O Ibovespa teve o pior desempenho mensal desde 2023, em uma correção ditada pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.
A queda no mês, de 7,22%, foi a maior desde o declínio registrado em fevereiro de 2023 (-7,49%) – um movimento que tem como pano de fundo uma saída líquida de estrangeiros de R$14,1 bilhões em maio até o dia 27, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons).
Neste cenário, 21 ações caíram ao menos 10% em maio, com destaque para a baixa de Cosan (CSAN3), enquanto só 6 ações subiram mais de 10%, com atenção para o avanço de 34,63% da Usiminas (USIM5) no período. Veja abaixo os destaques:
Maiores baixas
Cosan (CSAN3): queda de 25,49%
A Cosan (CSAN3) reportou prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão ao final do primeiro trimestre de 2026, em 14 de maio. Em relação ao mesmo período do ano passado, o desempenho melhorou 11%, quando a companhia teve prejuízo de R$ 1,8 bilhão. Os papéis recuaram mais de 5% na sessão seguinte ao resultado.
No noticiário corporativo que afetou também a companhia, a Raízen (RAIZ4), que a Cosan detém participação, apresentou na última quarta-feira (27) mais detalhes de seu plano de reestruturação extrajudicial, incluindo projeções e esclarecimentos sobre as opções que poderão ser escolhidas pelos credores dentro do processo de reorganização da dívida. As ações da empresa caíram 19,05%, cotadas a R$ 0,34, na quarta.
Para analistas, para a Cosan (CSAN3), o plano inclui a possibilidade de conversão de dívida em ações. Dado o tamanho da dívida em relação ao valor de mercado atual da Raízen (R$ 65 bilhões versus market cap de R$ 4,4 bilhões), isso pode provocar uma diluição relevante para os acionistas atuais, incluindo a Cosan.
Continua depois da publicidade
Em termos de valuation, o Goldman estima que a Cosan negocia com desconto de holding de 20%, considerando os valores de mercado de Compass, Rumo (RAIL3), Raízen e Cosan.
Magalu (MGLU3): baixa de 25,25%
A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) foi responsável por algumas das fortes quedas que alguns papéis enfrentaram no mês de maio.
Entre as varejistas de e-commerce, os papéis do Magazine Luiza (MGLU3, R$ 7,15, -9,95%) caíram quase 10%, com analistas avaliando negativamente o desempenho do canal online.
O Magazine Luiza teve prejuízo líquido ajustado de R$ 34 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo lucro de R$11,2 milhões registrado um ano antes. Conforme destaca a XP Investimentos, a varejista reportou resultados fracos no 1T, com vendas pressionadas em meio a um macro desafiador e queima de FCF (fluxo de caixa livre) por sazonalidade e preparação para a Copa do Mundo.
Vamos (VAMO3): desvalorização de 20,52%
O mês de maio foi movimentado tanto pela divulgação do balanço quanto pela apresentação de novo CEO da companhia. O resultado do primeiro trimestre de 2026 não foi bem recebido pelo mercado e os papéis caíram 7,48%.
Agora, nos últimos dias do mês, o conselho de administração da Vamos (VAMO3) elegeu Christian Hahn para o cargo de presidente, em substituição a Gustavo Henrique Braga Couto, que deixa a companhia, de acordo com fato relevante da empresa de aluguel e gestão de frotas de veículos pesados.
Continua depois da publicidade
O papel já vinham de quedas como no dia 22, que recuo 3,56%, e no dia 26, que caiu 3,86%. A mudança também foi recebida pelo mercado com desconfiança e os papéis recuaram 1,24% na sessão do anúncio. Mesmo assim, nalistas do mercado financeiro interpretam a troca de liderança como um reflexo do atual momento operacional da empresa.
Com a notícia, o Bradesco BBI reiterou a recomendação de compra das ações da Vamos, estipulando o preço-alvo para o fim do ano de 2026 em R$ 6,00. O JPMorgan também manteve a recomendação de compra para o papel.
Axia (AXIA6): queda de 16,07%
Mais uma vítima da temporada de resultados, a Axia não chegou a ter números decepcionantes. A XP Investimentos comenta que os resultados vieram ligeiramente abaixo do esperado, mas não considera esse resultado preocupante. No entanto, já esperava uma reação negativa do mercado, já que as expectativas em relação aos dividendos podem ter ficado aquém do esperado.
