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quinta-feira, junho 11, 2026

Mundial será o mais quente da história

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A crise climática entra em campo nos jogos da Copa do Mundo da FIFA de 2026, a maior edição da história. Sediada em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México, terá 48 seleções e 104 partidas. Pode quebrar o recorde de maior emissora de gases-estufa pelos deslocamentos entre 16 cidades-sede. Se o potencial poluidor ainda é uma estimativa a ser conhecida só depois do campeão levantar a taça de 18 quilates de ouro maciço, cientistas dão como certo que esta será o campeonato mundial de futebol mais quente de todos.

Simon Stiell, secretário executivo da ONU Clima – mais propriamente da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas- adianta-se às inevitáveis interrupções dos jogos que acontecerão, para dar uma pausa aos jogadores, pressionados pelo calor extremo. “Está muito calor para os jogadores, os torcedores, para todos. Está quente e ficando cada vez mais quente. Isso não é por acaso. É a mudança climática”, lamenta. “O planeta está se aquecendo depois de mais de meio século de queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás. Isso retém o calor na atmosfera. E agora estamos sentindo isso em todos os lugares”.

Stiell segue: “Em campo, em todos os níveis -desde as categorias de ponta do futebol internacional até o futebol de base-, isso significa calor mais extremo. Mais fadiga. Decisões mais difíceis, reações mais lentas, jogadores e torcedores no limite.”

O diretor executivo da ONU Clima faz, na sua fala, um resumo de vários estudos que vêm sendo publicados na pré-Copa. O mais famoso, dos pesquisadores do World Weather Attribution (WWA), estima que um a cada quatro jogos serão disputados sob calor perigoso. Pesquisadores avisaram a Fifpro, o sindicato global dos jogadores, de que o calor se torna um risco real e intervalos para que os atletas se hidratem e se resfriem (assim como a torcida) são recomendados.

Não se trata de dias de calor normais. O estudo usa a métrica dos Wet Bulg Globe Temperatures, WBGT, cruzando fatores como calor, umidade, exposição solar, vento e radiação direta. A métrica dá uma melhor medida do estresse térmico aos jogadores. Uma temperatura de 40°C combinada à umidade relativa do ar de 30% faz um índice WBGT de 26°C -um limite de performance para os atletas.

Isso deve afetar a final, duas quartas-de-final e a disputa pelo terceiro lugar. Cinco jogos podem ultrapassar 28°WBGT, nível onde os especialistas recomendam adiamento do jogo. Atualmente, todos os estádios da Copa de 2026, segundo os pesquisadores da Climate Central, sofrem mais com dias quentes durante junho e julho do que durante a Copa do México, em 1970. Mesmo estádios em lugares frios estão sob risco. Em junho de 2021, uma onda de calor na Columbia Britânica, no Canadá, chegou a 49,6°C. Causou mais de 600 mortes.

Com o avanço da crise climática, em 2050, sem adaptação, 11 dos estádios do Mundial de Clubes de 2025 estarão tão impactados pelo calor que jogos serão impraticáveis, segundo a publicação Football for Future. No ano passado, em julho, dez jogadores do Juventus pediram para ser substituídos durante jogo contra o Real Madri, devido às condições de calor e umidade no Hard Rock Stadium, em Miami. Os jogadores se declararam exaustos.

O calor, o Sol e a umidade mudam a performance e a tática dos jogos. Relatório de pesquisadores da Climate Central dizem que, devido à emergência climática, 97 dos 104 jogos programados na Copa do Mundo enfrentam maior probabilidade de mostrarem menor desempenho dos jogadores. Os atletas correm menos, dão menos arrancadas, aguentam menos tempo para pedirem substituição, têm dificuldades de concentração.

O planeta está se aquecendo. Em campo, isso significa jogadores no limite”

— Simon Stiell

Em outras palavras: calor extremo pode significar jogo mais conservador, menos intensos e menos excitantes de assistir. Em um estudo feito em novembro de 2023 pela World Athletics, 75% dos atletas disseram que o calor afeta seu desempenho.

O jogador Malik Tilman, que tem dupla nacionalidade -alemã e americana-, e joga pela seleção dos EUA, diz que os jogadores são preparados da melhor forma possível. “Eles se asseguram de que tomamos muita água, que temos toalhas geladas nos vestiários ou até máquinas de raspadinha”.

O perigo pode estar, também, fora do campo, já que os jogadores são atendidos por equipes médicas, fazem pausas, são hidratados. Só três dos 16 estádios da Copa do Mundo 2026 têm ar-condicionado. As torcidas podem sofrer muito nas filas aos estádios, nas arquibancadas em áreas sem sombra, nas aglomerações, alertam os pesquisadores.

Estimativas indicam, ainda, que a Copa do Mundo de 2026 pode emitir mais que o dobro de gases-estufa do que a média histórica. O torneio pode lançar 7,8 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, só nos deslocamentos entre os três países anfitriões, estima a plataforma de contabilização de carbono Greenly, segundo publicou a Reuters. Isso equivale às emissões anuais de Serra Leoa ou às de 1,7 milhão de carros.

  • Veja também o especial da Copa do Mundo clicando aqui

[Fonte Original]

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