Os gastos globais com data centers devem atingir US$ 31,6 trilhões até 2050 para atender à crescente demanda mundial por IA — um boom de investimentos sem precedentes na história, segundo a PricewaterhouseCoopers (PwC).
Em termos anuais, os gastos de capital (capex) em data centers aumentariam de aproximadamente US$ 800 bilhões em 2026 para US$ 1,8 trilhão em 2050.
Superando projetos como ferrovias, internet e eletrificação, os gastos com data centers podem chegar a US$ 50 trilhões nas próximas duas décadas e meia se a adoção da IA acelerar além da previsão do “cenário central” da PwC, afirmou a consultoria em um relatório nesta quarta-feira (2).
Em termos comparativos, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA é de aproximadamente US$ 30 trilhões. Com o uso crescente da IA por consumidores, empresas e governos, gigantes da tecnologia como Microsoft e Amazon, além de provedores menores de data centers, estão construindo novas instalações de computação em todo o planeta em ritmo acelerado. A maior parte dos gastos será destinada ao que vai dentro dos centros de dados: hardware de empresas como a Nvidia, líder global em chips de IA.
Ao mesmo tempo, o setor de tecnologia tenta conter a reação negativa contra os data centers, que ameaça desacelerar a expansão. Pelo menos 75 projetos, totalizando cerca de US$ 130 bilhões, foram bloqueados ou adiados devido à oposição local nos primeiros três meses deste ano, segundo o grupo de pesquisa Data Center Watch.
Manifestantes apontam preocupações com o impacto ambiental, o consumo de recursos e, de forma mais ampla, como a IA pode transformar o mercado de trabalho e a sociedade. Os EUA concentrarão quase metade dos gastos projetados com data centers, totalizando US$ 15,1 trilhões, informou a PwC.
A região da Ásia-Pacífico virá em seguida, com US$ 8,2 trilhões; a Europa, com US$ 5,6 trilhões; o Oriente Médio, com US$ 1,1 trilhão; e a África, com US$ 255 bilhões do total de investimentos acumulados, segundo o relatório inaugural Global Data Center Outlook da PwC.
Os gastos continuarão aumentando até meados do século, uma vez que unidades de processamento gráfico (GPUs), servidores, sistemas de armazenamento, equipamentos de rede e outros hardwares exigirão substituição periódica.
Atualizações recorrentes de chips — o poder computacional —, e não terrenos ou construções, representarão a maior parte do investimento. Isso difere bastante dos ciclos tradicionais de gastos de capital (capex), como as gerações anteriores de produção de chips de memória ou a implementação global da internet via fibra óptica, que concentravam os investimentos no início, assumindo custos e riscos logo de cara.
“Ferrovias. Eletrificação. A internet.Cada uma exigiu enormes quantidades de capital e definiu uma era”, afirmaram os pesquisadores no relatório. “O ciclo de infraestrutura de IA em curso supera todos os três. Este se renova a cada quatro ou seis anos — e não mostra sinais de acabar.”
A PwC encomendou à Oxford Economics a modelagem dos gastos de capital em data centers; o relatório abrange 46 países e territórios, além de cinco regiões, que respondem pela maior parte da atividade econômica global e do investimento em infraestrutura digital.
Embora a demanda global seja forte, fatores como disponibilidade de energia, requisitos de soberania de dados e o fluxo de semicondutores determinarão quais regiões atrairão os investimentos, afirmou a PwC.
A energia será o fator primordial a definir onde ocorrerão os investimentos em infraestrutura de IA. De fato, grande parte da previsão depende da rapidez com que se consegue estabelecer um fornecimento confiável de eletricidade para os data centers, segundo o relatório.
Obter eletricidade acessível, confiável e com emissões de carbono cada vez mais baixas, em grande escala, é o requisito mais difícil de ser atendido por muitos mercados. E, embora a projeção dos pesquisadores pressuponha um sistema comercial relativamente aberto, no qual os chips circulam livremente entre as fronteiras, interrupções nas cadeias de suprimento de semicondutores poderiam reduzir o investimento global em quase 20%, afirmaram eles.
Paralelamente, uma crescente pressão por soberania poderia redistribuir — mas não reduzir — o investimento global. “A questão de US$ 31,6 trilhões não é se o capital existe. Ele existe”, disseram os pesquisadores. “Também não se trata de saber se a demanda é real. Ela é. A questão é quais regiões, operadoras e instituições estão posicionadas para capturá-la e quais não estão.”