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quinta-feira, maio 14, 2026

Crítica | G.I. Joe (Comandos em Ação): Missões Silenciosas – Vol. 2 – Plano Crítico

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Há exatamente um ano, entre o terceiro e quarto arcos de G.I. Joe (Comandos em Ação), a Skybound/Image resolveu homenagear Interlúdio Silencioso, a história “muda” da famosa edição #21 da HQ, publicada lá pelos idos de 1984 pela Marvel Comics, e dedicou o mês de abril às Missões Silenciosas, lançando cinco one-shots sem diálogos e onomatopeias por equipes criativas diferentes e focadas também em personagens diferentes, resultando em um literal interlúdio silencioso de um mês para dar um descanso ao incansável Larry Hama que segue escrevendo a HQ principal do universo original dos Joes. Agora, entre o quinto e sexto arcos, a editora repete a dose, só que com cinco one-shots silenciosos protagonizados pelos vilões, ou seja, por personagens que fazem parte da organização Cobra e adjacentes, no que parece uma bem-vinda tentativa de criar uma pequena tradição anual. Como são histórias feitas por equipes diferentes e completamente autocontidas e independentes de continuidade, decidi fazer uma crítica curta para cada uma. Vamos a elas na ordem de publicação?

Baronesa

A Baronesa é recrutada pelo Comandante Cobra para matar determinado figurão em um teatro e ela não titubeia em seguir em frente. No entanto, mal sabe ela que, por razões que só o líder Cobra pode dizer (redundância?), ele também manda Destro com a mesma missão. O que segue é um misto de missão de infiltração com romance que não deveria funcionar, mas que acaba funcionando muito bem, já que, como sabemos, Baronesa e Destro são amantes que ficam a tapas e beijos, algo que o roteiro de Declan Shalvey utiliza muito bem para contar uma história que realmente pede “silêncio” e que Joëlle Jones desenha maravilhosamente bem, não tendo vergonha alguma de apoiar-se na sensualidade da protagonista.

Esse é o tipo de narrativa que, mesmo começando levemente confusa pelo envio dos dois amantes em uma mesma missão, realmente funciona para o formato que Larry Hama inaugurou quase que sem querer em 1984, com Interlúdio Silencioso, em que o silêncio ganha justificativa dentro da história. Some-se à isso as doses cavalares de exploração de um romance conturbado e da exploração – no bom sentido – da feminilidade da Baronesa e pronto, o resultado é uma das melhores histórias desse tipo que consegue usar as limitações impostas à HQ totalmente a seu favor.

G.I. Joe: A Real American Hero – SSSilent Missions: Baroness (EUA, 2026)
Roteiro: Declan Shalvey
Arte: Joëlle Jones
Cores: Mike Spicer
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora: Skybound (Image Comics)
Data original de publicação: 1º de abril de 2026
Páginas: 23

Crimson Guard

Dois Crimson Guards, a elite dos soldados da organização Cobra, acabaram de ser elevados a esse cargo quando os Joes atacam a base em que estão. No caos, um deles é assassinado à sangue frio pelo Comandante Cobra para que ele troque de uniforme e dê a entender que ele morrera, algo que o segundo Crimson Guard, com a máscara parcialmente quebrada para espertamente diferenciá-lo e destacá-lo, testemunha para seu completo horror. No entanto, a lealdade e o dever falam mais alto e esse segundo guarda faz de tudo para impedir que seu líder seja morto ou capturado, mesmo que isso signifique sacrifício pessoal e o soterramento da morte de seu colega.

Trata-se de uma premissa excelente que é executada de maneira quase irretocável por parte de Gabriel Hardman, que comanda roteiro e arte, primeiro ao não economizar na violência que, de certa forma, é até incomum em publicações de G.I. Joe nesse nível mais realista e brutal e, segundo, pelos desenhos acompanharem muito bem o que o roteiro pede em termos visuais, com traços fortes, ação ininterrupta e ótimas justificativas dentro da história para que todo som seja omitido, ainda que não em todos os momentos, sendo sincero. Tenho para mim, porém, que as deficiências desse one-shot no quesito “justificativa para o silêncio”, que reputo muito importante para histórias dessa natureza, são quase que totalmente compensados pelas qualidades que descrevi logo acima, efetivamente fazendo dessa edição outro exemplar de altíssimo nível desse “subgênero” de HQs que, se não foi criado por Larry Hama, definitivamente foi popularizado por ele.

G.I. Joe: A Real American Hero – SSSilent Missions: Crimson Guard (EUA, 2026)
Roteiro: Gabriel Hardman
Arte: Gabriel Hardman
Cores: Matt Hollingsworth
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora: Skybound (Image Comics)
Data original de publicação: 08 de abril de 2026
Páginas: 23

Zartan

No one-shot protagonizado por Zartan, líder dos Dreadnoks, Tom DeFalco apoia-se, claro, na habilidade camaleônica do personagem em uma história em que ele quer roubar uma bomba usada logo no começo da edição. Apesar de a maior característica de Zartan ser sem dúvida apropriada para uma história sem texto, o roteirista, aqui, falha em dar contexto e motivavação para o que o vilão quer fazer e o porquê ele precisa enfrentar tanto a organização Cobra quanto os Joes. O “querer por querer” não basta e a grande qualidade de uma HQ silenciosa é justamente conseguir transmitir informações complexas sem fazer uso de balões de fala e pensamento ou mesmo de onomatopeias, algo que DeFalco falha em fazer aqui, com a arte comportada de Pat Olliffe não conseguindo suprimir essa falta.

