Uma equipe liderada pelo arqueólogo Cenker Atila, da Universidade Sivas Cumhuriyet, na Turquia, mapeou em 2026 a formação Durupınar, um relevo em forma de barco no leste do país, e reacendeu o debate sobre a possibilidade de ali estarem os restos da Arca de Noé.
Até agora, nenhum resultado confirma essa hipótese.
A formação fica no distrito de Doğubayazıt, a cerca de 29 quilômetros do Monte Ararat, e tem aproximadamente 157 metros de comprimento, medida que alguns veículos arredondam para 150.
Foi identificada em 1959, em fotografias aéreas do capitão İlhan Durupınar, da Força Aérea turca.
Como o trabalho foi feito em 2026
A campanha reuniu cerca de 20 pesquisadores e estudantes de cinco países, com autorização do governo turco e apoio do projeto americano Noah’s Ark Scans, cujo fundador é Andrew Jones.
A equipe produziu mapas por GPS e modelos digitais do terreno, fez varreduras com radar de penetração no solo (GPR) e coletou amostras de terra para análise química.
Em setembro, começaram perfurações para obter material de camadas mais profundas e compará-lo com as imagens do radar.
O que as varreduras indicaram
Os radares registraram anomalias no subsolo com arestas regulares e cruzamentos em ângulo reto, que os pesquisadores descrevem como semelhantes a compartimentos.
Medições anteriores do projeto também apontaram mais matéria orgânica em amostras do interior da formação do que nas de fora.
A própria equipe trata os dados como pistas para investigar, e não como prova.

Projeto científico utiliza georradar e análise de solo para investigar formação em formato de barco perto na Turquia (Imagem: Reprodução – Noah’s Ark Scans / Montagem – Awebic)
O professor Atila afirmou que os resultados de laboratório devem ficar mais claros nos próximos meses, e o relatório completo está previsto para 2027.
Por que muitos geólogos veem uma formação natural
Em 1996, o geólogo Lorence Collins e o explorador David Fasold, que antes defendia a ideia da arca, concluíram que Durupınar é uma estrutura geológica natural.
Segundo o estudo, materiais interpretados como peças de metal eram concentrações naturais de limonita e magnetita.
O radar detecta mudanças no solo e nas rochas e não diz se uma anomalia é natural ou construída por pessoas.
Por isso, a nova investigação precisa confrontar seus resultados com essa explicação já estabelecida.
O que são os 4.300 anos e o que o texto bíblico diz
O livro de Gênesis descreve a arca com 300 côvados de comprimento e diz que ela repousou nos montes de Ararate.
Com o côvado real egípcio, de cerca de 52,4 centímetros, a conta chega a aproximadamente 157 metros, medida próxima à da formação.
Os 4.300 anos associados ao caso vêm de cronologias tradicionais que situam o dilúvio bíblico por volta de 2300 a.C.; não se trata de datação científica da formação.
A semelhança de forma e de medidas alimenta a crença de quem aceita a hipótese, e não é prova de que a arca existiu ou esteve ali.
A investigação segue em andamento, e é ela que dirá se a formação guarda algo além de rocha e sedimentos.
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