A arrecadação do governo federal com Imposto de Renda sobre dividendos totalizou R$3,145 bilhões de janeiro a julho, informou nesta quarta-feira a Receita Federal, somando em sete meses valor correspondente a cerca de 11% do esperado pela equipe econômica para o ano completo.
A projeção oficial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a cobrança de 10% sobre dividendos remetidos para o exterior e sobre proventos acima de R$50 mil distribuídos no país é de uma arrecadação de R$28 bilhões em 2026.
Em julho, o fisco já havia apontado o fraco desempenho da arrecadação por essas vias, mas, ainda assim, a equipe econômica optou por não incorporar essa frustração de receita em sua avaliação fiscal, o que poderia levar a um contingenciamento de verbas de ministérios.
Na ocasião, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a decisão respeitava um “conservadorismo” do governo e que uma revisão das projeções oficiais poderia ser eventualmente feita em setembro.
Entre janeiro e julho, o governo arrecadou R$2,043 bilhões com a cobrança sobre ganhos acima de R$50 mil, enquanto a taxação de dividendos remetidos para o exterior totalizou R$1,102 bilhão.
Arrecadação total do governo em julho foi recorde
A arrecadação do governo federal teve alta real de 8,97% em julho sobre igual mês do ano anterior, a R$289,346 bilhões, recorde para o mês na série histórica iniciada pelo governo em 1995, segundo dados da Receita Federal divulgados na terça-feira.
As receitas administradas pela Receita somaram R$268,859 bilhões no mês passado, uma alta real de 7,71% ante julho de 2025. Já as receitas administradas por outros órgãos públicos, que são sensibilizadas pela comercialização de petróleo, somaram R$20,486 bilhões, um aumento real de 28,87%.
De acordo com o fisco, o dado do mês foi impactado positivamente por ganho considerado não recorrente, um incremento de R$3,161 bilhões em imposto de exportação de petróleo, instituído temporariamente pelo governo como medida de enfrentamento aos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Sem esse ganho atípico, o desempenho das receitas administradas pelo fisco em julho seria de alta real de 6,44%, segundo o governo.
Entre os destaques do mês, está uma alta real de 5,50% em receitas previdenciárias, por conta do crescimento da massa salarial do país, de ganhos de arrecadação do Simples Nacional e da reoneração da folha salarial de setores da economia.
A Receita apontou ainda uma alta de 29,47% na arrecadação de Imposto de Renda sobre ganhos de capital e de 4,52% em Imposto de Renda de empresas e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).
No acumulado de janeiro a julho, a arrecadação cresceu 6,98% acima da inflação em comparação com o mesmo período de 2025, a R$1,877 trilhão.