Além disso, o artifício de mudança de identidade por parte de Zartan cansa, pois ele é usado por vezes demais, constantemente demais, impedindo que esses momentos sejam trabalhados de maneira mais cadenciada, criando um mínimo de surpresa e tensão. Tudo o que é usado demais acaba sendo banalizado e é exatamente isso que acontece aqui, com o protagonista dependendo demais da conveniência de seu “poder” e absolutamente mais nada. E, como se isso não bastasse, por razões que me fogem por completo, especialmente quando lembro dos one-shots dedicado à Baronesa e ao Crimson Guard, toda a violência é sanitizada, sem que haja mortes ou mesmo apenas ferimentos graves, fazendo de Zartan um camaleão “bonzinho” que não quer fazer mal a ninguém. Faltaram variedade e crueza, sobraram mesmice e ternura.

G.I. Joe: A Real American Hero – SSSilent Missions: Crimson Guard (EUA, 2026)
Roteiro: Tom DeFalco
Arte: Pat Olliffe
Cores: John Kalisz
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora: Skybound (Image Comics)
Data original de publicação: 15 de abril de 2026
Páginas: 23

Copperhead

Copperhead é um personagem com relativamente muito pouco uso nos quadrinhos da franquia G.I. Joe, apesar de ele existir, como “bonequinho”, desde quase o começo da linha de brinquedos da Hasbro e chega a ser curioso sua escolha para protagonizar um dos one-shots desse segundo volume de Missões Silenciosas, mesmo que seu design seja muito bacana. Seja como for, o que importa é se a história funciona e, aqui, nós o vemos em uma breve missão no começo, que o leva a um apartamento luxuoso, mas quase vazio na cidade em que ele olha deprimido para uma fotografia de seu filho e, a partir daí, começa uma noitada de excessos com bebida, jogatina, pancadaria e corridas perigosas. Howard Porter parece criar, aqui, um “típico dia de um personagem profundamente perturbado”, o que é uma abordagem muito boa e rara de se ver por aí que teria ficado melhor ainda se fosse alguém com quem o leitor tivesse mais conexão do que o quase anônimo piloto do Water Mocassin.

Se Porter acerta na premissa, ele erra na construção da história quando a coloca no papel. Sua arte é muito bonita, no estilo mais cru de seu colega Gabriel Hardman, só que bem mais detalhista, mas a progressão visual é confusa, até mesmo bagunçada, com as cenas de ação episódicas demais e sem que uma leve naturalmente à outra. Entendo a tentativa de mostrar o que Copperhead faz quando sente o vazio da distância de seu filho (ou da morte do garoto, realmente não sei) e entendo que parte da cinética da história reflete o turbilhão que se passa em sua cabeça, mas o roteirista/desenhista não consegue ser eficiente na compartimentalização de situações e embola demais uma história com grande potencial, entregando algo que, no final das contas, fica aquém do que ela poderia ser.

G.I. Joe: A Real American Hero – SSSilent Missions: Copperhead (EUA, 2026)
Roteiro: Howard Porter
Arte: Howard Porter
Cores: Romulo Fajardo Jr.
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora: Skybound (Image Comics)
Data original de publicação: 22 de abril de 2026
Páginas: 23

Firefly

Firefly é um dos vilões mais clássicos da franquia G.I. Joe e, mesmo não sendo um ninja, seu uniforme poderia muito facilmente ser de um e sua especialidade – sabotagem, exige técnicas de infiltração que se assemelham aos ninjas. Portanto, ele é o personagem perfeito para, pelas mãos certas, ganhar uma abordagem silenciosa em um one-shot e fica evidente que Jorge Fornés no roteiro e na arte é definitivamente quem precisava capitanear essa história em que o mercenário precisa obter informações de uma base russa na Sibéria. Usando narrativa clássica e também o tipo de experimentação gráfica que Matt Fraction e David Aja fizeram em seu já clássico run do Gavião Arqueiro, Fornés cria uma história simples, mas imediatamente engajante que funciona maravilhosamente bem nesse formato que que consegue ser ainda melhor do que a HQ que sedimentou a tendência de histórias silenciosas em quadrinhos lá atrás, em 1984.

Fornés mantem-se objetivo no que quer fazer, mas consegue entregar momentos variados para mostrar as técnicas e a letalidade de Firefly ao longo da edição, além de estabelecer uma certa dubiedade de intenções no protagonista, deixando para revelar suas verdadeiras intenções somente no epílogo que abre uma janela para seu passado e deixa a história em suspenso, permitindo que o espectador imagine o final. As cores de Dave Stewart acompanham toda a atmosfera de espionagem e infiltração do one-shot, jamais valendo-se de momentos mais chamativos do que a arte em si, o que mostra um relacionamento azeitado de confiança entre os dois artistas. Essa é facilmente uma história que poderia ganhar uma minissérie inteira muda e eu dificilmente reclamaria.

G.I. Joe: A Real American Hero – SSSilent Missions: Firefly (EUA, 2026)
Roteiro: Jorge Fornés
Arte: Jorge Fornés
Cores: Dave Stewart
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora: Skybound (Image Comics)
Data original de publicação: 29 de abril de 2026
Páginas: 23



[Fonte Original]

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