A Figure Heloc, uma criptomoeda pouco conhecida, chamou atenção do mercado ao entrar nas últimas semanas, de repente, entre as dez maiores criptomoedas por valor de mercado no CoinGecko. O salto colocou o ativo ao lado de nomes muito mais conhecidos do setor como Bitcoin, Ethereum e Solana, mas deixou muitas dúvidas nos participantes do mercado.
Segundo o CoinGecko, a Figure Heloc, negociada pelo ticker FIGR_HELOC, tem atualmente valor de mercado de cerca de US$ 17,8 bilhões e ocupava a 9ª posição no ranking global de criptomoedas. O cálculo é feito a partir de uma oferta circulante de aproximadamente 17,2 bilhões de tokens e preço perto de US$ 1,03. A própria página informa que essa oferta representa HELOCs tokenizadas emitidas pela Figure na blockchain Provenance e que o supply é calculado com base no saldo principal não pago dos empréstimos.
HELOC é a sigla em inglês para “home equity line of credit”, uma linha de crédito com garantia em imóvel. Na prática, o proprietário de uma casa usa parte do valor do imóvel como garantia para tomar crédito.
Esse tipo de produto é comum nos Estados Unidos e costuma ser usado para reformas, consolidação de dívidas ou outras necessidades de financiamento. No caso da Figure, a proposta é originar esses empréstimos e representá-los em blockchain, transformando contratos de crédito privado em ativos tokenizados.
A Figure Technologies, empresa por trás do projeto, foi fundada em 2018 e se apresenta como uma fintech focada em levar crédito, empréstimos e mercados de capitais para infraestrutura blockchain. Em setembro de 2025, a companhia estreou na Nasdaq sob o ticker FIGR após levantar US$ 787,5 milhões em uma oferta pública inicial que avaliou a empresa em cerca de US$ 5,3 bilhões no preço da oferta. Segundo o Decrypt, a Figure já havia originado US$ 16 bilhões em empréstimos imobiliários desde sua criação e também facilita empréstimos garantidos por criptoativos.
Como funciona a Figure Heloc
A ideia central da Figure Heloc é tokenizar linhas de crédito imobiliário. Em vez de manter esses empréstimos apenas em registros tradicionais, a Figure usa a Provenance, sua blockchain voltada a serviços financeiros, para representar esses ativos on-chain. De acordo com a empresa, isso permitiria aprovações mais rápidas, redução de custos, mais transparência e maior eficiência na negociação ou financiamento desses créditos.
O CoinGecko descreve a Figure como uma fintech que busca conectar finanças tradicionais e infraestrutura cripto, permitindo que usuários emprestem capital para operações lastreadas em ativos reais e que tomadores acessem crédito em dólares usando garantias, inclusive criptoativos. Um dos produtos destacados é o Democratized Prime, no qual investidores podem financiar pools de empréstimos lastreados em ativos como HELOCs e receber rendimento.
Na prática, porém, a Figure Heloc não funciona como uma blockchain de uso geral, como Ethereum ou Solana, nem como uma moeda de pagamento, como Bitcoin ou Dogecoin. Ela é melhor entendida como um ativo de crédito privado tokenizado: uma representação digital de empréstimos imobiliários originados pela Figure. Isso explica por que o projeto aparece dentro das categorias de Real World Assets (RWA) e crédito privado tokenizado no CoinGecko.
Esse enquadramento é justamente o que fez o ativo crescer em relevância nos rankings. Como cada token representa uma parcela de um grande volume de empréstimos, o valor de mercado calculado pelas plataformas pode se tornar muito alto, mesmo que o ativo não tenha a mesma liquidez, dispersão de holders ou uso on-chain de criptomoedas tradicionais.
A página do CoinGecko mostra que praticamente todo o volume de negociação rastreado para FIGR_HELOC vinha da Figure Markets, a própria plataforma ligada ao ecossistema da Figure.
Por que analistas questionam o projeto
A entrada da Figure Heloc no Top 10 levantou críticas justamente por causa dessa diferença estrutural. Segundo reportagem da DL News, críticos argumentam que o token não deveria ser comparado a criptoativos como Cardano, Dogecoin ou outros tokens amplamente negociados, porque teria pouco uso on-chain e baixa liquidez em relação ao tamanho declarado do mercado.
Um dos questionamentos veio de 0xngmi, chefe pseudônimo da plataforma DefiLlama. Ele disse não entender como US$ 12 bilhões em ativos poderiam estar sendo negociados se havia tão poucos ativos na cadeia contra os quais negociar. Também levantou a dúvida sobre se a maior parte dos holders realmente movimenta esses ativos com suas próprias chaves ou se a blockchain estaria funcionando mais como um espelho de uma base de dados interna da própria empresa.
Mike Cagney, fundador da Figure, rejeitou essa leitura. Segundo ele, os empréstimos da Figure estão na Provenance, são negociados diariamente e agora também são usados como garantia na Figure Markets. Para Cagney, embora não sejam ativos como BTC, eles são ativos em uma blockchain pública e devem ser classificados como RWAs tokenizados.
A controvérsia também expõe uma dificuldade mais ampla do mercado de criptoativos: como comparar, no mesmo ranking, moedas nativas de blockchains, memecoins, stablecoins, tokens de governança e ativos financeiros tokenizados. No caso da Figure Heloc, o número bilionário vem do saldo de empréstimos representados on-chain, não necessariamente de uma base ampla de compradores e vendedores negociando livremente o token em várias corretoras.
Essa diferença aparece até nos dados das plataformas. Enquanto o CoinGecko coloca a Figure Heloc como a 9ª maior criptomoeda por valor de mercado, o CoinMarketCap exibe informações conflitantes ou incompletas: a página mostra estatísticas com “suprimento circulante autodeclarado”, mas também afirma na seção de dados ao vivo que o market cap, a oferta circulante e a oferta máxima não estão disponíveis.
Esse alerta é importante porque indica que parte dos dados depende de informações reportadas pelo próprio projeto ou ainda não foi totalmente verificada pela plataforma. Em outras palavras, a Figure Heloc pode representar uma das maiores experiências de tokenização de crédito privado em blockchain, mas ainda há pouca clareza pública sobre liquidez, direitos econômicos exatos dos tokens, distribuição, negociação real e comparabilidade com outras criptomoedas.
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