Continua depois da publicidade
A Genial Investimentos, por sua vez, avalia que a Axia apresentou um forte desempenho operacional no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pela expansão do segmento de geração em meio ao processo de descotização da companhia e ao cenário de preços de energia mais elevados no mercado de curto e longo prazo.
Mais pra frente, o analistas do Bradesco BBI revisaram para baixos as estimativas para o segundo trimestre de 2026 da Axia Energia (AXIA3, AXIA6), mas reiteraram a recomendação de compra para as ações.
Apesar do recuo esperado nos resultados no próximo trimestre, o banco elevou o preço-alvo da AXIA3 para o final de 2026, de R$ 72,0 para R$ 73,0, e manteve o da AXIA6 em R$ 80,0 por ação, valor equivalente a um prêmio de aproximadamente 10% sobre a AXIA3.
Continua depois da publicidade
Vivara (VIVA3): queda de 15,55%
Por fim, a Vivara (VIVA3) recuou mais de 11% na sessão seguinte à apresentação do balanço do primeiro trimestre de 2026, no dia 7 de maio. A varejista reportou queda de cerca de 30% no lucro líquido consolidado no primeiro trimestre de 2026, em comparação ao mesmo período no ano anterior.
De acordo com a XP Investimentos, os resultados mais fracos já eram esperados e a Vivara seguiu em linha com a dinâmica de crescimento. Apesar disso, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) encerrou o trimestre abaixo das estimativas, pressionado por despesas maiores com vendas.
Apesar da queda, o JP Morgan destaca que a companhia demonstrou boas tendências de receita, com alta de 14% ao ano. De acordo com os analistas, o resultado reflete uma combinação saudável de preços e volumes na categoria principal de joias.
Continua depois da publicidade
Confira as quedas do Ibovespa em maio:
| Ticker | Preço (R$) | Variação no mês (%) |
| CSAN3 | 3,8 | -25,49% |
| MGLU3 | 5,98 | -25,25% |
| VAMO3 | 3,06 | -20,52% |
| AXIA6 | 56,93 | -16,07% |
| VIVA3 | 21,84 | -15,55% |
| RAIL3 | 13,72 | -15,52% |
| AXIA3 | 52,43 | -15,29% |
| TIMS3 | 21,9 | -15,21% |
| SBSP3 | 27,95 | -14,89% |
| PETR4 | 42 | -14,88% |
| PETR3 | 46,73 | -13,93% |
| UGPA3 | 25,87 | -13,56% |
| RADL3 | 18,69 | -13,07% |
| MRVE3 | 5,85 | -12,43% |
| CMIG4 | 10,76 | -11,66% |
| AZZA3 | 19,3 | -11,62% |
| PRIO3 | 62,25 | -11,27% |
| MBRF3 | 16,01 | -11,06% |
| AURE3 | 12,37 | -10,81% |
| SLCE3 | 15,5 | -10,56% |
| RDOR3 | 34,02 | -10,24% |
| CPFE3 | 43,39 | -9,79% |
| MOTV3 | 14,11 | -9,78% |
| VIVT3 | 33,82 | -9,74% |
| VBBR3 | 29,75 | -9,35% |
| RECV3 | 11,37 | -9,04% |
| ENGI11 | 48 | -8,54% |
| COGN3 | 2,5 | -8,42% |
| EQTL3 | 38,54 | -8,32% |
| CPLE3 | 14,56 | -8,25% |
| ISAE4 | 27,03 | -7,81% |
| B3SA3 | 16,5 | -7,67% |
| BPAC11 | 53,75 | -7,50% |
| BBAS3 | 20,3 | -7,35% |
| BEEF3 | 3,69 | -7,29% |
| EMBJ3 | 73,38 | -7,10% |
| RENT3 | 42,02 | -6,58% |
| BBDC4 | 17,7 | -6,30% |
| ENEV3 | 25,63 | -5,88% |
| ALOS3 | 28,21 | -5,72% |
| ITUB4 | 40,04 | -5,57% |
| FLRY3 | 15,39 | -5,52% |
| BBDC3 | 15,5 | -5,26% |
| IGTI11 | 25,94 | -5,16% |
| ITSA4 | 12,92 | -5,00% |
| SANB11 | 27,16 | -4,90% |
| TAEE11 | 39,15 | -4,58% |
| MULT3 | 29,79 | -4,58% |
| POMO4 | 6,06 | -4,57% |
| EGIE3 | 33,1 | -4,50% |
| HYPE3 | 21,91 | -3,82% |
| YDUQ3 | 9,53 | -3,73% |
| NATU3 | 9,94 | -3,59% |
| KLBN11 | 16,67 | -3,53% |
| CSMG3 | 52,71 | -3,16% |
| ASAI3 | 8,75 | -2,89% |
| PSSA3 | 48,31 | -2,21% |
| SUZB3 | 41,91 | -1,57% |
| WEGE3 | 44,1 | -0,59% |
Maiores altas
Usiminas (USIM5; +34,63%) e CSN (CSNA3; +13,02%)
As siderúrgicas foram destaque de alta do Ibovespa em maio, com destaque principalmente para a Usiminas, que teve um período de diversas elevações de recomendação. A CSN também esteve entre as maiores altas do índice do índice.
