O Brasil tem uma produção cinematográfica rica, diversa e cheia de obras que marcaram gerações, mas nem sempre é fácil saber onde encontrá-las sem gastar nada.
É aí que entra o Tela Brasil, plataforma de streaming gratuita mantida pelo Ministério da Cultura que reúne centenas de títulos do cinema nacional, de curtas premiados internacionalmente a longas-metragens que entraram para a história.
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Se você ainda não explorou o catálogo, está perdendo muito. Para facilitar a sua busca, reunimos 10 filmes que são, cada um à sua maneira, indispensáveis. Da crítica social mais contundente ao drama histórico emocionante, passando pela animação premiada que encantou o mundo, esta lista tem de tudo.
Confira!
Tela Brasil: 10 filmes para assistir no streaming grátis
10. Ilha das Flores (1989)
Começamos com um curta-metragem de apenas 13 minutos que é, ao mesmo tempo, um soco no estômago e uma aula de cinema.
Dirigido por Jorge Furtado e produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, Ilha das Flores usa o trajeto de um tomate, da lavoura ao lixão, para expor com precisão cirúrgica a crueldade das desigualdades sociais.
A linguagem quase científica do narrador contrasta brutalmente com as imagens de mulheres e crianças disputando restos de alimento, tornando a crítica ao sistema econômico ainda mais devastadora.
O curta acumula prêmios impressionantes: Urso de Prata no Festival de Berlim em 1990 e, em 2019, foi eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) o melhor curta-metragem brasileiro da história.
Em 1995, a crítica europeia o listou entre os 100 curtas mais importantes do século XX. Menos de 15 minutos que valem por um longa inteiro.
9. O Que É Isso, Companheiro? (1997)
Baseado no livro homônimo de Fernando Gabeira, O Que É Isso, Companheiro? narra o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick por guerrilheiros de esquerda em setembro de 1969, durante os anos mais sombrios da ditadura militar brasileira.
Dirigido por Bruno Barreto, o filme tem um elenco que impressiona: Pedro Cardoso, Selton Mello, Fernanda Torres e o americano Alan Arkin compõem personagens que humanizam todos os lados do conflito, sem simplificar o que era, por natureza, uma situação complexa.
O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998 e apresentado no Festival de Berlim no mesmo ano. Para quem gosta de filmes nacionais que disputaram o Oscar, este é imperdível tanto pelo peso histórico quanto pela qualidade narrativa.
8. Terra em Transe (1967)
Uma das obras mais ousadas do Cinema Novo e da história do cinema brasileiro. Glauber Rocha dirigiu Terra em Transe como uma alegoria feroz sobre a política latino-americana, ambientada no fictício país de Eldorado.
O jornalista e poeta Paulo Martins, vivido por Jardel Filho, se vê dividido entre governantes corruptos de todos os espectros ideológicos, numa narrativa que mistura poesia, raiva e desespero com uma intensidade rara.
O filme chegou a ser proibido no Brasil em 1967 por ser considerado subversivo, mas acabou sendo exibido em Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI. No ano seguinte, conquistou o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno.
A Abraccine o elegeu o quinto melhor filme brasileiro de todos os tempos. Quase seis décadas depois do lançamento, Terra em Transe segue absolutamente urgente.
7. Virando Gente
Uma produção que retrata o Brasil popular com afeto e autenticidade. Virando Gente acompanha histórias de pessoas comuns em processo de transformação, capturando dilemas cotidianos com sensibilidade e um olhar atento às camadas sociais que raramente ganham destaque nas grandes produções.
O filme é uma boa pedida para quem quer descobrir títulos menos conhecidos do catálogo, mas com muito a dizer sobre o povo brasileiro.
Disponível gratuitamente no Tela Brasil, é o tipo de obra que costuma surpreender quem chega sem grandes expectativas e sai pensando bastante.
6. Oswaldo Cruz
Antes de falar em vacinas e campanhas de saúde pública no Brasil, é preciso falar neste nome. A produção biográfica sobre Oswaldo Cruz traz à tela a trajetória do médico e sanitarista que, no início do século XX, enfrentou epidemias de febre amarela, varíola e peste bubônica no Rio de Janeiro, muitas vezes contra a própria vontade da população.
