Peça-chave na integração do país e no desenvolvimento econômico, o setor de infraestrutura ganhou novo impulso nos últimos anos, com aumento dos investimentos e prioridade para projetos ligados ao enfrentamento das emergências climáticas. Nesse cenário, o BNDES tem papel estratégico no financiamento de iniciativas em diferentes regiões. Entre 2023 e 2025, a média anual de aprovações para o setor chegou a R$ 74,8 bilhões.
A infraestrutura liderou as aprovações de financiamentos do banco desde 2023, com R$ 224 bilhões para o setor até o fim de 2025. A perspectiva é que esse montante ultrapasse os R$ 300 bilhões até o fim de 2026. Essas aprovações devem alavancar mais de R$ 430 bilhões em investimentos nos próximos anos.
Nesse novo ciclo, o BNDES buscou caminhos que vão além do crédito tradicional. Um deles é a subscrição de debêntures, que se consolidaram como principal instrumento de financiamento ao setor, atraindo investidores e alavancando recursos no mercado de capitais. A oferta pública de emissão de títulos é, em geral, coordenada pelo próprio banco.
No caso das debêntures incentivadas, há isenção de imposto de renda para os investidores como pessoa física. Já nas debêntures de infraestrutura, os benefícios fiscais são para as empresas emissoras dos títulos.
“Estamos vivendo um ciclo de expansão da infraestrutura muito importante”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, durante seminário sobre avanços e desafios dos investimentos no setor, realizado na sede do banco, no Rio de Janeiro. “Além de gerar emprego, o investimento em infraestrutura é um eixo decisivo para reduzir o custo do país, ampliar a competitividade e aumentar a integração nacional”, completou.
Estamos vivendo um ciclo de expansão da infraestrutura muito importante. Além de gerar emprego, o investimento em infraestrutura é um eixo decisivo para reduzir o custo do país, ampliar a competitividade e aumentar a integração nacional”
— Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
Outro destaque é o modelo de financiamento project finance non recourse, em que o pagamento é feito com o fluxo de receitas do projeto. Foi usado, por exemplo, no apoio do BNDES ao plano de investimentos em modernização de 11 aeroportos administrados pela Aena, entre os quais Congonhas, em São Paulo. A participação do BNDES combina emissão de debêntures e financiamento non recourse, somando R$ 4,6 bilhões.
Já o projeto de melhorias na Via Dutra (parte da BR-116 que liga Rio de Janeiro e São Paulo) é a maior operação de crédito rodoviário e a maior emissão de debêntures do país: soma financiamento total do BNDES de R$ 10,75 bilhões. Desse montante, R$ 9,4 bilhões são debêntures incentivadas, sendo R$ 500 milhões em debêntures verdes, destinadas ao financiamento de ativos que geram impactos ambientais positivos.
“No trecho do Rio de Janeiro, vemos as obras em todos os lados da pista, a partir do Trevo das Margaridas até a subida da Serra das Araras. É notória a melhoria, que significa ganho de tempo para nós, motoristas de carros pesados”, contou o caminhoneiro Charles Moura, de 33 anos, que também trabalha na Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado do Rio de Janeiro.
No setor ferroviário, o BNDES apoia o projeto da Rumo para conclusão da primeira etapa da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT), com emissão de debêntures de R$ 2 bilhões, coordenada pelo próprio banco. Ele também financiou, com R$ 1 bilhão via debêntures e R$ 50 milhões em crédito, a construção de 86,7 km de ferrovias no Mato Grosso do Sul para a Eldorado Brasil escoar a produção de celulose.
Em mobilidade urbana, o BNDES está presente em diversos projetos no estado de São Paulo, que incluem a expansão da Linha 2 do metrô e a aquisição de 1.300 ônibus elétricos para a capital.
Na capital paulista, mais uma ação relevante foi a aprovação de R$ 432 milhões para a Loga investir em coleta e destinação final de resíduos sólidos, beneficiando sete milhões de pessoas. Os recursos combinam emissões de debêntures e fontes como o Fundo Clima e o Eco Invest, instrumentos do governo federal para a mitigação das mudanças climáticas. O projeto prevê uso de caminhões movidos a biometano.
“Estamos celebrando um ciclo de investimentos sustentável”, afirmou Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudanças Climáticas do BNDES, que lembrou que o banco se firma como “o maior financiador de energia renovável do mundo”.
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Presidente executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), Venilton Tadini destaca o papel fundamental do BNDES, atuando em diversas frentes:
“A primeira é como estruturador de projetos. Além disso, o BNDES voltou a atuar como banco de fomento. Tem atuado de forma direta com suas linhas de empréstimo de longo prazo e apoiando ou adquirindo debêntures incentivadas e de infraestrutura. Finalmente, atua como aglutinador de funding de diversas origens, inclusive de organismos multilaterais e do Fundo Clima, tornando o financiamento mais barato para o tomador”, comentou Tadini.
Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, movimento que reúne as seis maiores empresas de infraestrutura do país, observa que os investimentos crescentes geram “impactos estruturais relevantes” em setores-chave da economia, como agronegócio, mineração, indústria e comércio.
“É importante ressaltar a participação de investimentos privados, que ampliam a capacidade de planejamento do Estado e criam um ambiente mais previsível e seguro para novos projetos. O BNDES tem um papel estratégico como indutor do desenvolvimento do Brasil. Sua atuação como catalisador de investimentos de grandes projetos contribui para mitigar riscos e viabilizar iniciativas que dependem de capital intensivo e de longo prazo”, declarou Glanzmann.
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