Na visão do Bradesco BBI, os fundamentos da Usiminas têm surpreendido positivamente em relação às suas expectativas iniciais, mas a forte valorização recente já parece incorporar a melhora na perspectiva de resultados para 2026, além dos reajustes de preços implementados entre abril e junho. A recomendação é neutra para os ativos.
Para o banco, embora ainda veja espaço para novas altas nos preços do aço plano no Brasil nos próximos meses, a pressão de custos – combinada a contratos com defasagem de repasse – tende a limitar a expansão de margens nos próximos trimestres, risco que entendemos ainda não estar totalmente precificado pelo mercado. “Além disso, sinais de demanda mais fraca podem restringir a capacidade das siderúrgicas locais de sustentar paridade de preços favorável”, aponta a equipe de análise.
O BBI entende que o equilíbrio entre risco e retorno da tese se tornou menos interessante nos níveis atuais.
Já o Goldman Sachs elevou a recomendação para os ativos no fim do mês para compra, apostando em uma melhora relevante no cenário para o setor de aço no Brasil e no posicionamento da companhia para capturar esse movimento.
A revisão reflete uma visão mais construtiva para a dinâmica de oferta e demanda no mercado brasileiro de aço, que deve favorecer empresas com maior alavancagem operacional aos preços domésticos — caso da Usiminas, segundo os analistas.
De acordo com o banco, o ambiente para o aço no Brasil começa a dar sinais de inflexão após anos de pressão causada pelo avanço das importações, especialmente vindas da Ásia. Dados citados pelo Goldman mostram que as importações de aço caíram 42% na comparação mensal em abril, após um período prolongado de crescimento, em movimento após esforço das barreiras comerciais no país, como aumento de tarifas, estabelecimento de cotas e implementação de medidas antidumping, além da alta de custos globais e gargalos logísticos.
Em relatório recente, o Itaú BBA elevou o preço-alvo para a ação de R$ 9 para R$ 11 e manteve compra para USIM5, diante do momento positivo do mercado de aço no Brasil e possíveis ganhos fiscais ligados a juros sobre capital próprio (JCP) não pagos no passado. Além disso, USIM5 segue com valuation atrativo, mesmo após uma alta de 82% desde a nossa revisão de recomendação em outubro do ano passado, com retorno sobre o fluxo de caixa livre (FCF) de 11% e valor da empresa em relação ao resultado operacional (EV/Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 2,9 vezes estimado para 2027.
“Os resultados do primeiro trimestre de 2026 mais fortes do que o esperado e a melhora das expectativas com o preço do aço também nos levaram a aumentar as expectativas para o Ebitda em 2026 para R$ 3 bilhões, 31% acima das nossas estimativas anteriores. Para 2027, estimamos Ebitda de R$ 3,6 bilhões, 15% superior à projeção anterior”, avalia.
Ambev (ABEV3): alta de 13,02%
No início do mês, as ações da Ambev também passaram por um forte movimento positivo após os resultados do 1T26. Apenas na sessão pós-balanços os ativos saltaram 15,30%.
A XP Investimentos ressalta que o segmento de cerveja no Brasil foi o principal destaque do trimestre, com desempenho sólido em termos relativos frente a pares e expectativas do mercado, superando suas próprias estimativas e compensando resultados mais fracos em outras operações.
Contudo, analistas seguem bastante cautelosos com os papéis: conforme compilação da LSEG, e 14 recomendações, 8 são de manutenção, 4 de venda e 2 apenas de compra. Para boa parte do mercado, mesmo com números bastante positivos, boa parte segue à espera de consistência nos números da companhia.
Para o Bradesco BBI, o trimestre entregou praticamente todos os vetores que os investidores buscavam: crescimento de volumes em Cerveja Brasil mesmo frente a uma base de comparação difícil, precificação significativamente mais forte do que o esperado, disciplina relevante em SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas) e ganho claro de alavancagem operacional à medida que o crescimento de receita acelerou.
