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- Author, Sofia Quaglia
- Role, BBC News
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Nós, humanos, tendemos a nos considerar no topo da pirâmide evolutiva por nossa capacidade de pensar — e pensar muito. Mas toda essa deliberação às vezes não nos leva muito longe. Não somos infalíveis e, rotineiramente, tomamos decisões erradas.
Os insetos, por outro lado, apesar de seus cérebros minúsculos, do tamanho de uma semente de papoula, têm uma quantidade talvez surpreendente de sabedoria quando se trata de tomar decisões.
Na verdade, várias habilidades dos insetos para resolver problemas inspiraram algoritmos usados para uma tomada de decisão eficiente em setores da indústria humana.
Aqui estão cinco coisas que podemos aprender com os insetos sobre como fazer escolhas mais sábias.
Formigas otimizam
Decidir qual é a melhor maneira de fazer alguma coisa não é uma tarefa fácil — especialmente em um mundo com tantos estímulos. Isso é chamado de sobrecarga de escolhas.
As formigas também enfrentam esse dilema quando precisam tomar uma decisão coletiva sobre o próximo local onde vão buscar alimento. Mas elas desenvolveram um truque engenhoso, comum a várias espécies diferentes.
No início, várias formigas deixam o conforto do formigueiro em busca do local mais próximo e melhor para encontrar uma boa refeição. As formigas aventureiras saem aleatoriamente pela natureza, mantendo todas as opções abertas e explorando diferentes caminhos.
Ao longo do trajeto de ida e volta, elas deixam no chão uma trilha sutil de feromônios para que outras formigas possam segui-las depois. Esses feromônios evaporam com o tempo, e as formigas têm maior probabilidade de seguir a trilha mais forte.

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As formigas que encontram o local mais eficiente para buscar alimento retornam mais rapidamente com a comida e reforçam sua trilha de feromônios antes que ela evapore completamente.
Elas também passam o sinal mais rapidamente para as formigas que saem em seguida para buscar alimento. Isso significa que, com o tempo, mais formigas passam a ir e voltar por aquele caminho, deixando uma quantidade maior de feromônios acumulados e tornando a trilha mais forte.
Os caminhos objetivamente mais curtos são, portanto, reforçados ao longo do tempo, enquanto os outros desaparecem. No fim, a colônia encontra coletivamente o caminho mais curto e eficiente sem que nenhuma formiga individual saiba que aquele caminho foi resultado de sua própria contribuição.
“A principal lição… é que uma tomada de decisão coletiva eficiente pode surgir sem um controle centralizado”, diz Marco Dorigo, codiretor do laboratório de inteligência artificial da Université Libre de Bruxelles, na Bélgica. “[As formigas são] indivíduos simples, com capacidades limitadas e apenas informações locais, mas conseguem resolver coletivamente problemas complexos de coordenação.”
Esse sistema — chamado de método de otimização por colônia de formigas — foi transformado em um algoritmo usado para melhorar sistemas humanos de planejamento, telecomunicações, transporte e logística em todo o mundo.
Especialistas usaram algoritmos de otimização inspirados em formigas, por exemplo, para planejar ferrovias, e Dorigo desenvolveu o AntNET, um sistema para movimentar informações de maneira eficiente dentro de redes de comunicação.
Abelhas democráticas
As abelhas usam um método muito semelhante ao sistema de busca otimizada das formigas quando precisam encontrar um novo local para construir sua colmeia.
Várias abelhas exploradoras saem voando e procuram opções aleatoriamente, assim como as formigas. Mas, em vez de deixar trilhas de feromônios, elas retornam à colmeia e comunicam diretamente suas preferências. Elas fazem uma dança do requebrado para suas companheiras, balançando ritmicamente o corpo para transmitir se acreditam que o novo local atende aos requisitos: quão seguro é, quão próximo, quão grande e quão bem localizado. Quanto melhor o local para a colmeia, mais longa e vigorosa é a dança.
A dança do requebrado também descreve a localização exata — a distância e a direção em que as companheiras precisam voar — e outro grupo de abelhas é então enviado para verificar essas informações. Quando retornam, elas também dão seu veredito por meio da dança, apoiando as exploradoras anteriores ou apresentando novas opções.

