Dólar à vista tem leve queda em dia de incerteza sobre guerra EUA e Irã

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O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real nesta terça-feira, em um dia em que a moeda americana passou por um vaivém no sentimento de risco atrelado ao imbróglio geopolítico entre Estados Unidos e Irã. Se pela manhã e começo da tarde havia maior preocupação com o cenário externo, à tarde isso se desfez com falas do presidente americano Donald Trump.

Mesmo com o petróleo em queda, o real seguiu levemente valorizado. Operadores entendem que o sentimento construtivo com o câmbio brasileiro tem predominado independentemente da narrativa externa, uma vez que as eleições mais apertadas alimentam a expectativa de uma alternância na condução da política fiscal. Isso pode estar ajudando a manter o mercado local mais estável, ainda que haja dúvidas sobre uma nova pernada de valorização antes do resultado eleitoral.

Encerradas as negociações de hoje, o dólar à vista fechou em queda de 0,11%, cotado a R$ 5,1028, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,0973 e batido na máxima de R$ 5,1355. Já o euro comercial recuou 0,24%, a R$ 5,8421. Perto das 17h15, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, subia 0,11%, aos 100,537 pontos.

Apesar da queda de hoje, o termômetro da liquidez continuou pressionado, com a queda do dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro para o dólar à vista. Se pela manhã o dólar casado era negociado em 9,00 pontos, no fim do dia estava em 8,70 pontos. A taxa do casado, assim, ronda 6,23%, com o spread sobre a taxa efetiva dos Fed funds em 2,35 pontos percentuais. Operadores consideram a taxa acima de 1,5 ponto percentual uma indicação de estresse e menor liquidez no mercado à vista. Acima de 1,8 ponto, os traders começam a esperar alguma atuação do Banco Central. Em tese, o spread a 2,35 pontos abre espaço para a autoridade adotar novas ferramentas, mas como é fim de trimestre e já houve três atuações, os operadores não cravam uma nova atuação.

No começo da sessão, o dólar à vista avançava com mais força no mercado local. O real chegou a ser uma das moedas mais fracas do dia, o que na leitura de operadores poderia ter sido reflexo de um ajuste do movimento recente de maior resiliência e força. “Se não há novo gatilho para o movimento ter continuidade, faz sentido ter uma realização [de lucros]”, diz um gestor. Apesar disso, o câmbio voltou a se apreciar na parte da tarde, ainda que sem um motivo evidente.

Na leitura dos operadores de câmbio da Hedgepoint a reversão do movimento foi “puxada por um sinal de distensão no Estreito de Ormuz e pelo apetite por risco global”. “O exterior seguiu construtivo, com futuros americanos em alta e otimismo em torno da inteligência artificial”, acrescentaram. Segundo eles, outro driver na sessão foi a pesquisa Quaest mostrando Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno.

Para o diretor de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, o câmbio pode ficar mais contido nessa e na próxima semana antes do primeiro resultado eleitoral, quando a volatilidade pode aumentar com uma visão parcial da disputa presidencial. “A meu ver, o mercado não está volátil porque a decisão das eleições não se dará no primeiro turno”, afirma. “Temos que lembrar que o ‘carry’ ainda importa e que as commodities estão favoráveis de alguma forma. Não vejo, portanto, gestores e fundos fazendo muitas alterações [nos portfólios] agora. A não ser que surja alguma notícia muito impactante.”

Ainda na leitura do executivo, o ambiente externo incerto, em especial os juros americanos, limita um viés mais construtivo para o câmbio agora, o que também reforça a leitura de uma volatilidade mais contida. “Para ir para algum lado, os candidatos à Presidência deveriam se descolar, mas não vejo isso acontecendo. Da mesma forma que a guerra entre Irã e Estados Unidos está em um impasse há algum tempo.”

Estrategistas do banco BBVA dizem, em nota, que tanto o cenário externo quanto o local dão suporte ao real. “As pesquisas [eleitorais] mais recentes colocam o candidato conservador em empate técnico com o atual presidente, Lula, e algumas chegam a apontar Flávio Bolsonaro à frente no segundo turno”, dizem. “Enquanto isso, as expectativas para os juros domésticos continuaram a se deslocar em direção a uma flexibilização adicional”, acrescentam.

Para eles, com a eleição presidencial de outubro se aproximando, o cenário fiscal continua sendo uma importante restrição ao ciclo de flexibilização. “Qualquer deterioração nas expectativas fiscais poderia pressionar o real e dificultar a capacidade do BC de estender o ciclo de cortes de juros.”

[Fonte Original]

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