A terceira via terminou o primeiro turno das eleições de 2026 sem repetir o desempenho de candidaturas que, em pleitos anteriores, desafariam a polarização e ultrapassaram 10% dos votos. Nenhum dos quatro nomes deste ano que não apoiaram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tampouco marcharam com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu dois dígitos nas urnas. O escritor Augusto Cury (Avante)chegou a 2,89% dos votos válidos, seguido por Renan Santos(Missão), com 2,25% e Ronaldo Caiado (PSD) com 2,19%. O ex-governador de Minas Romeu Zema chegou a parcos 0,27% dos votos válidos.
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Juntos, esses quatro candidatos — Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — somaram menos de 8% dos votos válidos, enquanto Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentraram pouco mais de 92%. O cálculo do GLOBO inclui na terceira via candidatos que tiveram mais de 2% dos votos. A exceção é a disputa de 1989, a primeira após o fim da ditadura, em que o voto foi pulverizado no primeiro turno entre número recorde de candidatos. O resultado deste ano reforça a concentração da disputa presidencial em torno dos dois polos que vêm dominando a política nacional nos últimos anos.
Em 2018, Ciro Gomes (PDT) terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 12,47% dos votos. Quatro anos depois, o ex-ministro caiu para 3,04%, enquanto a ex-ministra Simone Tebet, então no MDB, em quarto lugar, teve 4,16%. Antes deles, Marina Silva havia alcançado 19,33% do total em 2010 e 21,32% em 2014, quando terminou o primeiro turno na terceira colocação. Anthony Garotinho, em 2002, havia obtido 17,87%. Em 2026, porém, nenhum candidato conseguiu se aproximar destes patamares.
Neste ano, todos os que tentaram ocupar o espaço de terceira via falharam. Entre eles estavam tanto o veterano Caiado, que estreou nas urnas em 1989, e Zema, reeleito há quatro anos para o governo de Minas Gerais, quanto os estreantes Renan Santos e Augusto Cury, que não se mostraram competitivos, embora tivessem feito algum barulho na corrida.
Cury, que disputou sua primeira eleição presidencial, é escritor e empresário. Ele se filiou ao Avante este ano e construiu sua campanha justamente como uma eventual alternativa aos dois principais candidatos. Chegou a ter 11% nas pesquisas no fim de agosto, mas terminou a votação com pouco mais de 3 milhões e 400 mil votos, o equivalente a 2,89% dos votos válidos.
A campanha de Cury tratou especificamente da importância da renovação política, mas não teve eco nas urnas. Caiado, por sua vez, tem trajetória política mais longa. Líder ruralista, médico, foi deputado federal por cinco mandatos, senador e governador de Goiás por dois mandatos. Em sua primeira tentativa de disputar a Presidência, ainda em 1989, recebeu apenas 0,72% dos votos válidos.
Mais de três décadas depois, voltou a se candidatar ao Planalto, pelo PSD, com o apoio do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, seu vice na chapa. A campanha buscou apresentar Caiado como uma alternativa de direita a Bolsonaro, com mais experiência administrativa. O resultado de 2026 foi de pouco mais de dois milhões e 600 mil votos, ou 2,19% dos válidos, colocando o ex-governador em 5º lugar.
Renan Santos, do Missão, chegou à eleição como um nome da direita mais extremada que procurava se diferenciar do bolsonarismo. Seu principal ativo político é a militância no Movimento Brasil Livre (MBL), do qual foi um dos dirigentes. Em sua primeira disputa presidencial, obteve dois milhões e 680 mil votos, 2,24% dos válidos, e terminou em 4º lugar. Durante a campanha, criticou tanto Lula quanto Flávio e sustentou que não apoiaria nenhum dos dois em eventual segundo turno.
Seu desempenho ilustra os limites da estratégia. Assim como os demais candidatos da terceira via, Renan não conseguiu transformar a enorme rejeição aos dois principais polos em votos para alterar a configuração da disputa.
Zema também tentou nacionalizar trajetória estadual bem-sucedida nas urnas. Empresário, entrou na política em 2018 e venceu a eleição para o governo do estado, cargo que ocupou por dois mandatos. Não deu certo. O candidato do Novo disputou eleitores que também orbitavam o bolsonarismo e terminou com pífios 326 mil votos, 0,27% dos válidos, em 6º lugar.
O resultado de 2026 segue padrão observado nas mais recentes eleições: candidaturas alternativas até conseguem aparecer nas pesquisas e mobilizar parcela do eleitorado, mas sem ampliar o voto quando o eleitor se aproxima do momento da definição.