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sexta-feira, maio 29, 2026

Crítica | Planeta dos Macacos vs. Quarteto Fantástico – Plano Crítico

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Se antes de Planeta dos Macacos mudar de mãos a propriedade intelectual originalmente da Fox ganhou crossovers com Lanterna Verde, Tarzan, King Kong e Star Trek, não havia razão alguma para que, agora, repousando debaixo do mesmo guarda-chuva corporativo que a Marvel Comics, não houvesse mais tentativas de extrair dinheiro de leitores de quadrinhos. Diria até que demorou para isso acontecer, talvez com a editora preferindo começar as experimentações com propriedades mais óbvias, ou seja, Alien e Predador, para então partir para abordagens mais inusitadas e, mesmo assim, depois de um one-shot tímido não conectado com os personagens Marvel. Seja como for, chega a ser até natural que estejamos, hoje, falando de um crossover entre Planeta dos Macacos e Quarteto Fantástico, presumivelmente o primeiro de muitos desses cruzamentos entre os símios altamente desenvolvidos e os heróis e vilões do panteão da Marvel.

A presença do Vigia logo na página inicial já deixa bem claro que estamos falando de um universo alternativo ao principal da Marvel Comics, mesmo que o roteiro de Josh Trujillo faça força para deixar claro – até quando for conveniente – que a linha temporal do Planeta dos Macacos em si permanece intocada, com a ação se passando algum tempo depois do longa original de 1968, mas muito provavelmente antes do segundo longa ou no máximo em paralelo, diante do que acontece no final. No frigir dos ovos, muito sinceramente, a não ser que o leitor tenha profundo T.O.C. com questões de continuidade, esses detalhes pouco realmente interessam, já que o que importa é se a história funciona. E, já respondendo, por mais improvável que parecesse para mim quando soube da minissérie em quatro edições, já que ela tinha toda a cara de ser um mero caça-níqueis, confesso que o resultado final acabou sendo satisfatório.

A história já começa com o Sue, Reed, Johnny e Ben, sem poderes, acorrentados e prestes a serem julgados pelo tribunal símio liderado pelo Dr. Zaius, com um breve flashback mostrando que os quatro foram parar por lá por culpa do Fantasma Vermelho e seus super-símios, que invadiram o Edifício Baxter para usar um gadget do Sr. Fantástico que teve esse resultado “espaço-temporal-despoderador”, chamemo-lo assim. A surpresa, que não é lá tão surpreendente assim, é que, quando o quarteto é obviamente condenado, Zaius, Zira, Cornelius e Ursus recebem os poderes sumidos, com o primeiro passando a ter pele de pedra, a segunda ganhando invisibilidade, o terceiro elasticidade e, finalmente, o último tornando-se o Tocha Símio. Com o Fastmasma Vermelho ajudado pelo Doutor Destino empurrando os camponeses símios na direção de uma revolta, o Quarteto Fantástico e o Quarteto Macacástico partem até a nave de Taylor no fundo de um lago para, com a tecnologia lá existente, reverter o ocorrido.

Entre referências bem sacadas ao filme original, mas também a Conquista do Planeta dos Macacos e, no final, a Fuga do Planeta dos Macacos, os símios superpoderosos tendo que lidar com suas novas habilidades, valendo especial destaque para Ursus que deixa o poder subir à cabeça, claro, a minissérie caminha sem maiores solavancos, ainda que as conveniências e facilidades sejam muitas e o plano maligno do Fantasma Vermelho nunca realmente fique claro.  A arte de Andrea Di Vito consegue até mesmo elevar o roteiro de Trujillo, já que o desenhista não se contenta a fazer apenas o básico, trabalhando com splash pages e belas composições de páginas com muito uso de transições fluidas, quase experimentais. Além disso, o italiano consegue capturar muito bem o imagético dos filmes clássicos da franquia símia, com as cores de Erick Arciniega encaixando-se perfeitamente na paleta de cores do longa original.

Planeta dos Macacos vs. Quarteto Fantástico consegue fazer levemente mais do que crossovers quase aleatórios do tipo costumam fazer, mesmo que ele não reinvente a roda ou seja particularmente sofisticado. Com simplicidade e uma sadia carga de homenagem ao primeiro filme baseado no romance de Pierre Boule, além do esforço da equipe em encaixar a história na linha temporal de Planeta dos Macacos, o crossover é uma divertida e inusitada leitura que deixa aquele gostinho de “quero mais”, o que é bem mais do que costuma acontecer em obras assim. Que venha o próximo!

Planeta dos Macacos vs. Quarteto Fantástico (Planet of the Apes Versus Fantastic Four – EUA, 2026)
Contendo: Planet of the Apes Versus Fantastic Four #1 a 4
Roteiro: Josh Trujillo
Arte: Andrea Di Vito
Cores: Erick Arciniega
Letras: Joe Caramagna
Editoria: Martin Biro, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 04 de fevereiro, 11 de março, 15 de abril e 27 de maio de 2026
Páginas: 112



[Fonte Original]

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