‘Meta, não se meta’: Manifestantes protestam na sede da empresa contra suposta interferência na eleição

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Manifestantes e apoiadores do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniram no final da tarde desta segunda-feira (19), em frente à sede da Meta em São Paulo, para protestar contra supostas interferências da empresa no processo eleitoral. A mobilização acontece no dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 24 horas para que a dona do WhatsApp, Facebook e Instagram comprove que cumpriu a decisão da Corte sobre isonomia na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante o segundo turno das eleições.

Tanto o presidente Lula quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência no segundo turno, acionaram a Justiça Eleitoral contra a Meta sob argumento de que seus conteúdos de campanha têm sido prejudicados nas plataformas da empresa. Segundo os ministros do TSE, os prazos já se esgotaram e não cabe à empresa fixar prazos por conta própria, diferentes dos fixados pelo TSE, passando de 72 horas para cinco dias.

O objetivo do ato, segundo os organizadores, é exigir não apenas o fim dos banimentos e restrições e mais transparência, mas também reparação imediata dos danos e o estabelecimento de canais de apelação e proteção para jornalistas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Também está na pauta dos manifestantes a entrega de uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil, exigindo, entre outras coisas, a exibição de um anúncio na forma “Megafone” a todos os usuários brasileiros de Instagram explicitando que falhas durante as eleições de 2026 afetaram a distribuição e a disponibilidade de conteúdos de usuários e de campanhas no Brasil, prejudicando, em especial, Lula.

Os organizadores também pleiteiam o banimento imediato de anúncios eleitorais ilegais pagos do exterior; a implementação de painel público de transparência; a disponibilização de canal público de revisão conduzido por pessoas; restauração imediata dos conteúdos removidos e as contas banidas por manifestação política legítima; e a instauração de apuração interna das violações já ocorridas.

Na semana passada, o TSE atendeu a um pedido da campanha à reeleição do presidente Lula, que acusou a plataforma de restringir seletivamente a distribuição de publicações ligadas ao seu campo político e de descumprir obrigações previstas na legislação eleitoral. A coligação também questiona limitações no impulsionamento de anúncios de campanha e possíveis diferenças no tratamento dado às candidaturas.

Convocação para o ato foi feita nas redes sociais — Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) também entrou no circuito e deu cinco dias úteis para que a Meta esclareça as denúncias de possíveis violações aos direitos dos usuários na suspensão de contas, na remoção de publicações e na restrição do alcance de conteúdos. Os ofícios foram enviados à Meta hoje, após a abertura de um procedimento administrativo na última sexta-feira (16).

Segundo a ANPD, o procedimento foi motivado por uma manifestação do Ministério Público Federal (MPF), denúncias de organizações da sociedade civil que atuam na defesa da liberdade de expressão e dos direitos digitais e petições enviadas por cidadãos aos canais oficiais da agência.

Entre os problemas relatados estão a falta de justificativas específicas para usuários afetados, a ausência de critérios claros e a ocorrência de bloqueios considerados indevidos ou pouco transparentes. Nesse contexto, a Meta deverá explicar os critérios utilizados para receber denúncias, remover conteúdos e suspender contas.

A gigante americana também vai ter que detalhar quais informações fornece aos usuários afetados e quais medidas adota para evitar o uso abusivo dos mecanismos de denúncia. Outro ponto citado pela ANPD são as decisões tomadas com base no tratamento automatizado de dados pessoais. A agência quer saber como funciona a revisão dessas decisões quando os usuários apresentam recursos.

Estudo aponta falhas e restrições

Uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisou oito incidentes envolvendo plataformas digitais na eleição presidencial — bloqueios de contas, remoções de conteúdo, falhas em métricas e respostas de inteligência artificial — e concluiu que seis tiveram efeitos identificáveis em prejuízo à campanha de Lula ou a conteúdos críticos a Flávio Bolsonaro. Os outros dois episódios envolveram uma falha global na contagem de visualizações e anúncios irregulares contra ambos os candidatos.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que os dados públicos não permitem afirmar que houve interferência deliberada das empresas na disputa. “O quadro sustentado pelas evidências é o de uma eleição em que as plataformas erraram, restringiram conteúdos e foram acionadas na Justiça, e em que os incidentes de plataforma com direção identificável se concentram contra a campanha de Lula”, afirma o relatório.

O levantamento do Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade (Labiia Lab), coordenado por Rafael Cardoso Sampaio, examinou notícias dos primeiros 60 dias de campanha. Foram identificadas 856 matérias de 291 veículos, publicadas entre 16 de agosto e 14 de outubro. Desse conjunto, a equipe selecionou 101 reportagens sobre 16 casos, incluindo denúncias não verificadas, ações de usuários e disputas judiciais.

Testes realizados pelo GLOBO na ferramenta de inteligência artificial da Meta — Foto: Reprodução
Testes realizados pelo GLOBO na ferramenta de inteligência artificial da Meta — Foto: Reprodução

Os oito incidentes destacados são episódios documentados ou observados em testes comparativos. A concentração de efeitos contra um dos lados justifica a investigação, segundo os autores, mas não comprova uma decisão das empresas de favorecer Flávio.

Um dos casos analisados foi a remoção do perfil “Revelando Brasil”, que publicou um vídeo do humorista Fábio Porchat sobre as relações de Flávio com o Banco Master. A Meta admitiu o erro, pediu desculpas e restaurou a conta em poucas horas. Já o site Pragmatismo Político teve publicações removidas e alcance limitado.

Dois testes jornalísticos com ferramentas de inteligência artificial também observaram tratamento desigual. Segundo reportagem do g1 citada no estudo, a Meta AI no WhatsApp se recusou a criar uma imagem com “Lula 13”, mas aceitou “Flávio 22”. Quando o pedido incluiu o sobrenome — “Flávio Bolsonaro 22” —, também houve recusa.

Alvo de uma ação na Justiça Eleitoral por suposto favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro, a Meta reconheceu nesta sexta-feira (16) falhas que impactaram a produção e divulgação de conteúdos relacionados ao presidente Lula nas redes sociais. A empresa negou favorecimento político e pediu o arquivamento da representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O impasse chegou ao TSE, e o ministro Marco Aurélio Bellizze proibiu, nesta na quinta (16), a Meta de restringir sem justificativa o alcance de conteúdos políticos de Lula e Flávio e determinou que não haja favorecimento na ferramenta de IA.

Para encerrar o caso, a gigante americana sustenta que que a falha de métricas foi global e que a distribuição dos conteúdos de Lula ficou acima de seu padrão naquele dia. “Tratou-se de um evento técnico, e não de uma ação direcionada a uma campanha política específica”, afirmou a empresa.

[Fonte Original]

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