Ayrton Senna agora acelera na água. A Sea-Doo, marca da canadense BRP, apresentou, na segunda-feira (17), uma edição limitada da RXP-X Senna 350, moto aquática mais rápida disponível e criada em parceria com a Senna Brand para homenagear o legado do tricampeão mundial de Fórmula 1. O modelo terá produção global de apenas 1.991 unidades, em referência a 1991, ano em que Senna conquistou seu terceiro e último título mundial. No Brasil, o preço será de R$ 230 mil.
O lançamento foi apresentado nos Estados Unidos, em Orlando, durante um evento global da BRP que contou com a presença de dezenas de concessionários brasileiros. A escolha não foi casual. O Brasil é hoje o segundo principal mercado da Sea-Doo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e terá direito a metade do lote global da edição limitada. No país, a Sea-Doo responde por mais de 90% das vendas de motos aquáticas e atua em um segmento que movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano.
Mais do que um produto de imagem, a RXP-X Senna 350 chega como o modelo mais topo de linha da Sea-Doo no mundo. A base escolhida para a colaboração foi a plataforma RXP-X, associada ao desempenho dentro do portfólio da marca. A parceria com a Senna Brand transforma esse posicionamento em uma homenagem visual, técnica e simbólica ao piloto brasileiro.
“Ayrton Senna nunca aceitou limites. Ele era movido pelo desejo de inspirar outras pessoas a irem além do que acreditavam ser possível”, afirma Bruno Senna, sobrinho de Ayrton e embaixador da Senna Brand. “Cada parceria que construímos carrega a responsabilidade de traduzir os valores de Ayrton em experiências relevantes. A Sea-Doo abraçou essa missão desde o primeiro dia, combinando desempenho e paixão.”
Por que 1.991 unidades
A escolha do número 1.991 é uma referência direta ao ano do último título mundial de Ayrton Senna na Fórmula 1. O piloto foi campeão em 1988, 1990 e 1991, anos que também aparecem escondidos em detalhes da moto aquática.
A RXP-X Senna 350 traz elementos visuais inspirados no capacete de Senna, com uma combinação de cores desenvolvida para reproduzir a identidade mais reconhecida do piloto. A assinatura de Ayrton aparece integrada a laser na moto aquática, acompanhada do reconhecimento aos três campeonatos mundiais. Há ainda frases como “Seek your truth” e “Born to win”, além de detalhes escondidos, os chamados easter eggs, espalhados pela embarcação.
O pacote inclui banco de passageiro coordenado, capa protetora com a marca Senna e placa comemorativa com o número 1991. A indicação mostra que aquela unidade faz parte da série limitada, mas a numeração específica de cada moto aquática deve ser conferida pelo número de identificação da embarcação.
Para Bruno Senna, a conexão entre a marca e o universo náutico também tem um componente pessoal. “Todo mundo que conhecia o Ayrton naquela época sabe que ele tinha muitos brinquedos para se divertir na água”, diz. Segundo ele, o modelo favorito da família era o XP, versão voltada mais para o lazer. “Acho que ele tinha uma combinação muito boa de potência e agilidade. Era, de longe, o mais potente que tínhamos em casa, e eu sempre gostei de andar na velocidade máxima.”
Bruno lembra que o uso de motos aquáticas fazia parte de um outro tempo. “Estamos falando do Brasil nos anos 1980. Eu tinha apenas uns oito anos e andava a toda velocidade. Pelo menos estava usando colete salva-vidas”, brinca.
O salto técnico dos modelos atuais também o surpreendeu. “Foi um pouco chocante sair das motos aquáticas que tínhamos em casa. Acho que tínhamos uma GTX do começo dos anos 2000. Experimentar esta recentemente foi um choque enorme para mim quando pilotei pela primeira vez”, afirma. “Então, esta é, de longe, a minha favorita agora.”
A parte técnica da RXP-X Senna 350
A RXP-X Senna 350 estreia o novo motor Rotax 1630 ACE, o propulsor mais potente de moto aquática já produzido de fábrica pela Sea-Doo. São 350 cavalos de potência e aceleração de 100 km/h, em 3,1 segundos.
