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quarta-feira, junho 10, 2026

Crítica | Star Wars: Rogue One – Jyn Erso – Plano Crítico

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Como parte das comemorações do aniversário de 10 anos do lançamento do sensacional Rogue One: Uma História Star Wars, a Marvel Comics anunciou o lançamento de cinco edições únicas (one-shots) focadas em personagens diferentes do longa, começando pela de Cassian Andor nas horas que antecedem sua primeira aparição no Anel de Kafrene, obtendo informações de Tivik. Foi um início menos do que ideal, para usar um eufemismo, com Benjamin Percy costurando uma história simples demais que nada agrega ao personagem ou ao cânone em geral, deixando não mais do que a impressão de estarmos diante de uma HQ caça-níquel. No segundo one-shot, porém, desta vez dedicado a Jyn Erso, o roteirista Ethan Sacks, apesar de seguir a mesma estratégia de Percy e contar algo sobre a futura rebelde que imediatamente antecede o momento em que vemos a personagem no filme pela primeira vez, a história é mais redonda, mais bem acabada, não parecendo o fragmento de ideia que foi a primeira.

Presa pelo Império sob outra identidade em Wobani e cumprindo longa pena de trabalhos forçados no planeta desolado, Jyn relembra os traumas de seu passado, mais especificamente o assassinato da mãe, o desaparecimento do pai e seu abandono por Saw Gerrera, enquanto aceita passivamente sua condição de cativa vivendo um dia de cada vez, sem a menor esperança de sair viva dali e, talvez, sem sequer a menor vontade de escapar. No entanto, em um belo dia (só força de expressão, claro), um prisioneiro se aproxima dela, perguntando se ela é a hacker (ou slicer) Liana Hallik, capaz de obter autorizações imperiais, pois ele tem um plano de fuga. Negando tudo e afastando-se, ela é depois novamente indagada de uma outra prisioneira a mesma coisa, com um evento mortal ocorrendo quase simultaneamente abrindo oportunidade para eles escaparem das garras do Império. Relutantemente, Jyn Erso aceita ajudar e o que vem daí é o renascimento de sua veia rebelde, a mesma que ela demonstra ter depois que é resgatada por K-2S0.

A história é simples, mas eficiente em estabelecer a protagonista e sua natureza esculpida por décadas de sofrimento e treinamento, deixando ainda mais evidente a riqueza de sua vida pré-Wobani, mesmo após seu mentor deixá-la para trás, sabendo ela ou não a razão de o rebelde radical ter feito isso. Não só sua eficiência em combate é estabelecida desde sua primeira cena de ação em que derruba um droide de segurança da série KX até o momento,  durante a fuga, em que se revela alguém pronta para sacrificar-se em prol dos outros, em uma antecipação – simplista e óbvia, sei bem – do que ela acabaria fazendo em Rogue One. Em termos narrativos, porém, o que realmente importa é que Sacks, diferente do que ele mesmo fizera no prelúdio de Predador: Terras Selvagens e do que Percy fez no one-shot de Cassian Andor, consegue contar um momento da vida de Jyn Erso que consegue abrir uma janela para a personagem que também cumpre sua função de ser uma história substancialmente solta. Não é, como disse, nada de especial, mas certamente é um esforço na direção correta em edições únicas dessa natureza, especialmente uma “imprensada” em um momento tão breve de sua vida.

A arte do catalão Ramón Rosanas, que já vem ilustrando quadrinhos da franquia Star Wars para a Marvel Comics há algum tempo, mostra sua intimidade com a matéria e entrega um trabalho que encapsula muito bem o espírito da história dentro da história em si e também como prelúdio de Rogue One. Seus personagens imperiais, especialmente os troopers e droides carregam a aura de ameaça necessária e os personagens humanos e alienígenas que se aproxima de Erso têm a urgência que uma fuga dessas precisa, mesmo que tudo acabe sendo corrido pela natureza da própria obra. Não gosto muito do rejuvenescimento de Jyn Erso que seus traços dão ao rosto da personagem, mas essa sua escolha não quebra por completo a ponte mental que o leitor fará entre o que vê nas páginas e a versão em carne e osso de Felicity Jones. Se Cassian Andor recebeu um tratamento meramente automático, é ótimo notar que Jyn Erso ganhou algo de valor, mesmo que naturalmente limitado pela “contenção de espaço” exigida pela editora. Que os próximos one-shots sejam assim!

Star Wars: Rogue One – Jyn Erso (Idem – EUA, 2026)
Roteiro: Ethan Sacks
Arte: Ramon Rosanas
Cores: Guru-eFX
Letras: Travis Lanham
Editoria: Mikey J. Basso, Mark Paniccia, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Data de publicação: 03 de junho de 2026
Páginas: 22



[Fonte Original]

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