Ledger suspende vendas de carteiras após suspeitas de roubo de US$ 86 milhões em criptomoedas

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A Ledger, uma das maiores fabricantes de carteiras físicas para armazenamento de criptomoedas, pediu a suspensão das vendas de seus dispositivos por um revendedor da Ásia após relatos de que usuários teriam perdido mais de US$ 86 milhões em Bitcoin e outros ativos digitais. A empresa abriu uma investigação, mas ainda não confirmou o valor das perdas nem se os equipamentos foram adulterados.

O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (9), depois que o investigador de blockchain conhecido como Specter afirmou ter identificado movimentações suspeitas envolvendo centenas de carteiras de usuários da Ledger. Segundo ele, os ativos teriam sido desviados em diferentes redes, incluindo Bitcoin, Ethereum e Tron.

A empresa identificou a CryptoBilis, revendedora sediada na Malásia e com atuação também na Indonésia e nas Filipinas, como o estabelecimento envolvido na investigação. A Ledger solicitou que a loja interrompa temporariamente todas as vendas e remessas de seus dispositivos enquanto apura os relatos.

“Como precaução, e até a conclusão de nossa investigação, solicitamos à CryptoBilis que suspenda todas as vendas e remessas de dispositivos Ledger”, informou a equipe de suporte da fabricante em publicação no X.

A orientação mais importante é destinada às pessoas que compraram dispositivos da CryptoBilis nos últimos 90 dias. A Ledger recomendou que esses clientes não configurem os equipamentos. Aqueles que já utilizaram as carteiras devem transferir seus criptoativos para outra carteira configurada com uma nova frase de recuperação.

A frase de recuperação, também conhecida como seed phrase, é uma sequência de palavras que permite recuperar o acesso às criptomoedas. Quem obtém essas informações pode controlar os ativos mesmo sem ter acesso físico ao dispositivo original.

A investigação ainda está em andamento. Até o momento, não há confirmação de que uma vulnerabilidade no software ou no hardware da Ledger tenha provocado os supostos roubos. O alerta também não foi estendido a todos os clientes da fabricante, sendo direcionado especificamente às compras recentes realizadas por meio da CryptoBilis.

Investigador aponta perdas superiores a US$ 86 milhões

A suspeita de um problema mais amplo começou a ganhar força depois que Specter divulgou uma análise das movimentações de criptomoedas associadas a relatos de usuários que afirmam ter perdido seus fundos.

Segundo o investigador, o rastreamento identificou endereços que receberam recursos de centenas de carteiras potencialmente comprometidas, envolvendo as blockchains do Bitcoin, Ethereum e Tron.

Somadas, as transferências suspeitas representariam perdas superiores a US$ 86 milhões. O número, entretanto, ainda não foi confirmado pela Ledger nem por uma investigação independente que estabeleça a origem de todos os recursos.

No caso do Bitcoin, três endereços apontados por Specter concentravam aproximadamente 211 BTC. Esses recursos ainda não haviam sido movimentados até a manhã desta sexta-feira.

A análise das transações permite identificar o caminho percorrido pelas criptomoedas, mas não necessariamente esclarece como os criminosos teriam obtido acesso às carteiras.

O caso também chamou a atenção da Security Alliance, organização de especialistas em segurança do setor cripto, que pediu que possíveis vítimas entrem em contato com sua equipe de resposta a incidentes, conhecida como SEAL 911.

Suspeita levanta preocupação sobre carteiras adulteradas

Uma das hipóteses que podem ser consideradas na investigação é a adulteração dos dispositivos antes de chegarem aos compradores, embora não exista confirmação de que isso tenha ocorrido no caso da CryptoBilis.

As carteiras físicas, conhecidas como hardware wallets, são utilizadas para armazenar as chaves privadas que dão acesso às criptomoedas em dispositivos separados de computadores e celulares conectados à internet.

Essa característica reduz determinados riscos de ataques digitais, mas não elimina ameaças relacionadas à cadeia de distribuição, à exposição das frases de recuperação ou à utilização de equipamentos modificados.

Em abril deste ano, por exemplo, um pesquisador de segurança identificou dispositivos falsificados que imitavam produtos da Ledger vendidos em uma plataforma de comércio eletrônico chinesa. Segundo a investigação, os equipamentos tinham mecanismos capazes de transmitir informações sensíveis, como PINs e frases de recuperação, a terceiros.

Esse tipo de fraude pode comprometer os ativos mesmo quando a vítima acredita estar utilizando uma carteira física segura.

A Ledger mantém uma rede de revendedores autorizados em diferentes países, incluindo o Brasil. A própria fabricante recomenda verificar a procedência dos dispositivos e confirmar a autenticidade das lojas, especialmente em plataformas de comércio eletrônico que permitem a atuação de vendedores independentes.

O episódio também ocorre poucas semanas depois de outro incidente envolvendo carteiras físicas. Em agosto, uma vulnerabilidade relacionada à geração de frases de recuperação em determinados dispositivos Coldcard, de uma fabricante concorrente, foi associada a perdas estimadas em cerca de US$ 70 milhões em Bitcoin.

No caso da Ledger, porém, a origem das perdas relatadas nesta sexta-feira permanece desconhecida. A empresa afirmou que divulgará novas informações conforme a investigação avançar.

Enquanto isso, a recomendação de segurança continua restrita aos compradores recentes da CryptoBilis, que devem interromper a configuração de novos dispositivos e, se já os estiverem utilizando, migrar os fundos para uma carteira com uma frase de recuperação inteiramente nova.

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