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terça-feira, julho 28, 2026

Dia do Produtor Rural: encontro desperta nova percepção sobre o papel desse profissional no país

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As mãos se levantaram antes mesmo da primeira explicação terminar. No centro da sala de aula, um pé de cenoura ainda coberto por um pouco de terra e uma beterraba com folhas despertavam a curiosidade de estudantes acostumados a encontrar aqueles alimentos apenas nas prateleiras do supermercado. Alguns se aproximaram para tocar. Outros perguntavam como era um pé de pepino, quanto tempo um tomate levava para crescer ou se a Lua realmente influenciava as plantações.

Essas cenas foram descritas pelo produtor rural Alisson Levi, de Alexânia (GO), durante uma visita a uma escola do Distrito Federal para falar sobre produção rural. “Quando cheguei com um pé de cenoura e um de beterraba eles ficaram impressionados. Nunca tinham visto. Só conheciam a cenoura e a beterraba do mercado”, lembra.

O encontro fez parte de uma ação promovida pelo Sistema CNA/Senar para celebrar o Dia do Produtor Rural, em 28 de julho. O objetivo foi reunir um produtor, um técnico de campo e estudantes da cidade para aproximar as novas gerações da realidade de quem produz os alimentos que chegam diariamente às mesas dos brasileiros.

A visita à escola foi muito além de uma aula sobre agricultura, transformou-se em um encontro entre dois mundos que convivem diariamente, mas raramente se encontram: o campo e a cidade. “Eles perguntavam como era um pé de tomate, um pé de pepino. Não tinham essa noção. Foi muito importante mostrar de onde vem o alimento”.

Estudantes curiosos com a produção de alimentos — Foto: Wenderson Araujo/CNA

Essa aproximação ganha ainda mais significado em um país onde o agronegócio responde por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, o setor movimentou R$ 3,2 trilhões, empregou 28,4 milhões de brasileiros, praticamente um em cada três trabalhadores, e respondeu por 49% das exportações nacionais. Os números impressionam, mas contam apenas parte da história. Antes de movimentar bilhões de reais, o agro é feito de pessoas, famílias e gerações que dedicam a vida a produzir o alimento que chega diariamente à mesa dos brasileiros.

Na propriedade da família Levi, essa história começou com o avô de Alisson e passou para seu pai. Hoje, é compartilhada entre ele, o irmão, a mãe, sua esposa e seus filhos já se preparam para continuar o legado. Produzindo tomate, pimentão, pepino, cenoura, beterraba, morango, quiabo e outras hortaliças comercializadas em Brasília, eles mantêm viva uma tradição construída muito antes de qualquer tecnologia chegar ao campo. “Meu avô passou para o meu pai que passou esse trabalho para nós. Eu sinto uma responsabilidade muito grande, mas também uma honra enorme de dar continuidade ao que a minha família construiu”, explicou Allison.

Legado na propriedade dos Levi: família segue tradição na produção de hortaliças — Foto: Wenderson Araujo/CNA
Legado na propriedade dos Levi: família segue tradição na produção de hortaliças — Foto: Wenderson Araujo/CNA

Esse legado também foi se adaptando ao longo do tempo. Conhecimento e tecnologia transformaram os sistemas produtivos e a família encontrou novos caminhos com cursos, Assistência Técnica e Gerencial do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e novos estudos sobre solo e manejo.

O resultado trouxe ganhos de produtividade, para o meio ambiente, para a saúde da família e também para a sustentabilidade econômica da produção.

Cursos e assistência técnica do Senar levaram Levi a produzir de forma mais sustentável e saudável — Foto: Wenderson Araujo/CNA
Cursos e assistência técnica do Senar levaram Levi a produzir de forma mais sustentável e saudável — Foto: Wenderson Araujo/CNA

Depois da visita, os estudantes transformaram a curiosidade em gratidão. Escreveram uma carta e fizeram desenhos que foram entregues para o Allison. Acostumado às madrugadas, às incertezas do clima e às exigências da lavoura, o produtor rural admite que poucos momentos o emocionaram tanto. “Foi um troféu para mim. Peguei cada cartinha, li uma por uma. Aquilo mostrou que eu estava representando a minha família. Meu avô, meu pai… todos. Foi uma honra muito grande”, relatou, emocionado.

As crianças deixaram de enxergar apenas alimentos e passaram a conhecer as pessoas por trás deles, e Alisson, que foi à escola ensinar sobre o campo, agora tem uma certeza diferente: a de que seu trabalho também planta conhecimento. “Se, daqui a alguns anos, aquelas crianças voltarem a olhar para uma cenoura, um tomate ou um morango e lembrarem do produtor que um dia entrou na sala de aula para contar de onde vem a comida, então a maior colheita daquela visita já terá acontecido”, finalizou.

Em um país que ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de produtos agropecuários, histórias como a da família Levi lembram que a força do campo não se mede apenas em toneladas produzidas ou bilhões exportados. Ela também está na capacidade de despertar curiosidade, criar vínculos e formar uma nova geração que compreenda que, por trás de cada tomate, cada cenoura ou cada morango, existe alguém que acordou antes do nascer do sol para que aquele alimento chegasse à mesa de milhões de brasileiros.

Clique aqui e acompanhe como foi a ação.

[Fonte Original]

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