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quinta-feira, maio 21, 2026

Coluna vertebral da economia, setor de distribuição de combustíveis encara diversas complexidades

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As empresas distribuidoras de combustíveis e lubrificantes movimentam o equivalente a 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do comércio brasileiro, geram 447 mil empregos diretos e indiretos, com uma massa salarial de R$ 18,6 bilhões, e alcançam todos os 5.569 municípios. Arrecadaram, em 2025, estimados R$ 232 bilhões em tributos. A cada hora, são abastecidos 200 mil veículos em todo o território nacional, numa operação que garante o consumo de 137 bilhões de litros por ano.

Apurados por uma das maiores empresas de consultoria do país, a LCA Consultoria Econômica, com 30 anos de atuação no mercado, os números dão a dimensão da importância do setor para a mobilidade e a economia do país. As companhias operam com margem bruta de cerca de 5%, o que evidencia sua alta eficiência com baixo excedente – por outro lado, as torna vulneráveis a instabilidades e mudanças bruscas. Existem também questões estruturais, como a dimensão do país, como afirma Gustavo Madi, diretor da LCA.

— O combustível comercializado nos postos percorre um longo caminho, consolidado pelas distribuidoras a partir de diferentes fontes. A parte fóssil vem, em geral, de estados mais próximos do litoral, enquanto os biocombustíveis são fornecidos principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Além disso, os lubrificantes ainda passam pela coleta de óleo e de embalagens utilizados, para que ambos sejam reaproveitados.

Hoje, as distribuidoras também exercem um papel estratégico para a segurança energética nacional ao complementar a oferta doméstica de combustíveis por meio da importação de diesel. Como a Petrobras responde por cerca de 70% da produção interna e não participa diretamente desse esforço de importação, cabe ao setor de distribuição assumir os riscos logísticos e financeiros da compra externa para evitar desabastecimento. Além de levar combustíveis a todos os cantos do país, as distribuidoras atuam para sustentar a continuidade do abastecimento mesmo em cenários de instabilidade internacional.

O preço dos combustíveis no Brasil é resultado de uma cadeia extensa, que vai muito além da bomba. Entender o papel de cada etapa, do refino ao consumo final, é fundamental para uma leitura mais precisa sobre o abastecimento no país. Nesse contexto, a distribuição se mantém como um elo essencial para assegurar que o produto chegue com regularidade, qualidade e segurança a todas as regiões — dinâmica acompanhada pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), representante do setor. Esse segmento atua, portanto, como a coluna vertebral da economia e da mobilidade nacionais, como aponta David Zylbersztajn, presidente do conselho de administração do Sindicom e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

— A distribuição conecta refinarias e importadores ao consumidor final, garantindo que a energia motora do país flua sem interrupções. O setor é o garantidor da qualidade, disponibilidade e segurança energética em todo o território nacional.

Distribuidoras respondem por menos da metade dos 13% relativos à distribuição e revenda no preço final dos combustíveis — Foto: Getty Images/alkimsarac

Impactos sobre os preços finais

Na composição do preço final dos combustíveis, o maior peso está nos custos de produção e importação, que representam 61% do total, segundo análise da LCA com base em dados da ANP. Tributos respondem por 16%, e a mistura obrigatória de biocombustíveis, por 10%. Distribuição e revenda somam os 13% restantes — e, dentro dessa parcela, a fatia das distribuidoras é inferior à metade.

A participação da distribuição na formação do preço final ao consumidor é baixa, apesar de toda a complexidade das operações, que envolvem transporte, armazenagem e qualidade, já que o setor atua como um filtro e valoriza rigorosos processos laboratoriais que garantem que o produto atenda às normas da ANP antes da comercialização.

— A volatilidade internacional, os desafios logísticos e a carga tributária são os principais fatores que explicam a variação de preços dos combustíveis no Brasil. Entre os desafios enfrentados pelas distribuidoras está a informalidade, que dificulta a fiscalização sobre as fraudes. Ainda assim, as empresas entregam um trabalho de qualidade e eficiência — afirma Marcio Lago, professor de estratégia e precificação, pesquisador da FGV Energia e ex-Superintendente de Estudos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas.

Visão sistêmica pela previsibilidade regulatória

Diante de um cenário de complexidade estrutural e novos desafios geopolíticos, o poder público busca equilibrar o alívio social e a preservação do mercado por meio de medidas fiscais e regulatórias, como a desoneração do diesel e subsídios temporários. Paralelamente, avançam no Congresso Nacional propostas como os PL 399/25 e PLP 109/25, que buscam reforçar mecanismos de controle e transparência, tentando dar uma resposta institucional à volatilidade.

— É preciso cautela para que o remédio não se torne um veneno. Buscar culpados ou ameaçar punições aos agentes da ponta é um equívoco que desorganiza o mercado. Os preços respondem à lógica de oferta e demanda e, assim como acontece com todas as commodities, as oscilações no cenário internacional são sentidas diretamente no valor cobrado nos postos — diz Zylbersztajn.

Embora o apoio fiscal seja necessário em momentos de crise, a solução reside na previsibilidade e na clareza regulatória, reforça ele:

— É importante desconfiar de soluções simplistas e intervenções diretas, pois o único caminho para proteger a economia e o consumidor é o respeito às dinâmicas de mercado e o reconhecimento da complexidade técnica dessa cadeia integrada. Afinal, combustível mais caro é sempre aquele que falta.

Com 114 anos de história, iniciada com a autorização presidencial para o funcionamento da primeira empresa, em 1912, o setor de distribuição de combustíveis já atravessou dezenas de guerras, crises, mudanças econômicas e transformações regulatórias profundas. Superou até mesmo a Segunda Guerra Mundial e a crise do petróleo dos anos 1970, sem que houvesse interrupção do abastecimento nacional. A capacidade de adaptação logística construída ao longo de décadas é apontada pelo Sindicom como um dos pilares da segurança energética brasileira.

[Fonte Original]

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