Um estudo feito por Thiago Trafane Oliveira Santos, assessor do departamento econômico do Banco Central (BC), mostra que o aquecimento do mercado de trabalho explica metade do desvio atual da inflação de serviços acumulada em 12 meses em relação ao nível compatível com a meta. A pesquisa foi publicada no BC Blog, canal oficial do BC para divulgação de estudos e que não reflete, necessariamente, a opinião da autoridade monetária.
Os resultados sugerem que a taxa de desemprego que não aumenta a inflação — conhecida como Nairu (do inglês “non-accelerating inflation rate of unemployment”) — passou por uma redução nos últimos anos, situando-se em 7,2% ao final da amostra, em maio de 2026. Esse patamar da “taxa de desemprego neutra” corresponde ao mínimo histórico.
A taxa de desocupação está abaixo da estimativa central da Nairu desde o fim de 2022, segundo o autor. Em maio de 2026, o hiato do desemprego foi estimado em 1,8 ponto percentual, o que mostra que o mercado de trabalho se encontra aquecido.
“Esse aquecimento do mercado de trabalho explica cerca de metade do desvio da inflação acumulada em doze meses do núcleo EX3 Serviços (anteriormente denominado inflação subjacente de serviços) em relação ao nível compatível com a meta de inflação, sendo a outra metade explicada pela inflação passada e pelas expectativas de inflação, ambas acima da meta de 3%”, diz o texto.
O autor utilizou a metodologia da curva de Phillips para fazer o exercício. Segundo o estudo, as estimativas centrais indicam que o desemprego de “equilíbrio” se manteve entre 9% e 10% até meados de 2007, e, depois, subiu para 11% até o fim de 2015. Trafane disse que a Nairu passou a recuar de forma consistente nos anos posteriores, situando-se atualmente em seu menor nível histórico (7,2%).
O Banco Central considerou, para fins estatísticos, uma taxa de desocupação de 5,38% em maio, percentual diferente do divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que era de 5,6% no trimestre encerrado em maio.
O patamar de 5,38% representa um desvio de 1,8 ponto percentual em relação ao patamar da Nairu. O autor disse que, durante o período da pandemia de covid-19, a taxa de desemprego permaneceu persistentemente acima da Nairu, ao mesmo tempo em que a inflação apresentou forte aceleração. Ele supôs que as restrições no fluxo e na mobilidade de pessoas tenham elevado temporariamente o nível da taxa de desemprego de equilíbrio.