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quarta-feira, junho 3, 2026

Índice de inadimplentes cresce mais do que base de clientes em bancos digitais, aponta estudo

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Os bancos digitais são líderes em cartão de crédito e empréstimo pessoal ativos no Brasil, no entanto, a taxa de inadimplência tem crescido mais rapidamente do que a base de clientes dessas instituições. Segundo levantamento do birô de crédito Equifax BoaVista, o índice de inadimplentes em bancos digitais cresceu 163,33% entre 2021 e 2025, enquanto a base de clientes avançou 14,95%.

Segundo o levantamento, os bancos digitais passaram a atender de forma exclusiva 47,1% dos indivíduos com cartão de crédito ativo em 2025, avanço de 19,2 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2021. No empréstimo pessoal, a participação chegou a 51,8%, crescimento de 33,8 p.p. no mesmo período.

O estudo também mostra que os bancos digitais tiveram papel central na inclusão financeira de consumidores que ainda não tinham acesso ao crédito. Em 2025, 41,4% dos cartões emitidos por essas instituições representaram o primeiro cartão de crédito dos consumidores, enquanto entre os bancos tradicionais esse percentual foi de 4,9%. Já no empréstimo pessoal, 10,2% dos consumidores que receberam crédito pela primeira vez foram atendidos por bancos digitais, ante 9,9% nos bancos tradicionais.

O estudo também aponta que os bancos digitais registraram crescimento mais acelerado em cartões de crédito e empréstimos pessoais nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, o saldo de crédito ativo dessas instituições avançou mais de 360%, enquanto nos bancos tradicionais o crescimento foi de 35,7%.

Assim, a participação dos bancos digitais no mercado de crédito aumentou. Em 2021, eles respondiam por 11,8% do total de crédito ativo no mercado financeiro e passaram a representar 31,8% em 2025.

Por outro lado, a inadimplência também acelerou nos bancos digitais. O índice de clientes inadimplentes no cartão de crédito saltou de 7,71% em 2021 para 20,31% em 2025. Já nos bancos tradicionais, caiu de 14,57% para 13,6%. No empréstimo pessoal, o percentual de clientes inadimplentes nos bancos digitais passou de 6,55% em 2021 para 13,93% em 2025, enquanto nos tradicionais recuou de 15,24% para 12,99%.

Analistas do mercado já vinham apontando que a piora dos indicadores de inadimplência no crédito ao consumidor no Brasil tem se concentrado em fintechs e instituições financeiras menores, enquanto os bancos incumbentes mostram maior resiliência em suas carteiras.

“O estudo mostra como os bancos digitais passaram a ocupar um papel de alta relevância no acesso ao crédito no Brasil, especialmente entre consumidores que antes estavam fora do sistema financeiro. Ao mesmo tempo, os dados ajudam a entender mudanças no comportamento financeiro dos brasileiros e os desafios que esse novo cenário traz para o mercado de crédito”, afirmou Silvio Santana, vice-presidente comercial de grandes contas da Equifax, em nota.

Para Eduardo Cavalheiro, líder de marketing da plataforma Acordo Certo, os bancos digitais protagonizaram uma transformação no sistema financeiro. “Levar crédito a milhões de pessoas que nunca tiveram acesso a um cartão ou empréstimo é um avanço inegável, e os dados mostram isso com clareza. O próximo passo é garantir que essa inclusão venha acompanhada de educação financeira e ferramentas que ajudem esse novo consumidor a usar o crédito de forma saudável”, disse, em nota.

“Os resultados mostram que os ‘neobanks’ apresentam maior crescimento da inadimplência, tanto no cartão de crédito quanto nos empréstimos pessoais, na comparação com os bancos tradicionais”, afirmou, em nota, Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que participou voluntariamente do estudo.

Segundo ele, parte desse movimento decorre da maior exposição ao risco, já que os bancos digitais passaram a atender a maioria dos consumidores com crédito ativo no país. “Mas os resultados também sugerem a necessidade de aprimoramento dos métodos de ‘score’ de crédito por parte dos ‘neobanks’, que atualmente focam no comportamento dos clientes dentro da própria instituição.”

Mesmo com o avanço dos bancos digitais, os bancos tradicionais ainda mantêm forte relação de confiança com os consumidores. Pesquisa de opinião realizada pela Acordo Certo mostra que 66,9% dos brasileiros acreditam que os bancos tradicionais são os mais preparados para enfrentar uma crise econômica. Além disso, 61,15% consideram os bancos tradicionais sua principal instituição financeira, enquanto 71,5% afirmam que não trocariam um banco tradicional por um digital.

Entre os entrevistados dispostos a migrar para bancos digitais, o principal fator apontado foi o acesso a um maior volume de crédito, citado por 46,9%, seguido por juros menores, com 25,6%.

O estudo também identificou o envelhecimento da população com crédito ativo nos bancos digitais. No cartão de crédito, os consumidores entre 36 e 50 anos passaram a representar a maior parcela dos usuários em 2025, com avanço de 7,3 p.p. em relação a 2021. Já os consumidores entre 51 e 70 anos registraram aumento de 6,3 p.p.

No empréstimo pessoal, a maior parcela está concentrada entre consumidores de 26 a 35 anos, mas houve crescimento relevante da participação de clientes mais velhos. “O envelhecimento da população com acesso ao crédito acompanha a própria transição demográfica brasileira”, observou Gamboa. “Também pode ocorrer a prática de pessoas mais velhas emprestarem o nome para membros mais jovens da família que não têm acesso ao crédito.”

Olhando para a renda, os dados mostram que aumentou o acesso ao crédito entre consumidores de menor renda. Entre 2021 e 2025, o percentual de pessoas com renda presumida de até um salário mínimo que possuem cartão de crédito ativo saltou de 6% para cerca de 20,5%. Já no empréstimo pessoal, esse grupo passou de quase 5% para mais de 14% dos indivíduos.

Ao mesmo tempo, a inadimplência avançou em ritmo ainda mais acelerado entre consumidores de baixa renda. No cartão de crédito, o percentual de inadimplentes desse grupo passou de cerca de 9,5% em 2021 para aproximadamente 33% em 2025. Já no empréstimo pessoal, o índice subiu de pouco mais de 8% para 25%.

O estudo “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026” foi desenvolvido pela Equifax BoaVista, que analisou mais de 165 milhões de CPFs. Os dados foram complementados por uma pesquisa de opinião realizada pela Acordo Certo com quase 2,3 mil usuários.

[Fonte Original]

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