Enquanto isso, a receita líquida por hectolitro em Cerveja Brasil avançou 8% no comparativo anual, o ritmo mais forte desde 2023, superando tanto a inflação quanto as suas estimativas.
A visão é da tese de que a reconstrução do portfólio —conduzida ao longo dos últimos anos, com maior foco em premiumização, fortalecimento do mainstream e estímulo aocrescimento da categoria —começa, finalmente, a se traduzir de forma mais clara em poder de preço e ganho de participação de mercado. Assim, o preço-alvo foi elevado de R$ 14 para R$ 15 por ação, mas mantendo recomendação neutra, à espera de evidências mais consistentes de crescimento sustentável de lucros no médio prazo.
Cury (CURY3): alta de 10,60%
As ações de construtoras passaram porforte queda recentemente, em meio ao cenário de alta da inflação dos custos. Contudo, algumas empresas mostraram resiliência, como é o caso da Cury.
Na visão da XP Investimentos, a Cury segue vista como best-in-class, entregando crescimento forte com geração de caixa consistente, com parte da discussão migrando para dividendos, embora com menor upside operacional dado o nível já elevado de execução.
A companhia divulgou seus resultados em meados do mês, apurando lucro líquido de R$ 303 milhões no primeiro trimestre, um avanço de 41,9% na comparação com mesmo período de um ano antes.
A receita líquida do grupo cresceu 32,6% para R$ 1,6 bilhão. Analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$ 279 milhões e receita líquida de R$ 1,5 bilhão, segundo dados da LSEG.
O Bradesco BBI avalia os resultados do 1T26 como positivos, uma vez que a desaceleração da margem bruta – principal ponto de atenção do mercado – se confirmou dentro do esperado, enquanto o lucro veio acima das estimativas e o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) permaneceu em patamar excepcionalmente elevado. O BBI segue atento a riscos externos, mas entende que as estimativas contam com uma margem de segurança confortável.
Lojas Renner (LREN3): avanço de 10,21%
As ações da Renner se destacaram entre as maiores altas, mesmo com um mês não tão favorável para o setor de varejo, com destaque para o fim da “taxa das blusinhas”.
A Lojas Renner reportou no início do mês lucro líquido de R$ 257,3 milhões no primeiro trimestre, expansão de 16,4% em relação ao mesmo período no ano anterior e acima do esperado por analistas.
Segundo a companhia, as vendas no primeiro semestre ainda devem ficar abaixo da média estimada para o ano, mas a companhia espera melhora no segundo semestre e está confiante em alcançar o guidance para 2026, conforme afirmou em teleconferência de resultados o diretor financeiro, Daniel Martins.
Ele destacou que o ambiente de consumo continua desafiador, mas que há também um efeito de base de comparação com a primeira metade de 2025, quando a receita líquida de varejo cresceu 12% no primeiro trimestre e 18,5% no segundo trimestre.
Já em meados do mês, o governo eliminou a tarifa federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50, revertendo a tributação implementada em 2024 e reduzindo novamente o custo das compras cross-border. Antes da tributação, os volumes importados superavam 18 milhões de encomendas mensais no Brasil, caindo para cerca de 11 milhões após a implementação do imposto e posteriormente se recuperando para a faixa de 15–17 milhões.
O imposto federal havia sido introduzido atendendo a solicitações de grupos industriais e varejistas nacionais preocupados com a assimetria tributária em relação a produtos importados vendidos por meio de plataformas online.
Conforme ressalta o Bradesco BBI, a flexibilização das condições de concorrência é naturalmente negativa para os varejistas locais, principalmente para aqueles mais voltados para esse segmento de preço.
Já o JPMorgan pondera que a Medida Provisória remove apenas o imposto federal de aproximadamente 20%, enquanto a cobrança do ICMS pelos estados permanece – vale lembrar que dez estados aumentaram o ICMS sobre essas compras de 17% para 20%.
Além disso, destaca que (1) o setor não está retornando a um cenário de tributação praticamente zero, como era no passado, quando a regulamentação era frouxa e a auditoria de importações era mínima e (2) também acredita que os varejistas locais estão em melhor posição desta vez para enfrentar a concorrência, apresentando preços assertivos, estoque renovado e uma estrutura de suporte mais desenvolvida. Ou seja, a Renner já migrou completamente para o Centro de Distribuição (CD) de Cabreúva, a Riachuelo melhorou significativamente a eficiência de suas fábricas, a C&A descontinuou a produção de eletrônicos, entre outras.