Segundo Kim Ross, diretor de engenharia da marca, a base de desenvolvimento partiu do motor de 325 cv apresentado há três anos. “Apresentamos o 325 há três anos e já comprovamos que ele é um motor bastante robusto. Ele tem se mostrado confiável e potente. E levamos os limites ainda mais longe com o 350.”
O ganho de potência veio acompanhado de mudanças no sistema de propulsão. “Fizemos muitas coisas para chegar a essa potência adicional, mas não trabalhamos apenas na potência. Também fizemos melhorias no sistema de propulsão”, afirma Ross.
Entre as alterações estão o redesenho do ride plate, peça que ajuda a levantar a proa, reduzir o arrasto e melhorar a eficiência. A Sea-Doo também desenvolveu uma nova grade de admissão e uma nova carcaça da bomba de jato. O objetivo foi melhorar aceleração e eficiência sem ampliar o consumo de combustível.
“Apesar de estarmos adicionando 25 cavalos, conseguimos manter o consumo de combustível e até melhorá-lo ligeiramente”, diz o engenheiro. Em dimensões, a RXP-X Senna 350 tem 3,32 metros de comprimento, 1,25 metro de largura e 1,11 metro de altura.
“A RXP-X sempre representou o auge do desempenho em motos aquáticas, e a parceria com a Senna Brand eleva esse padrão a um nível completamente novo”, afirma James Heintz, diretor de Estratégia Global de Produtos, Sea-Doo & Vehicle Connectivity da BRP. “Isso é mais do que uma moto aquática. É uma homenagem a um campeão.”
A força do Brasil ma operação da Sea-Doo
O peso do Brasil dentro da Sea-Doo ajuda a explicar por que metade da produção limitada será destinada ao país. Segundo Michael Codd, general manager da BRP para a América Latina, o mercado brasileiro está entre os mais importantes da operação global.
“O Brasil foi uma das histórias de mais sucesso mundial da BRP”, afirma. “Nos últimos cinco anos, sempre esteve entre os melhores mercados em crescimento. Há alguns anos, era o quarto maior mercado em volume para Sea-Doo. Hoje é o segundo maior.”
A operação brasileira também ganhou relevância dentro da própria estrutura da BRP. A companhia tem escritório em Campinas, com mais de 200 funcionários. Parte da equipe trabalha para a América Latina e outra parte atende áreas globais, especialmente tecnologia e dados.
Segundo Codd, a edição Senna também representa uma mudança na forma como a BRP enxerga o Brasil. “Esse é o primeiro modelo cuja ideia nasceu fora do Canadá. Nunca tinha acontecido isso”, afirma. “Também é a primeira edição limitada com uma parceria desse tipo.”
A rede brasileira deve chegar a 90 lojas em todos os estados. Para Codd, a prioridade agora não é apenas abrir novos pontos em grandes cidades, mas ampliar presença em locais de uso, chamados internamente de playgrounds. São regiões próximas à água, onde os clientes efetivamente usam as motos aquáticas e precisam de serviço.
“O mais importante é ter pontos de serviço em mais lugares no Brasil”, diz. “A gente não quer que o cliente precise viajar muito longe para ter serviço no produto.”
O executivo vê espaço para crescimento porque o potencial náutico brasileiro ainda está longe do limite. “O Brasil tem uma costa muito grande e muitos rios. Eu vejo potencial de uso da água claramente como um dos maiores do mundo”, afirma.
A logística da edição limitada seguirá o fluxo da operação nacional. Os produtos entram por Santa Catarina e são distribuídos para a rede. As entregas da RXP-X Senna 350 estão previstas para o fim do ano, entre outubro e novembro, dependendo do transporte marítimo.
Para Codd, a parceria levou cerca de dois anos de trabalho e nasceu de uma conversa que parecia improvável. “Quando conheci a ideia, dei 1% de chance de acontecer. Pensei: vamos tentar, mas nunca saiu um produto fora do Canadá”, diz. “Foram dois anos de trabalho, evolução, alinhamento com o global e muitos times envolvidos.”