O governo da Colômbia manteve nas últimas semanas uma série de conversas técnicas preliminares com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI), especialmente sobre a obtenção de financiamento, na tentativa de chegar a um possível acordo que possa ajudar a colocar em ordem as finanças do país, disseram nesta segunda-feira à Reuters três fontes a par do assunto.
O presidente colombiano, Abelardo De La Espriella, afirmou na noite de domingo que havia instruído sua equipe econômica a iniciar conversas com o FMI em busca de uma saída para a crise fiscal.
As fontes, que pediram anonimato porque as discussões são privadas, disseram que as conversas se concentraram na obtenção de alternativas de financiamento a taxas mais favoráveis, em um momento em que o país elevou suas metas de endividamento interno e externo diante dos elevados déficits fiscais previstos para este ano e o próximo.
Outra fonte a par das discussões disse à Reuters que uma equipe do FMI está atualmente na Colômbia em uma visita institucional programada, liderada pelo vice-diretor-gerente Nigel Clarke. Segundo a fonte, ainda é cedo para discutir detalhes sobre o tamanho de um eventual programa de financiamento do FMI e, para avançar nesse sentido, seria necessária uma visita específica de uma equipe técnica e conversas com as autoridades colombianas.
O Ministério da Fazenda não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
O vice-presidente colombiano, José Manuel Restrepo, e a equipe econômica do país discutiram seus contatos com o FMI e a intenção de buscar um acordo durante reuniões com empresários e investidores do mercado de capitais em Nova York, disseram duas das fontes.
“Dei instruções claras ao ministro da Fazenda e a toda a equipe econômica para que assumam as conversas com o Fundo Monetário Internacional. Dei essa instrução para buscar uma solução negociada para a crise”, afirmou Espriella em pronunciamento televisionado na noite de domingo. “Todos sabemos que a situação fiscal do país é a mais crítica de nossa história.”
O FMI disse não ter comentários imediatos sobre as declarações Espriella no domingo.
A Colômbia enfrenta dificuldades fiscais em meio à queda da arrecadação tributária, ao aumento dos gastos durante o governo anterior, de esquerda, e à inflação persistente. Espriella prometeu amplas medidas de austeridade para reduzir os gastos.
O governo elevou a meta de déficit fiscal deste ano para 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 5,3% anteriormente, e aumentou a projeção para o próximo ano para o recorde de 9,4% do PIB. O país ampliará seu endividamento em mais de US$ 10,5 bilhões neste ano. Em 2027, a captação de recursos deve chegar a US$ 71,66 bilhões, mais que o dobro do inicialmente previsto.