O Bitcoin voltou a negociar na faixa dos US$ 79 mil nesta sexta-feira (28), depois de testar sua maior cotação em cerca de três meses. A criptomoeda chegou a tocar US$ 81.280 durante a madrugada, mas perdeu força.
Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 0,5%, cotado a US$ 79.341 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 411.630, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 1,6%, a US$ 2.494. Já o XRP tem queda de 1,6%, enquanto a Solana sobe 1,4% e a BNB cai 0,7%.
A máxima intradiária do Bitcoin foi relevante porque marcou a primeira vez desde maio que o BTC voltou à região dos US$ 81 mil. Naquele período, a criptomoeda chegou a ser rejeitada perto de US$ 82.800 antes de iniciar uma queda que levou o preço para perto de US$ 57 mil.
O cenário agora é diferente. Desde o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos, em 19 de agosto, de que vai dobrar recompras de títulos de longo prazo, o Bitcoin acumula alta de cerca de 26%, enquanto ouro e prata também ganharam força. A leitura do mercado é que a medida ajudou a aliviar a pressão dos juros longos e reacendeu a busca por ativos escassos e de risco.
A sexta-feira concentra dois testes importantes. O primeiro foi o vencimento de cerca de US$ 6,4 bilhões em opções de Bitcoin na Deribit, que expiraram às 8h UTC. Foram aproximadamente 81.700 contratos, um dos maiores vencimentos do ano, depois de uma disparada que levou o BTC de cerca de US$ 62 mil para perto de US$ 80 mil.
O vencimento remove do mercado posições que haviam sido montadas antes do rali. Isso torna a próxima distribuição de interesse em aberto mais relevante, porque mostrará onde traders estão reposicionando apostas depois da alta, e não antes dela. Antes do vencimento, havia concentração importante em opções nas faixas de US$ 75 mil e US$ 80 mil, enquanto o chamado “max pain” estava bem abaixo, entre US$ 68 mil e US$ 70 mil.
Jackson Hole vira teste para o rali
O segundo teste vem do Federal Reserve. Kevin Warsh faz nesta sexta-feira seu primeiro discurso em Jackson Hole como presidente do Fed, em um momento de tensão entre política monetária, juros longos e a atuação do Tesouro no mercado de títulos.
Os mercados globais operavam com cautela antes da fala de Warsh, enquanto investidores avaliavam como o Fed vai reagir à tentativa do Tesouro de conter os juros por meio da ampliação das recompras de dívida.
A fala é importante para o Bitcoin porque o rali recente dependeu em parte da melhora nas condições financeiras. Se Warsh sinalizar preocupação com inflação ou defender juros altos por mais tempo, o dólar e os rendimentos dos Treasuries podem voltar a subir, pressionando ativos de risco. Por outro lado, um tom mais brando pode ajudar o BTC a sustentar a região dos US$ 79 mil e tentar nova aproximação dos US$ 81 mil.
O mercado de opções, por enquanto, não parece apostar em uma turbulência extrema. O índice de volatilidade implícita de 30 dias do Bitcoin recuou para perto de 41%, abaixo do pico recente de 50%, sugerindo que traders não esperam um choque muito forte no discurso de Warsh.
Nos derivativos, o quadro também mostra mais rotação do que uma nova aposta direcional clara. O interesse em aberto dos futuros cripto segue pouco acima de US$ 140 bilhões, enquanto o volume subiu quase 10%, para US$ 222 bilhões. A relação entre compradores e vendedores agressivos ficou levemente negativa, com shorts representando 51% do fluxo.
A Solana é um dos pontos de atenção nos derivativos. O interesse em aberto em futuros de SOL subiu para 70,88 milhões de tokens, maior nível desde o começo de julho, enquanto dados de fluxo sugerem maior urgência de vendedores no curto prazo. Isso indica que, mesmo após a alta recente da altcoin, há traders tentando apostar contra a continuidade do movimento.
Para o Bitcoin, a região entre US$ 80 mil e US$ 81 mil segue como resistência imediata. A superação consistente dessa faixa poderia recolocar a máxima de maio, perto de US$ 82.800, no radar. Se o BTC continuar falhando nesse nível, a realização pode levar o preço de volta aos suportes mais próximos, especialmente entre US$ 77 mil e US$ 75 mil.
O rali da semana ainda não foi desmontado, mas entrou em fase de prova. Depois do vencimento das opções, o mercado passa a olhar para o discurso do Fed e para o comportamento dos juros longos. Se a liquidez continuar ajudando, o Bitcoin pode tentar transformar a volta aos US$ 80 mil em novo rompimento. Se Warsh frustrar essa leitura, a alta recente pode passar por uma correção mais forte.
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