Crédito, Reuters
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O Tribunal de Apelações de Paris considerou a companhia aérea e a fabricante de aeronaves culpadas de homicídio culposo corporativo (em que não há intenção de matar) pela queda do avião no Oceano Atlântico.
O Airbus A330 desapareceu dos radares durante uma tempestade, e seus destroços foram encontrados após uma longa busca em uma área de 10 mil quilômetros quadrados do fundo do mar.
A caixa preta foi encontrada após meses de buscas em alto mar, em 2011.
Todos os 12 tripulantes e 216 passageiros a bordo morreram quando o avião caiu no mar de uma altura de 11.580 metros — tornando-se o acidente mais mortal da história da aviação francesa.
Parentes de alguns dos passageiros, principalmente franceses, brasileiros e alemães, reuniram-se na quarta-feira (20/05) para ouvir o veredito.
As empresas foram condenadas a pagar a multa máxima, de 225 mil euros (R$ 1,3 milhão) cada — mas algumas famílias das vítimas criticaram o valor, considerando-o uma penalidade meramente simbólica.
Durante as alegações finais do julgamento em novembro, os promotores afirmaram que o comportamento das empresas havia sido “inaceitável”, acusando-as de “proferir absurdos e inventar argumentos”.
Tanto a Airbus quanto a Air France negaram repetidamente as acusações, e analistas jurídicos acreditam que elas vão recorrer novamente.
A BBC entrou em contato com a Airbus e a Air France em busca de uma manifestação das empresas.
O acidente aéreo desencadeou uma complexa operação de resgate em uma área remota do Oceano Atlântico, a mais de 1.127 km da costa da América do Sul.
Durante as buscas iniciais, o governo francês ficou responsável pela investigação do acidente, enquanto as forças brasileiras assumiram a responsabilidade pela recuperação dos corpos.
Nos primeiros 26 dias de buscas, 51 corpos foram recuperados, muitos ainda presos aos cintos de segurança.
O pai de uma das vítimas disse à BBC News Brasil em 2019 que só conseguiu enterrar os restos mortais do filho mais de dois anos após o acidente. Seu filho, Nelson Marinho Filho, um engenheiro de 40 anos, quase perdeu o voo que partiu do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e foi o último a embarcar, segundo funcionários da Air France.