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quinta-feira, junho 11, 2026

Especialista do Banco Central explica por que o rotativo do cartão pode dobrar sua dívida

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Quem paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito corre o risco de transformar uma dívida pequena em um problema financeiro muito maior. O alerta é do especialista Gustavo Igreja, do Banco Central, que explicou por que o crédito rotativo continua entre as modalidades mais caras do mercado.

Segundo ele, muitas pessoas entram no rotativo sem perceber o peso dos juros e acabam enfrentando um aumento rápido da dívida nos meses seguintes. Embora regras recentes tenham limitado esse crescimento, o custo ainda pode causar impacto significativo no orçamento.

O que acontece quando a fatura não é paga integralmente

Gustavo Igreja explica que o crédito rotativo entra em ação quando o cliente não quita o valor total da fatura.

Nesse cenário, o banco passa a financiar a parte que ficou em aberto. Em outras palavras, o consumidor toma um empréstimo automático para cobrir a diferença.

O problema é que essa modalidade costuma cobrar algumas das maiores taxas de juros disponíveis no sistema financeiro brasileiro.

Além do rotativo, apenas o cheque especial costuma aparecer entre as linhas de crédito mais caras oferecidas pelos bancos.

Por que os juros do rotativo são tão altos

De acordo com o especialista do Banco Central, um dos fatores é o risco assumido pela instituição financeira.

Quando o cliente entra no rotativo, o banco empresta recursos sem ter certeza sobre quando receberá aquele valor de volta. Esse risco maior acaba influenciando o custo final da operação.

Outro motivo está na facilidade de acesso.

O crédito rotativo já faz parte do contrato do cartão e fica disponível automaticamente quando a fatura não é paga. Não existe uma nova análise de crédito nem uma contratação específica para liberar o recurso.

Essa rapidez tem um preço. Além disso, muitos consumidores desconhecem alternativas mais baratas e acabam permanecendo no rotativo por falta de informação sobre outras opções de crédito.

Regras tentam limitar o crescimento da dívida O Conselho Monetário Nacional adotou medidas para reduzir os impactos dessa modalidade.

Desde 2017, os bancos só podem manter o cliente no rotativo por até 30 dias. Após esse período, a instituição deve oferecer outra alternativa de crédito.

Essa nova opção precisa ter custo menor do que os juros cobrados no rotativo. Outra mudança entrou em vigor em 2024.

Pelas regras atuais, a soma dos juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode ultrapassar o valor original da dívida.

Na prática, uma dívida de R$ 100 pode chegar, no máximo, a R$ 200.

Mesmo com esse limite, Gustavo Igreja alerta que dobrar uma dívida continua sendo um grande problema para as finanças pessoais.

Três caminhos para evitar o crédito rotativo

Durante a orientação, o especialista apresentou três medidas para quem deseja fugir dessa modalidade.

A primeira é pesquisar outras linhas de crédito antes de recorrer ao rotativo.

Dependendo do perfil do cliente, opções como crédito consignado ou empréstimo pessoal podem apresentar custos menores.

A segunda recomendação envolve o uso consciente do cartão. Segundo Gustavo, o limite disponível não representa renda extra. Cada compra feita gera uma obrigação futura de pagamento.

Por isso, o consumidor deve gastar apenas valores compatíveis com sua capacidade financeira.

A terceira dica é acompanhar regularmente as contas e as faturas. Esse hábito ajuda a identificar quanto da renda já está comprometido com parcelas, financiamentos e outros créditos, reduzindo o risco de criar uma sequência de dívidas.

CET ajuda a comparar empréstimos

Quem precisa contratar crédito deve observar um indicador importante antes de fechar negócio.

Gustavo Igreja recomenda comparar o CET, sigla para Custo Efetivo Total.

O indicador reúne juros, tarifas e demais encargos cobrados pela operação. Dessa forma, o consumidor consegue avaliar qual oferta realmente custa menos.

A comparação pode evitar escolhas que aumentem ainda mais o endividamento.

Perguntas Frequentes

  • O que é o crédito rotativo do cartão?
    É uma modalidade usada quando o cliente não paga o valor total da fatura do cartão de crédito até a data de vencimento.
  • O que acontece se eu pagar apenas o valor mínimo da fatura?
    O saldo restante entra no crédito rotativo e passa a receber cobrança de juros e encargos financeiros.
  • Por que o rotativo do cartão é tão caro?
    Segundo Gustavo Igreja, do Banco Central, os bancos consideram essa operação mais arriscada e oferecem o crédito de forma automática, sem nova análise.
  • Quanto tempo posso ficar no rotativo?
    As regras atuais permitem o uso do rotativo por até 30 dias. Depois disso, o banco deve oferecer outra alternativa de crédito.
  • A dívida pode crescer sem limite?
    Não. Desde 2024, a soma dos juros e encargos do rotativo e do parcelamento não pode ultrapassar o valor original da dívida.
  • Existe alternativa mais barata ao rotativo?
    Sim. Dependendo do perfil do cliente, opções como crédito consignado, empréstimo pessoal ou parcelamento da fatura podem ter custos menores.
  • O parcelamento da fatura é melhor que o rotativo?
    Em muitos casos, sim. Pela regra do Conselho Monetário Nacional, a alternativa oferecida após o rotativo deve ser mais barata.
  • Como evitar entrar no rotativo?
    Planeje os gastos, acompanhe as faturas regularmente e evite usar mais crédito do que consegue pagar.
  • O limite do cartão é considerado renda?
    Não. Gustavo Igreja alerta que o limite é apenas um valor disponível para crédito e não representa dinheiro extra.
  • O que é CET?
    CET significa Custo Efetivo Total. O indicador reúne juros, tarifas e encargos e ajuda a comparar diferentes ofertas de crédito.

[Fonte Original]

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