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quinta-feira, junho 11, 2026

Como as empresas de capital aberto que operam na indústria aeroespacial tem se saído

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A estreia iminente da SpaceX na bolsa de valores deu um empurrão no desempenho de outras companhias aeroespaciais listadas nos Estados Unidos. Mais: o casamento entre um ciclo de investimentos agressivo do governo americano com entregas operacionais reais também apoia os movimentos mais recentes nas ações. O ciclo pode esconder, no entanto, os desafios de um setor bastante segmentado e composto por um grupo de empresas altamente voláteis.

Para se ter ideia, o ETF temático do setor espacial chamado UFO ganhou cerca de 29% de valor neste ano, chegando a um pico de valorização de 68% no fim de maio. O NASA, outro fundo de índices exposto a empresas do setor, anota ganhos de 14% ao ano.

No ramo de lançamentos de foguetes, a Rocket Lab é a principal referência, amplamente considerada como a “número 2” do segmento, atrás da SpaceX. No primeiro trimestre de 2026, reportou receita de R$ 200 milhões, alta anual de 64%, com um backlog recorde de US$ 2,2 bilhões.

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Onde Investir no 2º semestre

“Um detalhe relevante: sua divisão de sistemas espaciais (componentes, software, satélites) já fatura mais do que o negócio de lançamento”, conta o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan.

A companhia opera hoje com lançamentos do foguete Electron e parte do mercado precifica suas ações olhando para o desenvolvimento da próxima aeronave, o Neutron, previsto para 2026 após atrasos. E esse cenário explica um dos principais riscos relacionados às companhias de lançamento: atrasos no calendário tecnológico tornam os papéis muito voláteis.

Não é incomum que essas companhias enfrentem variações positivas ou negativas de 15% a 20% dentro de um mesmo pregão em função de notícias sobre contratos ou o andamento de novos projetos de desenvolvimento, explica o diretor do family office Eclipseon, Ricardo Simon.

Além do mais, as companhias do setor operam em múltiplos muito elevados, aumentando a margem de volatilidade. A SpaceX, por exemplo, estreia com um preço de mercado equivalente a 92 vezes sua receita, valor próximo ao da Rocket Lab, de 94 vezes a receita. Em termos de comparação, a Palantir, ação mais cara da S&P, negocia a 62 vezes.

Investimentos agressivos da Nasa puxam otimismo

É verdade que o contexto dos últimos anos foi favorável. Desde que o presidente Donald Trump nomeou Jared Isaacman para o principal cargo da administração na Nasa, o ritmo de anúncios de novos projetos relacionados à base lunar e ao programa Artemis acelerou.

“Como várias das empresas têm parcela relevante da receita vinculada à Nasa, elas se beneficiam diretamente desse planejamento mais agressivo”, afirma Simon. A expectativa é que o programa Artemis leve o homem novamente à Lua até 2028.

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Um exemplo emblemático é o da Intuitive Machines. Três contratos com a Nasa para a produção de equipamentos embarcados são as principais linhas de receita da companhia de módulos de pouso lunar pelos próximos anos, somando US$ 377 milhões em lançamentos até 2030.

“O papel oscila de forma intensa a cada notícia de novo contrato ou a cada anúncio relacionado ao programa Artemis. Para essa empresa, notícias da Nasa são o principal driver de preço”, aponta Simon.

Para se ter ideia, a Intuitive Machines deixou 2025 com uma receita de aproximadamente US$ 210 milhões e relatou uma projeção de faturamento de US$ 900 milhões a US$ 1 bilhão em 2026. As ações da companhia valorizaram 50% neste ano, mas chegaram a um pico de 155% em maio.

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“Ganha mais quem cobra o pedágio”

Embora o lançamento de foguetes seja a atividade de maior visibilidade entre o público geral, ele representa só uma parte da economia espacial. A infraestrutura de conectividade por satélites, tecnologia de exploração lunar ou observação terrestre, em muitos casos, reúne negócios mais previsíveis.

“Talvez a melhor forma de resumir o setor seja uma analogia simples: quem ganha dinheiro de forma mais consistente em infraestrutura nem sempre é quem constrói a estrada, mas quem cobra o pedágio sobre ela”, aponta o sócio-fundador da Private Investimentos, Cleiton Souza.

No caso da própria SpaceX, a unidade de satélites orbitais Starlink ajuda a ancorar o valor de mercado da companhia. Há ainda exemplos como a AST SpaceMobile, que anotou uma valorização de mais de 200% em doze meses de 2025 embora ainda seja muito dependente dos lançamentos da Blue Origin, de Jeff Bezos e ainda queime caixa, anotando um prejuízo de US$ 191 milhões no primeiro trimestre deste ano.

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Trevisan cita nomes mais maduros em conectividade como Iridium, Viasat e Globalstar, todas listadas em bolsa. Ele menciona ainda companhias de observação terrestre, como a Planet Labs, dona da maior constelação de imageamento do planeta e receita anual recorde de US$ 307,7 milhões puxada por contratos de defesa e inteligência com NGA, NRO, Nasa, Marinha dos EUA e Otan.

A expectativa é que a SpaceX faça um IPO recorde de US$ 75 bilhões, o que avaliaria a companhia em US$ 1,77 trilhão.

[Fonte Original]

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