Bom dia. Estamos na sexta-feira, 5 de junho.
Cenários
Nesta sexta-feira (5), volta do feriado de Corpus Christi, a agenda doméstica está esvaziada, o que deve concentrar as atenções nos indicadores internacionais. O principal destaque do dia é a divulgação do relatório de emprego não agrícola (“non farm payroll”) referente a maio, o indicador de emprego mais importante dos Estados Unidos.
A expectativa dos investidores é de uma desaceleração no mercado, com a criação de 85 mil vagas, abaixo das 115 mil vagas abertas em abril. No entanto, as expectativas vão além da desaceleração. A projeção para a taxa de desemprego é de estabilidade em 4,3%, mesmo percentual observado em abril.
O indicador é um dos mais acompanhados pelos investidores, ao lado dos índices de inflação, que devem ser divulgados na próxima semana. Os números de emprego mostram as variações no ritmo da atividade econômica e na temperatura do mercado de trabalho, o que influencia diretamente a trajetória dos juros definida pelo Federal Reserve (FED), o banco central americano.
A próxima reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), versão americana do Comitê de Política Monetária (Copom), está agendada para os dias 16 e 17 de junho. O resultado já está definido para os investidores. As expectativas são de manutenção dos juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, com 96,4% de probabilidade. No entanto, à medida que o ano avança, aumenta a expectativa de uma elevação dos juros americanos devido à persistência da inflação acima da meta.
Na semana que vem será divulgada a inflação americana ao consumidor medida pelo Consumer Price Index (CPI) de maio. A projeção para o índice geral nos 12 meses até maio é de uma alta de 4,2%, acima dos 3,8% registrados nos 12 meses até abril e mais que o dobro da meta de 2%. No caso do núcleo do CPI, que exclui os preços mais voláteis dos alimentos e da energia, a projeção é um pouco menos grave, mas mesmo assim negativa. Espera-se uma inflação de 2,9% em 12 meses, acima dos 2,8% nos 12 meses até abril.
A variação do núcleo do CPI é um bom indicador de como a alta persistente dos preços do petróleo e dos combustíveis está se espalhando pelos outros segmentos da economia americana. O conflito entre Estados Unidos e Irã que começou em 28 de fevereiro travou as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz, o que elevou o preço do barril de US$ 70 para uma faixa entre US$ 90 e US$ 110.
Esse aumento de cerca de 43% nas cotações da commodity pressiona os preços dos combustíveis e os de insumos dependentes de petróleo, como plásticos e fertilizantes, o que se transmite para os índices de inflação. A questão é como o FED vai atuar sob a direção de Kevin Warsh, indicado por Donald Trump com a recomendação expressa de reduzir os juros nos EUA.
Perspectivas
O petróleo inicia a sessão estável a cerca de US$ 95 o barril. No entanto, os contratos futuros dos índices americanos S&P 500 e Nasdaq estão em baixa no pré-mercado, assim como as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil, com as ações das empresas fabricantes de processadores perdendo força após uma forte alta.
Indicadores
BRASIL
Produção de veículos (Mai)
Esperado: ND
Anterior: – 9,5%
Vendas de veículos (Mai)
Esperado: ND
Anterior: – 7,8%
ESTADOS UNIDOS
Emprego não agrícola / Non Farm Payroll (Mai)
Esperado: 85 mil
Anterior: 115 mil
Taxa de desemprego (Mai)
Esperado: 4,3%
Anterior: 4,3%
Ganho médio por hora trabalhada (Mai)
Esperado: 0,3%
Anterior: 0,2%