Braskem (BRKM5): alta de 10,11%
As ações da Braskem tiveram sessões de forte emoção, principalmente na primeira quinzena do mês. Especificamente na sessão de 12 de maio, as ações saltaram 29%, após JPMorgan elevar a recomendação para as ações da Braskem para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), refletindo melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança corporativa após a reestruturação societária.
O JPMorgan também avalia que a Braskem deve ser beneficiada pelos avanços recentes no marco de apoio à indústria química brasileira, voltados para melhorar a competitividade dos produtores locais diante do excesso de oferta global e da pressão de importações.
Além disso, operadores de mercado também destacaram um movimento de short squeeze, em meio à alta taxa de aluguel das ações na Bolsa brasileira, o que sugeria um movimento de cobertura de posições vendidas de ações depois da alta registrada com a elevação de recomendação.
A companhia também divulgou seus resultados em maio. O maior grupo petroquímico da América Latina, teve lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre, mais do que duplicando (+107%) o resultado positivo de R$ 698 milhões obtido no mesmo período do ano passado.
Na visão do Bradesco BBI, o 1º trimestre de 2026 foi um trimestre de recuperação, apesar de ainda ficar aquém das estimativas. O Ebitda recorrente da Braskem no 1º trimestre de 2026, de US$ 192 milhões, ficou abaixo tanto da sua estimativa de US$ 229 milhões quanto do consenso da Bloomberg de US$ 251 milhões, embora a recuperação sequencial de 76% em relação ao trimestre anterior tenha sido significativa, mesmo que o nível absoluto permaneça bem abaixo dos US$ 224 milhões do 1º trimestre de 2025.
Para o BBI, apesar de o resultado ter ficado abaixo das suas estimativas e das do mercado, a projeção é de uma forte melhora no Ebitda no segundo trimestre de 2026, à medida que a Braskem se beneficia do aumento significativo nos spreads provocado pela guerra com o Irã.
Smart Fit (SMFT3): valorização de 9%
Os resultados do 1T26 foram considerados bem positivos e guiaram os ganhos da ação da Smart Fit no mês. Apenas na sessão pós-balanço, no dia 7, as ações saltaram 11,66%.
A rede de academias de ginástica teve lucro líquido recorrente de R$ 207 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 47% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto teve resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 672 milhões, alta de 29%, com expansão da margem para 32% ante 31% no mesmo período de 2025.
A XP aponta que a companhia reportou resultados consolidados do 1T aproximadamente em linha, embora com surpresa positiva no lucro líquido devido a melhores resultados financeiros e à consolidação da Fitmaster / TotalPass no México.
O Brasil ficou muito melhor do que suas estimativas, principalmente pelos resultados da TotalPass, enquanto México e Outros Latam compensaram essa surpresa positiva. “Em nossa visão, os resultados sólidos do Brasil, combinados a margens ainda sólidas de academias maduras, devem ajudar a endereçar as preocupações dos investidores em relação a ventos contrários competitivos”, apontam.
Para o Itaú BBA, este foi um resultado oportuno após meses de desvalorização. “A Smart Fit apresentou um 1T26 melhor do que o esperado, superando tanto nossas estimativas quanto o consenso dos analistas em um momento em que os investidores se preparavam para números mais fracos após a recente desvalorização das ações”, avalia.
Confira as altas do Ibovespa em maio:
| Ticker | Preço (R$) | Variação no mês (%) |
| USIM5 | 11,08 | 34,63% |
| ABEV3 | 16,32 | 13,02% |
| CURY3 | 31,73 | 10,60% |
| CSNA3 | 6,71 | 10,36% |
| LREN3 | 14,9 | 10,21% |
| BRKM5 | 10,46 | 10,11% |
| SMFT3 | 18,53 | 9,00% |
| BRAV3 | 20,25 | 8,06% |
| HAPV3 | 12,15 | 5,65% |
| VALE3 | 82,82 | 5,29% |
| DIRR3 | 13,4 | 5,02% |
| BBSE3 | 35,4 | 4,58% |
| CEAB3 | 11,58 | 3,86% |
| BRAP4 | 23,25 | 3,20% |
| TOTS3 | 33,07 | 1,63% |
| CMIN3 | 4,66 | 1,53% |
| GGBR4 | 22,77 | 1,29% |
| CXSE3 | 17,71 | 1,08% |
| CYRE3 | 22,52 | 0,90% |
| GOAU4 | 9,8 | 0,31% |