Roberto Dagnoni, Chairman e CEO do Mercado Bitcoin.
“O Mercado Bitcoin passou mais de uma década construindo essa base regulada para o futuro das finanças, e este investimento fortalece nossa capacidade de acelerar a próxima geração de serviços financeiros on-chain no Brasil e em mercados internacionais”, conclui.
O investimento acontece em um momento em que os serviços financeiros avançam rapidamente para infraestruturas baseadas em blockchain.
Em segmentos como pagamentos, negociação de ativos, mercado de capitais, crédito e produtos de investimento, instituições financeiras e consumidores buscam soluções mais rápidas, programáveis e globalmente conectadas para a movimentação e acesso ao capital.
Em mercados como o Brasil, onde convergem alta digitalização, evolução regulatória e inovação financeira, a infraestrutura on-chain vem assumindo um papel cada vez mais relevante dentro do sistema financeiro.
O Brasil consolidou-se como uma referência global nessa transformação. O país reúne um mercado financeiro robusto e sofisticado, elevado nível de adoção digital, ambiente regulatório em rápida evolução e crescente demanda por serviços financeiros mais eficientes.
Nesse contexto, o Mercado Bitcoin desempenha papel central ao conectar a inovação nativa da blockchain à infraestrutura financeira regulada, instituições parceiras e milhões de usuários.
“A missão da Tether é construir uma infraestrutura financeira aberta, acessível e eficiente para o mundo. O Mercado Bitcoin construiu exatamente isso: uma plataforma regulada e integrada de serviços financeiros on-chain que atende milhões de usuários em um dos mercados financeiros mais dinâmicos do mundo”, afirma Paolo Ardoino, CEO da Tether.
“A combinação entre seu robusto arcabouço regulatório, infraestrutura de tokenização e oferta integrada de serviços financeiros é única na América Latina. Estamos entusiasmados em apoiar a próxima fase de crescimento do Mercado Bitcoin como parceiro estratégico e investidor”, acrescenta.
O investimento também fortalece a estratégia da Tether de apoiar empresas que estão construindo infraestrutura financeira voltada para aplicações reais.
À medida que stablecoins, tokenização e serviços financeiros baseados em blockchain avançam rumo à adoção em larga escala, a Tether busca investir em plataformas que combinem profundidade regulatória, escala de mercado e tecnologia capaz de ampliar o acesso a produtos financeiros.