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Com o tempo, um local preferido surge naturalmente: algumas dezenas de abelhas retornam de suas expedições fazendo danças positivas para o mesmo lugar. Elas chegam a um quórum e, a partir daí, mudam-se para aquele local, de maneira semelhante ao funcionamento de uma democracia humana.
Gafanhotos neutros
Fazer as pessoas mudarem de ideia é difícil, especialmente quando um grupo está dividido entre duas opções. O debate pode rapidamente se transformar em uma oposição rígida entre preto e branco, deixando todos ainda mais entrincheirados em suas posições.
Felizmente, um estudo recente com gafanhotos aponta para uma possível saída desse dilema comum.
Os gafanhotos migratórios são tão jovens que ainda não sabem voar, então marcham. Em seu experimento, Christian (Kit) Yates, professor de biologia matemática da University of Bath, no Reino Unido, colocou grupos deles em uma arena em formato de anel para observar como decidiam coletivamente em que direção seguir. Ele percebeu que os insetos frequentemente mudavam de direção depois de um breve momento de hesitação.
Descobriu-se que é justamente esse breve momento de suspensão — quando um número cada vez maior de gafanhotos para de marchar e se torna neutro — que ajuda o enxame a sair de um consenso e mudar para o outro.
No experimento, Yates também testou 19 humanos com uma tarefa semelhante: realizou um jogo em que os participantes podiam escolher entre X e Y ou se abster. Assim como os gafanhotos, eles descobriram que, quando as pessoas tinham a opção de se abster, isso ajudava o grupo a chegar a um consenso — apenas X ou apenas Y — de maneira mais “rápida e limpa” do que quando essa opção não existia, diz Yates.
Isso acontece porque, explica Yates, em um grupo grande e altamente engajado, muitas pequenas influências independentes se anulam mutuamente, tornando difícil alterar a direção geral. Mas, se muitos indivíduos se tornam neutros, mesmo que por apenas um momento, o grupo de tomadores de decisão diminui.
“Com menos votos ativos em jogo, o mesmo pequeno estímulo — um breve agrupamento local se movendo na direção oposta, uma informação ruidosa, algumas pessoas mudando de posição — produz um efeito proporcional maior sobre a direção do grupo”, diz Yates.
No fim, os gafanhotos nos ensinam que a neutralidade pode criar a pausa necessária para que todos reavaliem a situação e cheguem a um consenso, diz Yates. A conclusão? Se você quer mudar o status quo, não se preocupe com os indecisos — incentive mais pessoas a serem assim.
É especialmente difícil chegar a conclusões coletivas quando há muitas personalidades fortes em um debate. Muitas pessoas com “energia de personagem principal” podem conduzir a discussão na direção que preferem, prevalecendo sobre o coletivo.
Mas um estudo com baratas sugere que personalidades individuais fortes dentro de um grupo podem, na verdade, acelerar a tomada de decisões.

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Algumas baratas são ousadas, enquanto outras são tímidas. Por isso, Isaac Planas-Sitjà, professor-assistente da Tokyo Metropolitan University, no Japão, realizou simulações computacionais de como as baratas se agrupam — uma simulação que reproduzia, por exemplo, como elas se escondem em um determinado canto escuro atrás de uma geladeira. Ele ajustou o sistema para incluir nenhuma diferença de personalidade, algumas diferenças de personalidade e, por fim, muitas diferenças de personalidade.
Descobriu-se que os modelos nos quais todas as baratas se comportavam exatamente da mesma maneira sequer conseguiam se aproximar do modo como as baratas tomam decisões no mundo real. Grupos com muita variação de personalidade, por outro lado, tomavam decisões coletivas mais rapidamente — porque tinham mais interações sociais.
“Fiquei muito surpreso. Eu esperava ver alguma tendência, mas não um padrão tão claro e tão consistente”, diz Planas-Sitjà.
Isso significa que grupos de baratas formados apenas por indivíduos ousados ou exploradores terão mais dificuldade para se reunir e escolher um abrigo adequado porque se movimentam demais, diz ele. Já grupos com indivíduos tímidos demais podem se estabelecer rapidamente, mas correm o risco de escolher um abrigo ruim.
“É o ajuste fino entre o grau de cooperação e a diversidade comportamental que, em última análise, impulsiona a inteligência coletiva”, diz Planas-Sitjà. “Se a personalidade importa nesses pequenos animais, podemos imaginar o impacto que ela pode ter em animais que vivem em sociedades com camadas adicionais de complexidade social.”
Moscas reflexivas
Às vezes, silenciamos nossos instintos para tomar decisões que consideramos lógicas, mesmo quando elas parecem erradas em um nível visceral. Em outras ocasiões, seguimos nossas convicções mais profundas sobre alguma coisa sem aprender com nossos erros.
As moscas-das-frutas, ao que parece, podem nos ensinar muito sobre como ter mais consciência de nós mesmos durante nossas decisões.

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Pesquisas mostram que as moscas-das-frutas são extremamente perceptivas na maneira como integram informações externas e internas para orientar cada um de seus movimentos. Quando precisam escolher entre dois odores, por exemplo, quanto mais semelhantes forem os cheiros, mais tempo as moscas hesitam, como se estivessem contabilizando os prós e contras.
Quando confrontadas com uma recompensa saborosa, mas sem valor nutricional, ou com uma substância açucarada de sabor amargo, porém nutritiva, as moscas conseguem calcular o valor líquido daquela escolha e suportar o alimento desagradável em troca de nutrição.
Elas também têm maior probabilidade de escolher uma pequena recompensa que seja uma aposta segura do que uma recompensa grande se esta vier acompanhada de uma ameaça — a menos que estejam com muita fome ou estressadas. Quando treinadas com odores positivos e recompensas, ou odores negativos e recompensas, moscas saudáveis frequentemente aceitam se aproximar de um odor ambíguo para descobrir o que acontecerá, enquanto moscas estressadas tendem mais a não correr o risco.
Assim como acontece com as moscas, às vezes nossos estados internos obscurecem nosso julgamento. Mas eles também nos lembram que esses instintos e experiências aprendidas — formados por um caleidoscópio de pequenos fragmentos das percepções que temos constantemente sobre nós mesmos e sobre os outros — podem, às vezes, nos ajudar a exercer um bom julgamento.