A OpenAI está em negociações com a administração de Donald Trump sobre a entrega de uma participação de 5% na empresa ao governo dos EUA, informou o Financial Times, citando duas pessoas familiarizadas com as discussões. Com base na avaliação da OpenAI de US$ 852 bilhões, de sua rodada de financiamento de março, essa fatia vale aproximadamente US$ 42,6 bilhões.
A proposta de Sam Altman, CEO da OpenAI, enquadra isso como uma forma de democratizar o potencial econômico da inteligência artificial — a melhor maneira de garantir que os americanos compartilhem o crescimento da indústria. Ele apresentou a ideia diretamente ao presidente Trump, ao secretário de Comércio Howard Lutnick e ao secretário do Tesouro Scott Bessent, de acordo com o FT.
A estrutura proposta modelaria um veículo de riqueza soberana como o Fundo Permanente do Alasca, um fundo estatal estabelecido em 1976 para investir receitas excedentes de petróleo e pagar dividendos anuais aos residentes do estado.
A proposta não para na OpenAI. Altman, segundo relatos, quer que outros grandes desenvolvedores de inteligência artificial dos EUA — Anthropic, Google, Meta — cedam uma participação semelhante de 5% ao governo por meio do mesmo veículo. Nenhuma dessas empresas sinalizou interesse em aderir até o momento.
A OpenAI lançou o GPT-5.6 de forma limitada poucos dias antes, depois que o Escritório do Diretor Nacional de Cibersegurança da Casa Branca pediu um lançamento restrito enquanto as autoridades desenvolvem uma estrutura de testes para inteligência artificial de fronteira.
Essa foi a segunda intervenção governamental do mês — a Anthropic passou a maior parte de junho em “lockdown” com os modelos Mythos 5 e Fable 5, sob controles de exportação de emergência, depois que o Departamento de Defesa havia anteriormente rotulado a empresa como um “risco na cadeia de suprimentos”, antes que o acesso fosse restaurado esta semana.
A OpenAI tem sido mais favorável do que a Anthropic em relação aos seus acordos com o governo dos EUA, assinando parcerias onde a Anthropic se recusou.
A participação acionária tornou-se a ferramenta preferida da administração para gerenciar relações tecnológicas. O governo adquiriu uma participação de 9,9% na Intel em agosto passado, pagando US$ 8,9 bilhões ao converter subsídios da Lei CHIPS em ações a US$ 20,47 cada — uma posição agora avaliada em mais de US$ 50 bilhões. AMD e Nvidia concordaram em ceder 15% de suas receitas de chips na China em troca de licenças de exportação. Donald Trump disse em maio que deveria ter negociado uma participação maior na Intel.
O Financial Times caracterizou as discussões como conceituais e em estágio inicial, acrescentando que qualquer acordo poderia exigir aprovação do Congresso.
O acordo, se concretizado, marcaria a primeira vez que Washington detém participação acionária em uma empresa privada de inteligência artificial. Para a OpenAI — que está passando por um processo de arquivamento confidencial para IPO e uma investigação de uma coalizão de 42 procuradores-gerais estaduais — o acordo pode valer a pena.
O senador Bernie Sanders, que se reuniu com Altman nas últimas semanas, está impulsionando um projeto de lei que exigiria que as maiores empresas de inteligência artificial entregassem 50% de sua participação acionária a um fundo público, com os lucros fluindo para os americanos como pagamentos diretos.
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic apresentaram confidencialmente pedidos de IPO, o que significa que qualquer potencial participação governamental acordada agora precederia a diluição de propriedade que ocorre com uma oferta pública.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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