É uma história de ciência, coragem e convicção que ressoa de forma surpreendente nos dias de hoje.
Para quem se interessa por história do Brasil e pelos bastidores das grandes transformações do país, é um mergulho essencial. E gratuito.
5. Olga (2004)
Uma das produções mais ambiciosas do cinema brasileiro dos anos 2000. Olga conta a história real de Olga Benário Prestes, militante comunista alemã de origem judaica que veio ao Brasil para proteger Luís Carlos Prestes, se apaixonou por ele e acabou sendo deportada pelo governo Vargas para a Alemanha nazista mesmo grávida.
Fernanda Torres entrega uma atuação visceral num papel que exige força, fragilidade e determinação em doses iguais.
Dirigido por Jayme Monjardim, o filme não poupa o espectador da crueldade histórica que cercou a vida de Olga, mas também não deixa de retratar o amor que a sustentou até o fim.
Um dos dramas históricos mais importantes já realizados no Brasil, e que merece ser (re)assistido com toda a atenção.
4. A Hora da Estrela (1985)
Adaptar Clarice Lispector para o cinema seria um desafio para qualquer diretor do mundo. Suzana Amaral encarou a tarefa com A Hora da Estrela e saiu vitoriosa.
O filme acompanha Macabéa, uma jovem nordestina ingênua e solitária que vive em São Paulo sem conseguir pertencer ao lugar, ao tempo ou às pessoas ao seu redor.
Marcélia Cartaxo cria uma personagem que é simultaneamente invisível e inesquecível, rendendo a ela o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim em 1986.
É o tipo de filme que não se esquece. Uma obra sobre deslocamento, solidão e a existência das pessoas que o mundo ignora, filmada com precisão e profunda humanidade.
Quem curte filmes nacionais de peso disponíveis na Netflix vai encontrar aqui um padrão de qualidade que se mantém décadas depois.
3. O Menino e o Mundo (2013)
Alê Abreu criou algo verdadeiramente único com O Menino e o Mundo. A animação brasileira acompanha um menino que sai em busca do pai pelo mundo e encontra, no caminho, beleza, injustiça, industria e resistência.
Sem diálogos convencionais e com um visual de tirar o fôlego, que mistura aquarela, colagem e técnicas artesanais, o filme fala de capitalismo, trabalho e infância de uma forma que alcança crianças e adultos com a mesma força.
O longa foi indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2016 e ganhou prêmios em festivais pelo mundo inteiro.
É uma prova cabal de que a animação brasileira tem potencial para competir com qualquer produção internacional, e está disponível gratuitamente para quem sabe onde procurar.
2. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
Se Terra em Transe foi citado antes nesta lista, foi também Glauber Rocha quem criou a obra que ocupa a segunda posição. Deus e o Diabo na Terra do Sol é um dos grandes marcos do cinema brasileiro e da história do Cinema Novo.
Ambientado no sertão nordestino, o filme acompanha Manuel, um vaqueiro que, após matar seu patrão, se une a um beato fanático e depois a um cangaceiro, numa jornada épica sobre fé, violência e libertação.
A fotografia em preto e branco do sertão árido, a trilha sonora de Sérgio Ricardo e as imagens que parecem pinturas em movimento consolidaram Glauber Rocha como um dos cineastas mais importantes do século XX.
Quem ainda não viu este clássico e não tem acesso à Amazon Prime, pode conferir gratuitamente no Tela Brasil, já que o título também está disponível no Prime Video.
1. Carandiru (2003)
O filme que encabeça esta lista é também um dos maiores fenômenos do cinema nacional. Dirigido por Hector Babenco e baseado no livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella, Carandiru leva às telas o cotidiano do maior complexo penitenciário da América Latina e o massacre de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar durante uma rebelião.
O elenco coletivo e poderoso dá voz a dezenas de histórias dentro de um sistema que costuma apagar identidades.
Carandiru foi o filme brasileiro mais assistido do ano de seu lançamento, com mais de 4,5 milhões de espectadores nas salas de cinema.
Mais de duas décadas depois, a obra segue relevante como documento histórico e como cinema de alto nível.
Para ver no Tela Brasil sem gastar nada, e vale muito a pena também conferir como usar o streaming na sua Smart TV para aproveitar a experiência na tela grande.
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